Questão de Português — Sintaxe — Quadrix 2023
- Código
- qg029638
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRO-TO
- Ano
- 2023
- Nível
- Médio
- Cargo
- Fiscal
Texto para o item.

Internet: ˂www.cro‑df.org.br˃ (com adaptações).
- CCerto
- EErrado
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GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). A substituição do trecho “Contudo, a norma permite que esses profissionais” por “Contudo, a norma lhes permite” não preserva o sentido original, pois o pronome relativo “que” retoma “esses profissionais” como sujeito da oração subordinada, enquanto o pronome oblíquo “lhes” exerce função de objeto indireto — ou seja, a reescrita muda a estrutura sintática e, consequentemente, o significado da frase. A banca explora a semelhança superficial entre os dois pronomes para induzir o candidato a aceitar uma troca que, na verdade, altera a relação entre os termos.
O enunciado pede que se julgue se a substituição é possível sem prejuízo ao sentido original ou à correção gramatical. Isso exige dois testes: (1) a reescrita mantém o mesmo significado? (2) a nova construção é gramaticalmente correta? A banca mistura os dois critérios, mas o erro está justamente no primeiro: a troca não é semanticamente equivalente, ainda que a frase resultante seja gramaticalmente aceitável.
No trecho original, temos:
“Contudo, a norma permite que esses profissionais”
Aqui, “que” é um pronome relativo que retoma “esses profissionais” e exerce a função de sujeito da oração subordinada (“que esses profissionais [façam algo]”). A norma permite algo: que esses profissionais realizem determinada ação. O sujeito da oração subordinada é “esses profissionais”, e o verbo “permitir” tem como objeto direto a oração inteira.
A reescrita seria:
“Contudo, a norma lhes permite”
Nessa nova construção, “lhes” é um pronome oblíquo átono que exerce função de objeto indireto (equivale a “a eles”). A frase passa a significar que a norma permite algo a eles — mas o que é permitido? O objeto direto (a ação que eles podem realizar) fica implícito, e o sentido original, que trazia explicitamente a ação permitida, se perde. Além disso, “lhes” não retoma “esses profissionais” como sujeito, mas como beneficiário da ação de permitir.
A troca altera a função sintática do termo retomado: no original, “esses profissionais” é sujeito da oração subordinada; na reescrita, “lhes” é objeto indireto. Isso muda o sentido: no original, a norma permite que eles façam algo; na reescrita, a norma permite algo a eles — e o que é permitido fica subentendido, dependendo do contexto. A banca tenta fazer o candidato acreditar que “lhes” é um substituto válido para “que esses profissionais”, mas os dois pronomes têm funções sintáticas distintas e não são intercambiáveis sem prejuízo semântico.
A armadilha está em trocar o pronome relativo por um oblíquo e sugerir que ambos retomam o mesmo referente. O candidato desatento pode pensar: “lhes” refere-se a “esses profissionais”, então está correto. Mas a função sintática é diferente, e é exatamente isso que a banca explora. A questão é clássica de reescrita com preservação de sentido: não basta que a nova frase seja gramatical; é preciso que ela diga a mesma coisa.
A assertiva está errada porque a substituição não preserva o sentido original, ainda que a nova construção seja gramaticalmente possível. A banca explora a troca de função sintática do pronome, fazendo o candidato acreditar que “lhes” é equivalente a “que esses profissionais”.
Ao julgar reescritas, pergunte-se: o novo pronome exerce a mesma função sintática do termo substituído? Se não, o sentido muda — e a questão está errada.
Gabarito: letra E (Errado).
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