Questão de Medicina — Patologia Clínica — Quadrix 2023
Medicina›Patologia Clínica
Código
qg031015
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Biomédico
Em uma paciente do sexo feminino, de vinte anos de idade, foi coletado sangue para gasometria arterial, cujos resultados foram: pH = 7,5; pCO₂ (pressão parcial de gás carbônico) = 46 mmHg; [HCO₃ ‑ ] (concentração de íons bicarbonato) = 35 mmol/L.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a condição ácido‑base da referida paciente.
Aalcalose respiratória parcialmente compensada por acidose metabólica
Bacidose metabólica não compensada
Cacidose metabólica compensada por acidose respiratória
Dalcalose metabólica parcialmente compensada por acidose respiratória
Ealcalose mista
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GabaritoD — alcalose metabólica parcialmente compensada por acidose respiratória
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Distúrbios do Equilíbrio Ácido-Base: Interpretação da Gasometria Arterial
Gabarito: letra D. A paciente apresenta alcalose metabólica parcialmente compensada por acidose respiratória, pois o pH elevado (7,5) indica alcalemia, o bicarbonato aumentado (35 mmol/L) aponta para o distúrbio metabólico primário, e a pCO₂ elevada (46 mmHg) representa a resposta compensatória respiratória, que é insuficiente para normalizar o pH. A interpretação segue a sistemática clássica de análise da gasometria arterial, baseada na relação entre pH, pCO₂ e HCO₃⁻.
A gasometria arterial é o método padrão-ouro para avaliação do status acidobásico, permitindo identificar o distúrbio primário e a resposta compensatória. O raciocínio clínico segue uma sequência lógica: primeiro, analisa-se o pH para determinar se há acidemia (pH < 7,35) ou alcalemia (pH > 7,45); em seguida, identifica-se o componente primário comparando a pCO₂ (componente respiratório) e o HCO₃⁻ (componente metabólico) com seus valores de referência (pCO₂: 35–45 mmHg; HCO₃⁻: 22–26 mmol/L); por fim, avalia-se se o outro componente está compensando adequadamente.
No caso apresentado, o pH de 7,5 confirma a alcalemia. O HCO₃⁻ de 35 mmol/L está elevado, indicando alcalose metabólica como distúrbio primário. A pCO₂ de 46 mmHg está discretamente elevada, o que representa a tentativa de compensação respiratória: o organismo retém CO₂ para acidificar o meio e tentar reduzir o pH. Como a pCO₂ está apenas levemente acima do normal, a compensação é parcial — o pH permanece alcalêmico. A compensação completa ocorreria se a pCO₂ atingisse valores mais altos, suficientes para trazer o pH de volta à faixa de normalidade.
A distinção entre distúrbio simples e misto é crucial. Em um distúrbio simples, o componente secundário (compensatório) move-se na mesma direção do primário: na alcalose metabólica, espera-se aumento da pCO₂; na acidose metabólica, espera-se diminuição. A compensação é considerada adequada quando o pH retorna ao normal (compensação completa) ou quando o componente secundário atinge os valores previstos pelas fórmulas de compensação esperada. Nesta questão, a pCO₂ elevada na vigência de alcalose metabólica indica que o sistema respiratório está tentando compensar, mas o pH ainda está elevado, caracterizando compensação parcial.
A pegadinha que a banca explora é a inversão do distúrbio primário e do mecanismo compensatório. O candidato pode confundir a pCO₂ elevada com acidose respiratória primária, mas o pH alcalêmico descarta essa hipótese — na acidose respiratória primária, o pH estaria baixo. Da mesma forma, o HCO₃⁻ elevado poderia ser interpretado como compensação de uma acidose respiratória, mas o pH elevado indica que o distúrbio primário é a alcalose metabólica. A chave é sempre correlacionar o pH com os componentes para determinar qual é o primário e qual é a compensação.
Guarde o critério decisivo: o pH define o distúrbio primário; o componente que se move na mesma direção do pH é o primário, e o que se move em direção oposta é a compensação. É exatamente essa lógica que separa as alternativas desta questão.
Gasometria: distúrbio primário
1pH define acidemia/alcalemia
pH 7,5 → alcalemia
2Componente na mesma direção do pH
HCO₃⁻ 35 → alcalose metabólica
3Componente oposto = compensação
pCO₂ 46 → retenção de CO₂
Parcial (pH não normalizou)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que há alcalose respiratória parcialmente compensada por acidose metabólica. O erro está na inversão dos componentes: a pCO₂ está elevada (46 mmHg), não diminuída como seria esperado na alcalose respiratória primária. Além disso, o HCO₃⁻ elevado (35 mmol/L) indica alcalose metabólica, não acidose. A alcalose respiratória primária cursaria com pCO₂ baixa e pH elevado, com compensação metabólica por diminuição do HCO₃⁻.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que há acidose metabólica não compensada. O erro é duplo: o pH está elevado (7,5), indicando alcalemia, não acidemia; e o HCO₃⁻ está aumentado (35 mmol/L), não diminuído como ocorreria na acidose metabólica. A acidose metabólica não compensada cursaria com pH baixo, HCO₃⁻ baixo e pCO₂ normal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que há acidose metabólica compensada por acidose respiratória. O erro está na identificação do distúrbio primário: o pH elevado (7,5) e o HCO₃⁻ aumentado (35 mmol/L) indicam alcalose metabólica, não acidose. Além disso, a pCO₂ elevada (46 mmHg) na vigência de alcalose metabólica representa compensação respiratória, não um segundo distúrbio acidótico. A acidose metabólica cursaria com pH baixo e HCO₃⁻ baixo.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque descreve exatamente o quadro: pH elevado (7,5) indica alcalemia; HCO₃⁻ elevado (35 mmol/L) aponta para alcalose metabólica como distúrbio primário; pCO₂ elevada (46 mmHg) representa a compensação respiratória, que é parcial porque o pH ainda não retornou à normalidade. A compensação respiratória da alcalose metabólica ocorre por hipoventilação, com retenção de CO₂, mas aqui o aumento é insuficiente para corrigir o pH.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que há alcalose mista. O erro está em considerar que tanto o componente metabólico quanto o respiratório são primários. Na alcalose mista, haveria alcalose metabólica (HCO₃⁻ elevado) associada a alcalose respiratória (pCO₂ baixa). Neste caso, a pCO₂ está elevada (46 mmHg), o que indica que o componente respiratório está na direção oposta (compensação), não na mesma direção do distúrbio primário.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter o distúrbio primário e o mecanismo compensatório. Nesta questão, a pCO₂ elevada pode levar o candidato a pensar em acidose respiratória, mas o pH alcalêmico (7,5) e o HCO₃⁻ elevado (35 mmol/L) apontam claramente para alcalose metabólica primária. Lembre-se: o pH manda — ele define o distúrbio primário, e o componente que se move na mesma direção do pH é o primário. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para interpretar gasometria, siga sempre a sequência: 1º pH (acidemia ou alcalemia); 2º HCO₃⁻ e pCO₂ (qual está alterado na mesma direção do pH?); 3º o outro componente é a compensação (parcial se o pH não normalizou, completa se normalizou). Monte uma tabela mental: