Questão de Português — Figuras de Linguagem — Quadrix 2023
- Código
- qg027715
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRESS-AL
- Ano
- 2023
- Nível
- Médio
- Cargo
- Assistente Técnico Administrativo



- CCerto
- EErrado



GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). O termo “pessoa que não existe” configura, sim, o uso da figura de linguagem denominada paradoxo, pois une duas ideias que se contradizem: a de “pessoa” (algo que, por definição, existe) e a de “não existe” (a negação da existência). Essa contradição aparente é a essência do paradoxo, também chamado de oximoro quando a oposição se dá entre termos próximos.
A questão pede um julgamento de Certo ou Errado sobre a classificação de um recurso expressivo. Isso exige, primeiro, saber o que é paradoxo e, segundo, verificar se o trecho citado se encaixa nessa definição. Não se trata de interpretar o sentido global do texto, mas de reconhecer uma figura de linguagem específica — uma tarefa de conceito aplicado a um caso concreto.
O paradoxo é uma figura de pensamento que consiste em expressar uma contradição aparente — ideias que se excluem logicamente, mas que, no contexto, produzem um efeito expressivo. Veja a definição clássica:
“Paradoxo – consiste na expressão de pensamentos antitéticos aparentemente absurdos: Vivo sem viver em mim.”
No exemplo “Vivo sem viver em mim”, há a afirmação de viver e, ao mesmo tempo, a negação dessa vida — uma contradição que só se resolve no plano figurado. O mesmo ocorre em “pessoa que não existe”: “pessoa” pressupõe existência; “não existe” a nega. A junção dos dois termos cria a contradição característica do paradoxo.
É importante não confundir com a antítese. Na antítese, há apenas a oposição de ideias (ex.: “o amor e o ódio caminham juntos”), sem que uma anule a outra. No paradoxo, a contradição é lógica e aparentemente absurda — como “silêncio ensurdecedor” ou “obscura claridade”.
No texto I, a expressão “pessoa que não existe” é usada para se referir a alguém que, burocraticamente, não tem existência legal — não possui documentos. O autor emprega a contradição de forma proposital: a pessoa existe fisicamente, mas não existe para o Estado. Essa é a essência do paradoxo: a união de termos contraditórios que, no contexto, revelam um sentido mais profundo.
A afirmação está correta. O termo “pessoa que não existe” configura o uso do paradoxo, pois combina a ideia de “pessoa” (que implica existência) com a de “não existe” (que a nega), criando uma contradição aparente — marca registrada dessa figura de pensamento.
A banca testa se o candidato confunde paradoxo com antítese. Na antítese, há oposição de ideias sem contradição lógica (ex.: “tristeza e felicidade”); no paradoxo, a contradição é interna e aparentemente absurda (ex.: “pessoa que não existe”). Aqui, a negação da existência dentro do próprio termo “pessoa” é o que caracteriza o paradoxo.
Para reconhecer um paradoxo, pergunte: “há uma contradição lógica entre os termos?”. Se sim, é paradoxo. Se há apenas oposição de ideias, é antítese. Ex.: “vivo sem viver” (paradoxo) × “o amor e o ódio” (antítese).
Conclusão: o item está CERTO, pois “pessoa que não existe” é um exemplo clássico de paradoxo — a união de termos contraditórios que, no contexto, expressam a condição de quem não tem existência legal. A resposta é a letra C.
Gabarito: letra C (CERTO).
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