Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Epidemiologia — Quadrix 2023

MedicinaEpidemiologia
Código
qg027969
Banca
Quadrix
Órgão
CRM-MG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
CRM - MG - Médico Fiscal
Imagem associada para resolução da questãoCom relação às curvas apresentadas na imagem acima, assinale a alternativa correta.
  1. AAs curvas 1 e 2 exibem testes de baixa acurácia diagnóstica.
  2. BAs curvas 1 e 3 apresentam acurácia melhor que a da curva 2.
  3. CA curva 2 exibe um teste perfeito, que diferencia todos os casos de pessoas doentes e saudáveis.
  4. DA curva 3 exibe um teste que não consegue diferenciar uma pessoa doente de uma pessoa saudável.
  5. EO ponto A apresenta maior acurácia diagnóstica que o ponto B.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A curva 3 exibe um teste que não consegue diferenciar uma pessoa doente de uma pessoa saudável.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Curvas ROC e acurácia diagnóstica

Gabarito: letra D. A curva 3, que coincide com a linha diagonal de 45° (linha de chance), representa um teste sem capacidade discriminativa — a taxa de verdadeiros positivos é sempre igual à taxa de falsos positivos, ou seja, o teste não consegue diferenciar doente de saudável. As curvas 1 e 2, por se afastarem da diagonal, indicam testes com algum poder diagnóstico, sendo a curva 1 a de maior acurácia.

A questão trata de curvas ROC (Receiver Operating Characteristic), uma ferramenta central em epidemiologia clínica para avaliar o desempenho de testes diagnósticos. O gráfico cruza duas medidas: no eixo Y, a sensibilidade (proporção de doentes corretamente identificados — verdadeiros positivos); no eixo X, o complemento da especificidade, ou seja, 1 − especificidade (proporção de saudáveis incorretamente classificados como doentes — falsos positivos). Cada ponto da curva representa um par sensibilidade/especificidade para um determinado ponto de corte do teste.

A acurácia de um teste é a capacidade global de classificar corretamente os indivíduos, e na curva ROC ela é medida pela área sob a curva (AUC). Quanto maior a AUC, mais o teste se aproxima do ideal: a curva se projeta para o canto superior esquerdo do gráfico, onde a sensibilidade é alta e a taxa de falsos positivos é baixa. Um teste perfeito teria AUC = 1,0, passando pelo ponto (0,1). Já um teste sem nenhum valor diagnóstico produz uma curva que coincide com a linha diagonal (a "linha de chance"), onde a sensibilidade é igual à taxa de falsos positivos em todos os pontos de corte — a AUC seria 0,5, equivalente a "chutar" o diagnóstico (por exemplo, jogar uma moeda).

Na prática, imagine um teste que classifica como "doente" exatamente metade dos doentes e metade dos saudáveis, em qualquer ponto de corte. A cada aumento da sensibilidade, a especificidade cai na mesma proporção, e a curva resultante é a diagonal. É exatamente isso que a curva 3 representa: ela não agrega nenhuma informação além do acaso. Por outro lado, as curvas 1 e 2 se afastam da diagonal, indicando que há pontos de corte em que o teste discrimina melhor — a curva 1, por estar mais próxima do canto superior esquerdo, tem maior AUC e, portanto, maior acurácia que a curva 2.

A pegadinha da banca está em inverter a lógica: o candidato pode achar que a curva 3, por ser "diferente", tem algum valor, quando na verdade ela é o pior cenário possível — ausência total de discriminação. Guarde a regra de ouro: quanto mais a curva se afasta da diagonal em direção ao canto superior esquerdo, melhor o teste; quanto mais próxima da diagonal, pior — e é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Curva ROC
  • 1Eixos
    • Y: sensibilidade (verdadeiros positivos)
    • X: 1 − especificidade (falsos positivos)
  • 2Acurácia = área sob a curva (AUC)
    • Curva afastada da diagonal → melhor teste
    • Curva sobre a diagonal → sem discriminação (AUC ≈ 0,5)
  • 3Teste perfeito
    • AUC = 1,0
    • Passa pelo ponto (0,1)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que as curvas 1 e 2 exibem testes de baixa acurácia. Errado: ambas se afastam da linha diagonal, o que indica capacidade discriminativa. A curva 1, em especial, aproxima-se do canto superior esquerdo, sugerindo alta acurácia. A curva 2, embora inferior à 1, ainda está acima da diagonal, portanto não pode ser classificada como de baixa acurácia — ela tem desempenho melhor que o acaso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que as curvas 1 e 3 apresentam acurácia melhor que a da curva 2. O erro está em incluir a curva 3: ela coincide com a diagonal (AUC ≈ 0,5), ou seja, tem a pior acurácia possível, inferior à da curva 2. Apenas a curva 1 tem acurácia melhor que a curva 2. A banca tenta confundir ao agrupar a curva 3 com a 1, mas a 3 é justamente a que não discrimina nada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a curva 2 exibe um teste perfeito. Um teste perfeito teria AUC = 1,0 e passaria pelo ponto (0,1) — sensibilidade de 100% com zero falsos positivos. A curva 2, por se afastar da diagonal mas não atingir o canto superior esquerdo, representa um teste com acurácia intermediária, não perfeita. A curva que representaria um teste perfeito seria aquela que sobe verticalmente pelo eixo Y até o topo e depois segue horizontalmente — não é o caso da curva 2.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A curva 3 coincide com a linha diagonal de 45°, que representa a "linha de chance". Nessa situação, a sensibilidade é igual à taxa de falsos positivos em todos os pontos de corte, o que significa que o teste não consegue distinguir uma pessoa doente de uma saudável — sua acurácia é equivalente a um palpite aleatório (AUC ≈ 0,5). É exatamente o que a alternativa afirma: o teste não diferencia doente de saudável.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o ponto A apresenta maior acurácia que o ponto B. Sem a imagem, não é possível confirmar a posição exata dos pontos, mas a lógica da curva ROC indica que a acurácia de um ponto depende de sua posição relativa: pontos mais próximos do canto superior esquerdo (maior sensibilidade, menor taxa de falsos positivos) têm melhor desempenho. A alternativa, ao afirmar categoricamente que A é melhor que B, pode estar invertendo a posição real dos pontos na figura — o candidato deve observar qual ponto está mais próximo do canto superior esquerdo para decidir. Como a curva 3 é a diagonal, qualquer ponto sobre ela tem o mesmo desempenho (equivalente ao acaso), o que reforça que a comparação entre A e B depende da leitura correta da imagem.

Gabarito: letra D — a curva 3, sobre a linha diagonal, representa um teste sem capacidade de discriminar doentes de saudáveis.

Link permanente: /questoes/qg027969