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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Quadrix 2023

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg031127
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Anestesiologia
Na realização de bloqueios regionais, sempre há o risco de absorção sistêmica do anestésico local. Com base nessa informação, assinale o local com maior risco de absorção sistêmica.
  1. Aplexo braquial
  2. Bbloqueio do nervo isquiático distal
  3. Cbloqueio peridural
  4. Dbloqueio caudal
  5. Ebloqueio intercostal
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GabaritoE — bloqueio intercostal

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Absorção sistêmica de anestésicos locais: o papel do local de injeção

Gabarito: letra E. O bloqueio intercostal é o local com maior risco de absorção sistêmica do anestésico local, pois a região intercostal é altamente vascularizada e o anestésico é injetado próximo a grandes vasos, o que favorece a rápida captação para a circulação sistêmica. Essa é uma relação clássica em farmacologia de anestésicos locais, confirmada pela necessidade de doses menores para atingir concentrações plasmáticas tóxicas nesse sítio.

A absorção sistêmica de um anestésico local depende de vários fatores, sendo o local de injeção um dos mais importantes. A vascularização do tecido é o principal determinante: quanto maior o fluxo sanguíneo local, mais rápida e extensa será a absorção do fármaco para a corrente sanguínea. Por isso, regiões como o espaço intercostal, que é ricamente vascularizado, apresentam risco elevado de toxicidade sistêmica. Em contrapartida, áreas com menor vascularização, como o tecido subcutâneo, têm absorção mais lenta.

A literatura clássica de anestesiologia estabelece uma hierarquia de risco de absorção sistêmica, que pode ser ordenada da seguinte forma (do maior para o menor risco): bloqueio intercostal > bloqueio caudal > bloqueio peridural > bloqueio de plexo braquial > bloqueio do nervo isquiático distal > administração subcutânea. Essa ordem reflete a densidade vascular de cada sítio de injeção. O bloqueio intercostal, por exemplo, requer apenas 300 mg de lidocaína para atingir a concentração plasmática tóxica de 5 µg/mL, enquanto o bloqueio epidural necessita de 500 mg, o plexo braquial de 600 mg e a administração subcutânea de 1 g. Esses números ilustram de forma concreta a diferença de risco entre os locais.

Na prática clínica, essa informação é crucial para a profilaxia da toxicidade sistêmica. O anestesiologista deve ajustar a dose do anestésico local conforme o sítio de injeção, além de utilizar técnicas que minimizem a absorção, como a aspiração prévia para evitar injeção intravascular e o uso de vasoconstritores (como epinefrina), que reduzem o fluxo sanguíneo local e retardam a absorção. A monitorização do paciente durante o procedimento também é essencial para detectar precocemente sinais de toxicidade, que podem variar desde sintomas leves, como dormência perioral e tinitus, até convulsões e colapso cardiovascular.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que o risco de absorção não é uniforme entre os bloqueios. Muitos candidatos podem pensar que bloqueios mais extensos, como o plexo braquial, teriam maior risco, mas a vascularização local é o fator decisivo. O espaço intercostal, por ser altamente vascularizado, supera até mesmo o bloqueio peridural e o caudal em termos de velocidade de absorção. Portanto, a alternativa correta é a que aponta o bloqueio intercostal como o de maior risco.

  1. 1Intercostal (300 mg)
  2. 2Caudal
  3. 3Peridural (500 mg)
  4. 4Plexo braquial (600 mg)
  5. 5Isquiático distal
  6. 6Subcutâneo (1 g)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O bloqueio do plexo braquial apresenta risco intermediário de absorção sistêmica. Embora seja um bloqueio de grande volume, a vascularização da região axilar é menor que a do espaço intercostal. Para atingir a concentração plasmática tóxica de lidocaína, são necessários 600 mg nesse sítio, valor maior que os 300 mg do bloqueio intercostal, o que demonstra menor risco relativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O bloqueio do nervo isquiático distal é realizado em uma região de menor vascularização, o que reduz o risco de absorção sistêmica. É um bloqueio periférico com menor superfície de absorção e, portanto, não é o local de maior risco.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O bloqueio peridural (epidural) tem risco significativo, mas menor que o intercostal. A absorção ocorre através do espaço epidural, que é vascularizado, porém em menor grau que o espaço intercostal. São necessários 500 mg de lidocaína para atingir a concentração tóxica, valor superior aos 300 mg do intercostal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O bloqueio caudal, embora seja uma via de administração com absorção relativamente rápida, não supera o bloqueio intercostal. A vascularização da região sacral é menor que a do espaço intercostal, e o risco de toxicidade sistêmica é inferior.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O bloqueio intercostal é o local com maior risco de absorção sistêmica devido à alta vascularização do espaço intercostal. A injeção próxima aos vasos intercostais favorece a rápida captação do anestésico para a circulação sistêmica. Isso é evidenciado pela necessidade de apenas 300 mg de lidocaína para atingir a concentração plasmática tóxica, a menor dose entre os bloqueios listados, indicando o maior potencial de toxicidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre volume de anestésico e vascularização do sítio. O candidato pode pensar que bloqueios de maior volume, como o plexo braquial, teriam maior risco, mas o que importa é a densidade vascular. O espaço intercostal, apesar de ser um bloqueio de menor volume, tem absorção mais rápida e, portanto, maior risco de toxicidade sistêmica.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar a ordem de risco de absorção, lembre-se da sequência: intercostal > caudal > epidural > plexo braquial > isquiático distal > subcutâneo. Associe o intercostal à alta vascularização e ao menor valor de dose tóxica (300 mg de lidocaína). Essa hierarquia é frequentemente cobrada em provas de anestesiologia.

Gabarito: letra E

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