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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Quadrix 2023

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg031126
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Anestesiologia
Um paciente crítico com boa fração de ejeção ventricular esquerda e direita ao ecocardiograma transtorácico oriundo da unidade de terapia intensiva, em choque séptico devido a uma peritonite por deiscência de sutura da anastomose biliodigestiva realizada há três dias, necessita de uma laparotomia exploratória. No intraoperatório, apesar de reposição volêmica com cristaloides, guiada por metas e utilização de vasopressor (noradrenalina na atual dosagem superior a 0,5 μg/kg/min), a pressão arterial média (PAM) continua menor que 65 mmHg.Com base nessa situação hipotética, de acordo com as últimas recomendações da Campanha de Sobrevivência à Sepse: Diretrizes Internacionais para o Manejo da Sepse e Choque Séptico 2021, o vasopressor sugerido a ser utilizado nessa situação é
  1. Aepinefrina.
  2. Bdobutamina.
  3. Cvasopressina.
  4. Ddopamine.
  5. Emirinone.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — vasopressina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Choque Séptico Refratário: Adição de Vasopressina à Noradrenalina

Gabarito: letra C. No choque séptico refratário, quando a PAM permanece < 65 mmHg apesar de ressuscitação volêmica adequada e uso de noradrenalina em dose crescente (≥ 0,25–0,5 μg/kg/min), a Campanha de Sobrevivência à Sepse 2021 recomenda a adição de vasopressina (até 0,04 U/min) à noradrenalina, em vez de simplesmente escalonar a dose do vasopressor inicial. Essa recomendação visa reduzir a carga adrenérgica e é a conduta padrão nesse cenário.

O choque séptico é uma forma de choque distributivo caracterizada por hipotensão persistente (PAM < 65 mmHg) e hipoperfusão tecidual, apesar da reposição volêmica adequada. O tratamento hemodinâmico inicial baseia-se na ressuscitação volêmica com cristaloides (30 mL/kg nas primeiras 3 horas) e, quando a hipotensão persiste, no uso de vasopressores. A noradrenalina é o vasopressor de primeira linha por ser o mais seguro e eficaz nessa população. Porém, quando o paciente permanece hipotenso apesar de doses crescentes de noradrenalina — classicamente na faixa de 0,25–0,5 μg/kg/min —, a recomendação das diretrizes atuais é adicionar um segundo agente vasopressor, sendo a vasopressina a droga de escolha.

A vasopressina atua por mecanismo distinto da noradrenalina: enquanto esta é um agonista adrenérgico (α e β), a vasopressina é um hormônio que causa vasoconstrição por receptores V1, sem efeito beta-adrenérgico. Essa diferença é clinicamente relevante, pois permite reduzir a dose de noradrenalina e, consequentemente, os efeitos adversos da estimulação adrenérgica excessiva (taquicardia, arritmias, aumento do consumo miocárdico de oxigênio). A dose recomendada de vasopressina é fixa, de até 0,04 U/min, e não deve ser titulada como os demais vasopressores.

Na prática, o cenário descrito na questão é típico: paciente em choque séptico, já com reposição volêmica guiada por metas, em uso de noradrenalina > 0,5 μg/kg/min, e ainda com PAM < 65 mmHg. Nesse ponto, a conduta recomendada é adicionar vasopressina (alternativa C). As demais opções não são a primeira escolha nesse contexto: epinefrina (A) é um vasopressor de segunda linha que pode ser considerado, mas não é o agente preferencial para adição; dobutamina (B) e milrinona (E) são inotrópicos, indicados apenas quando há disfunção miocárdica ou baixo débito cardíaco, o que não é o caso (o paciente tem boa fração de ejeção biventricular); dopamina (D) é alternativa à noradrenalina em situações específicas (bradicardia), mas não é o agente recomendado para adição no choque refratário.

A distinção crucial que separa as alternativas é: vasopressor adicional (vasopressina) versus inotrópico (dobutamina/milrinona). O paciente tem boa função ventricular, então não há indicação de inotrópico. A hipotensão refratária é um problema de tônus vascular, não de contratilidade. Portanto, a adição de um segundo vasopressor — a vasopressina — é a conduta correta.

Critério

Vasopressina (gabarito)

Epinefrina

Dobutamina

Dopamina

Milrinona

Classe farmacológica

Vasopressor (hormônio, agonista V1)

Vasopressor/inotrópico (agonista adrenérgico α e β)

Inotrópico (agonista β1)

Vasopressor/inotrópico (agonista dopaminérgico e adrenérgico)

Inotrópico (inibidor da fosfodiesterase III)

Indicação no choque séptico refratário

Adição à noradrenalina quando PAM < 65 mmHg apesar de dose ≥ 0,25–0,5 μg/kg/min (recomendação 2021)

Segunda linha, mas não preferencial para adição (risco de taquicardia/arritmias)

Apenas se houver disfunção miocárdica/baixo débito

Alternativa à noradrenalina em casos específicos (ex.: bradicardia), não para adição

Apenas se houver disfunção miocárdica; vasodilatador, pode piorar hipotensão

Efeito na contratilidade

Sem efeito inotrópico direto

Inotrópico positivo

Inotrópico positivo

Inotrópico positivo (dose-dependente)

Inotrópico positivo

Efeito no tônus vascular

Vasoconstrição potente (receptores V1)

Vasoconstrição + vasodilatação (β2)

Vasodilatação (predomínio β2)

Vasoconstrição (dose alta)

Vasodilatação

Dose recomendada

Fixa, até 0,04 U/min

Titulável

Titulável

Titulável

Titulável

Adequação ao caso (boa FEVE/FEVD)

✅ Indicado (vasoplegia)

❌ Não preferencial

❌ Contraindicado (sem disfunção miocárdica)

❌ Não indicado para adição

❌ Contraindicado (vasodilatador)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A epinefrina é um vasopressor de segunda linha que pode ser usado no choque séptico refratário, mas não é o agente preferencial para adição à noradrenalina. As diretrizes atuais recomendam a vasopressina como o segundo agente de escolha, pois a epinefrina tem efeitos beta-adrenérgicos que aumentam o risco de taquicardia, arritmias e hiperlactatemia, sem benefício claro de mortalidade. A epinefrina pode ser considerada em casos específicos, mas não é a resposta para a situação descrita.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A dobutamina é um inotrópico, não um vasopressor. Sua indicação no choque séptico é restrita a pacientes com disfunção miocárdica (evidenciada por ecocardiograma, baixo débito cardíaco ou sinais de hipoperfusão persistente apesar da otimização volêmica e vasopressora). No caso, o paciente tem boa fração de ejeção biventricular, o que contraindica o uso de inotrópico. A hipotensão refratária é por vasoplegia, não por falência de bomba.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A vasopressina é o vasopressor de segunda linha recomendado pela Campanha de Sobrevivência à Sepse 2021 para adição à noradrenalina quando a PAM permanece < 65 mmHg apesar de doses crescentes de noradrenalina (na faixa de 0,25–0,5 μg/kg/min). A dose é fixa, de até 0,04 U/min, e o objetivo é reduzir a carga adrenérgica. Essa é a conduta padrão no choque séptico refratário, exatamente o cenário do paciente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A dopamina é um vasopressor que pode ser usado como alternativa à noradrenalina em situações específicas, como bradicardia significativa, mas não é o agente recomendado para adição quando a noradrenalina já está em dose elevada. Além disso, a dopamina tem maior risco de taquiarritmias em comparação à noradrenalina, o que a torna menos atraente no choque séptico. As diretrizes atuais preferem a vasopressina como segundo agente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A milrinona é um inotrópico (inibidor da fosfodiesterase III), com efeito vasodilatador, indicado em casos de disfunção miocárdica ou hipertensão pulmonar. No choque séptico, seu uso é restrito a pacientes com baixo débito cardíaco, o que não se aplica ao caso (boa fração de ejeção). Além disso, por ser vasodilatadora, pode piorar a hipotensão, sendo contraindicada no choque refratário sem suporte inotrópico claro.

Gabarito: letra C

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