Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Quadrix 2023
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg031125
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Anestesiologia
Assinale a alternativa que apresenta um determinante da pressão parcial alveolar dos agentes anestésicos inalatórios referente à transferência do agente inalatório do alvéolo para o sangue.
Adébito cardíaco
Bcapacidade residual funcional
Cpressão parcial inspirada
Dcaracterísticas do circuito anestésico
Eventilação alveolar
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GabaritoA — débito cardíaco
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Determinantes da pressão parcial alveolar dos anestésicos inalatórios
Gabarito: letra A. O débito cardíaco é o determinante da pressão parcial alveolar (PA) dos agentes anestésicos inalatórios que se refere à transferência do agente do alvéolo para o sangue: quanto maior o débito cardíaco, maior a captação do anestésico pelo sangue capilar pulmonar e, consequentemente, menor a velocidade de elevação da PA alveolar (e vice-versa). Os demais fatores — capacidade residual funcional, pressão parcial inspirada, características do circuito e ventilação alveolar — influenciam a PA por mecanismos distintos, ligados à oferta do agente ao alvéolo ou ao volume de diluição, e não à sua remoção pelo sangue.
A pressão parcial alveolar de um anestésico inalatório é o resultado do equilíbrio dinâmico entre dois processos opostos: a entrega do agente ao alvéolo (que tende a elevá-la) e a remoção do agente do alvéolo para o sangue (que tende a reduzi-la). A velocidade com que a PA alveolar se aproxima da pressão parcial inspirada depende de fatores que afetam cada um desses lados. Os fatores que aumentam a entrega — como a ventilação alveolar e a pressão parcial inspirada — aceleram a elevação da PA; os fatores que aumentam a remoção — como o débito cardíaco e a solubilidade do agente no sangue — retardam essa elevação, pois o sangue que chega aos capilares pulmonares "sequestra" o anestésico do alvéolo, mantendo a PA alveolar baixa por mais tempo.
O débito cardíaco atua especificamente na transferência do alvéolo para o sangue: o sangue venoso misto que chega aos capilares pulmonares capta o anestésico por difusão, seguindo o gradiente de pressão parcial. Quanto maior o fluxo sanguíneo pulmonar (débito cardíaco), maior a quantidade de anestésico removida do alvéolo por unidade de tempo. Isso é particularmente relevante para agentes de alta solubilidade sanguínea (como o halotano e o éter), cuja captação pelo sangue é intensa e prolongada. Em contrapartida, agentes pouco solúveis (como o sevoflurano e o desflurano) atingem o equilíbrio rapidamente, e o efeito do débito cardíaco é menos pronunciado, embora ainda exista.
Na prática anestésica, essa relação tem consequências clínicas diretas: em situações de baixo débito cardíaco (choque, hipovolemia, depressão miocárdica), a captação do anestésico pelo sangue diminui, a PA alveolar sobe mais rápido e a indução é acelerada — mas há maior risco de sobredose e depressão cardiovascular. Em situações de alto débito cardíaco (exercício, hiperdinamia, sepse inicial), a captação aumenta, a PA alveolar sobe mais devagar e a indução é mais lenta, exigindo maiores concentrações inspiradas para compensar. O anestesiologista deve, portanto, ajustar a administração do agente conforme o estado hemodinâmico do paciente.
A banca explora a distinção entre os três grupos de determinantes da PA alveolar: (1) os que afetam a entrega do agente ao alvéolo (pressão parcial inspirada, ventilação alveolar, características do circuito); (2) os que afetam a remoção do agente do alvéolo para o sangue (débito cardíaco, solubilidade sanguínea); e (3) os que afetam o volume de diluição no alvéolo (capacidade residual funcional). A questão pede especificamente o fator ligado à transferência alvéolo-sangue, que é o débito cardíaco. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Determinantes da PA alveolar
1Entrega do agente ao alvéolo
Pressão parcial inspirada
Ventilação alveolar
Características do circuito
2Remoção do alvéolo para o sangue
Débito cardíaco
Solubilidade sanguínea
3Volume de diluição no alvéolo
Capacidade residual funcional
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O débito cardíaco determina o fluxo sanguíneo pulmonar e, portanto, a velocidade de captação do anestésico inalatório do alvéolo para o sangue. Quanto maior o débito, maior a remoção do agente do alvéolo, retardando a elevação da PA alveolar; quanto menor, mais rápida a elevação da PA. Esse é o mecanismo clássico descrito na farmacocinética dos anestésicos inalatórios (modelo de captação pulmonar).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A capacidade residual funcional (CRF) é o volume de gás que permanece nos pulmões ao final de uma expiração normal. Ela atua como um tampão que dilui o anestésico inspirado, retardando a elevação da PA alveolar — mas esse efeito é sobre o volume de diluição no alvéolo, não sobre a transferência do agente para o sangue. Uma CRF aumentada (ex.: DPOC) retarda a indução; uma CRF reduzida (ex.: obesidade, decúbito dorsal) acelera a indução. Não é o fator ligado à captação sanguínea.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A pressão parcial inspirada (PI) é a pressão do anestésico no gás inspirado, determinada pela concentração fornecida pelo vaporizador e pela fração inspirada (FI). Ela é o motor da entrega do agente ao alvéolo: quanto maior a PI, maior o gradiente de difusão do circuito para o alvéolo e mais rápida a elevação da PA alveolar. Não se relaciona com a transferência alvéolo-sangue.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As características do circuito anestésico (fluxo de gases frescos, volume do circuito, absorção de CO2, presença de vaporizador) influenciam a entrega do agente ao paciente, afetando a concentração inspirada e, indiretamente, a PA alveolar. Não é um determinante direto da transferência do alvéolo para o sangue.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ventilação alveolar (VA) é o volume de gás fresco que chega aos alvéolos por minuto. Ela é o principal fator de entrega do anestésico ao alvéolo: quanto maior a VA, mais rápido o anestésico é levado ao alvéolo e mais rápida a elevação da PA alveolar. Não está ligada à remoção do agente pelo sangue.