Questão de Medicina — Neurologia — Quadrix 2023
- Código
- qg031017
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- FSNH - RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Biomédico
- Aesclerodermia.
- Besclerose múltipla.
- Clúpus eritematoso sistêmico.
- Ddoença de Behçet.
- Edoença de Crohn.
GabaritoB — esclerose múltipla.
Gabarito: letra B. A esclerose múltipla (EM) é a doença neurológica desmielinizante autoimune crônica em que linfócitos T CD4+ das subpopulações TH1 e TH17 reagem contra autoantígenos da mielina, gerando inflamação com ativação de macrófagos ao redor dos nervos no cérebro e na medula espinhal, comprometendo a mielina. As demais alternativas (esclerodermia, lúpus, doença de Behçet e doença de Crohn) são doenças autoimunes, mas não se encaixam na descrição de desmielinização do sistema nervoso central.
A esclerose múltipla é o protótipo das doenças desmielinizantes do sistema nervoso central (SNC). O termo "desmielinizante" refere-se à perda da bainha de mielina — a camada lipídica que envolve os axônios e acelera a condução do impulso nervoso — em um processo adquirido, geralmente inflamatório. Na EM, a resposta autoimune é mediada por linfócitos T CD4+ que se diferenciam em dois perfis principais: TH1 e TH17. Essas células reconhecem autoantígenos da mielina (como a proteína básica da mielina e a glicoproteína da mielina de oligodendrócitos) e migram para o SNC, onde promovem a ativação de macrófagos. Os macrófagos ativados, por sua vez, fagocitam a mielina, causando as lesões características da doença — as placas desmielinizantes na substância branca periventricular, no nervo óptico, no cerebelo e na medula espinhal.
A patologia clássica da EM consiste em lesões desmielinizantes na substância branca do SNC, com preservação relativa dos axônios. Nas lesões ativas, observa-se infiltração perivascular de células mononucleares (monócitos/macrófagos e linfócitos), com ruptura da barreira hematencefálica, evidenciada pelo realce pelo gadolínio na ressonância magnética. Embora seja classicamente considerada uma "doença da substância branca", a substância cinzenta também é danificada. A doença acomete mais mulheres (razão de 2:1 a 4:1) e tem forte associação com o alelo HLA-DRB1*15:01, além de fatores ambientais como baixos níveis de vitamina D, tabagismo e infecção pelo vírus Epstein-Barr.
Para diferenciar a EM das demais doenças autoimunes listadas, é essencial entender o que cada uma compromete:
Doença | Mecanismo principal | Órgão-alvo | É desmielinizante do SNC? |
|---|---|---|---|
Esclerose múltipla | Autoimune (TH1/TH17) | Mielina do SNC | Sim |
Esclerodermia | Fibrose e vasculopatia | Pele, vasos, pulmão, trato gastrointestinal | Não |
Lúpus eritematoso sistêmico | Imunocomplexos e autoanticorpos | Multissistêmico (rins, pele, articulações, SNC) | Não (acomete o SNC por vasculite, não por desmielinização primária) |
Doença de Behçet | Vasculite | Vasos (uveíte, úlceras orais/genitais) | Não |
Doença de Crohn | Inflamação transmural | Trato gastrointestinal | Não |
A pegadinha da questão está em reconhecer que, embora o lúpus e a doença de Behçet possam ter manifestações neurológicas, a descrição do enunciado — "células T CD4+ das subpopulações TH1 e TH17 reagem contra autoantígenos de mielina" — é específica da esclerose múltipla. O lúpus, por exemplo, é caracterizado pela produção de autoanticorpos e deposição de imunocomplexos, não por ataque direto de linfócitos T à mielina. Já a doença de Behçet é uma vasculite, e a doença de Crohn acomete o trato gastrointestinal.
Guarde o critério decisivo: a combinação de "desmielinizante" + "SNC" + "autoimune crônica" aponta exclusivamente para a esclerose múltipla. É exatamente essa tríade que separa a alternativa correta das demais.
A esclerodermia (esclerose sistêmica) é uma doença autoimune do tecido conjuntivo caracterizada por fibrose cutânea e visceral, vasculopatia e produção de autoanticorpos (como anti-Scl-70 e anticentrômero). Não há ataque de linfócitos T à mielina do SNC; o comprometimento neurológico, quando ocorre, é secundário a outras complicações (como hipertensão pulmonar ou fenômeno de Raynaud). A descrição do enunciado não se aplica.
A esclerose múltipla é exatamente a doença descrita: desmielinizante, autoimune, crônica, mediada por células T CD4+ TH1 e TH17 contra autoantígenos de mielina, com ativação de macrófagos e comprometimento do cérebro e da medula espinhal. É o protótipo das doenças desmielinizantes do SNC.
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica caracterizada pela produção de autoanticorpos e deposição de imunocomplexos, que podem levar à inflamação de órgãos. Embora possa haver comprometimento neurológico (como vasculite cerebral ou síndrome antifosfolípide), o mecanismo não é a reação de células T CD4+ contra a mielina, e sim a deposição de imunocomplexos e autoanticorpos. A descrição do enunciado não corresponde ao LES.
A doença de Behçet é uma vasculite sistêmica caracterizada por úlceras orais e genitais recorrentes, uveíte e lesões cutâneas. O comprometimento neurológico (neuro-Behçet) ocorre por vasculite do SNC, não por desmielinização autoimune mediada por células T contra a mielina. Portanto, não se encaixa na descrição.
A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica, caracterizada por inflamação transmural do trato gastrointestinal, mediada por resposta imune anormal à microbiota intestinal. Embora seja uma doença autoimune/inflamatória, o órgão-alvo é o intestino, não a mielina do SNC. Não há desmielinização central.
A banca lista doenças autoimunes que podem ter manifestações neurológicas (lúpus, Behçet) para confundir o candidato. A chave é identificar o mecanismo: a descrição fala em "células T CD4+ TH1 e TH17 contra autoantígenos de mielina" — isso é patognomônico da esclerose múltipla. Lúpus e Behçet acometem o SNC por outros mecanismos (imunocomplexos e vasculite, respectivamente), não por desmielinização primária. Com treino, você reconhece essa diferença de longe 💪
Gabarito: letra B
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