Questão de Português — Morfologia - Pronomes — Quadrix 2023
- Código
- qg027714
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRESS-AL
- Ano
- 2023
- Nível
- Médio
- Cargo
- Assistente Técnico Administrativo



- CCerto
- EErrado



GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). O pronome relativo “cuja” não pode ser substituído por “que” sem prejuízo sintático e semântico, porque “cuja” exerce função de adjunto adnominal (indica posse) e concorda com o termo subsequente, enquanto “que” teria outra função sintática e não carrega a ideia de posse. A substituição quebraria a estrutura da oração subordinada adjetiva e alteraria o sentido do trecho.
O enunciado pede um julgamento sobre a possibilidade de substituição do pronome relativo “cuja” por “que”, afirmando que isso ocorreria “sem prejuízo sintático e semântico”. Trata-se de uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber que ambos são pronomes relativos; é preciso analisar a função sintática que cada um exerce na oração e o efeito de sentido que produzem. O verbo “poderia” indica que a banca quer saber se a troca é equivalente — e equivalência exige que a função e o sentido sejam preservados.
O texto I (tese de doutorado de M. Escóssia) trata da invisibilidade de brasileiros sem documento. Na linha 16, o pronome “cuja” aparece em uma oração subordinada adjetiva, ligando dois substantivos e estabelecendo uma relação de posse entre eles. A estrutura típica é: “substantivo + cujo + substantivo”, em que “cujo” concorda em gênero e número com o segundo substantivo (o possuído). Por exemplo: “o cidadão cujos direitos foram negados” — “cujos” concorda com “direitos”.
O pronome relativo “cujo” (e flexões) é sempre pronome adjetivo: ele acompanha um substantivo, funcionando como adjunto adnominal. Ele indica posse e concorda com o termo que vem depois dele. Além disso, não admite artigo após si (nunca “cujo o”).
Já o pronome relativo “que” é um coringa: pode exercer função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, adjunto adverbial, etc., dependendo da regência do verbo. Mas não indica posse e não concorda com termo subsequente.
No trecho do texto I, “cuja” exerce função de adjunto adnominal do substantivo que o segue. Se substituíssemos por “que”, a oração ficaria sintaticamente quebrada, pois “que” não teria a mesma função e a relação de posse se perderia. Vejamos um exemplo genérico para ilustrar:
“A mulher cujo filho estuda aqui” — “cujo” = adjunto adnominal de “filho”, indica posse (o filho da mulher).
“A mulher que filho estuda aqui” — agramatical: “que” não pode ser adjunto adnominal de “filho”.
Portanto, a substituição é inviável.
A assertiva afirma que a substituição “poderia ser feita sem prejuízo sintático e semântico”. Isso é falso, pois:
Sintaticamente: “cuja” exerce função de adjunto adnominal; “que” não poderia exercer essa função no mesmo contexto, pois a oração ficaria sem o conectivo adequado para a relação de posse.
Semanticamente: “cuja” carrega a ideia de posse; “que” é neutro, não transmite essa relação.
Logo, a assertiva está errada.
A banca explora a função sintática e a concordância do pronome relativo “cujo”. A pegadinha está em sugerir que “que” pode substituir “cujo” sem alteração, ignorando que “cujo” é um pronome adjetivo com valor possessivo e concordância específica. Gabarito: letra E (ERRADO).
Ao julgar substituições de pronomes relativos, verifique sempre a função sintática que o pronome exerce na oração e a concordância com o termo subsequente. “Cujo” é sempre adjunto adnominal e indica posse; “que” é coringa, mas não tem esse valor.
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