Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg031129
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardio Pediátrico
A análise do eletrocardiograma na pediatria deve levar em consideração que algumas características dependem da idade da criança. A respeito dessas características, assinale a alternativa correta.
ADurante o desenvolvimento normal da criança, acontece um aumento gradual e progressivo da frequência cardíaca.
BAo nascimento e nas primeiras semanas de vida da criança, observa‑se a predominância da onda R com pequena onda S na derivação V1. Já na derivação V6, observa‑se predominância da onda S com pequena onda R.
CO eixo do complexo QRS no plano frontal se modifica, progressivamente, da esquerda para a direita, à medida em que a criança cresce.
DNos primeiros minutos após o nascimento, observa‑se onda T negativa nas derivações V1 e V6. Em seguida, nos primeiros dias de vida, o vetor da onda T move‑se para trás e para a esquerda, produzindo onda T positiva na derivação V1 e negativa na derivação V6. Por volta de 7 a 8 anos de idade, a onda T torna‑se novamente negativa em V1.
ENo período neonatal, a duração da onda P, do intervalo PR e do complexo QRS, é maior que na adolescência.
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GabaritoB — Ao nascimento e nas primeiras semanas de vida da criança, observa‑se a predominância da onda R com pequena onda S na derivação V1. Já na derivação V6, observa‑se predominância da onda S com pequena onda R.
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Eletrocardiograma na Pediatria: Variações Fisiológicas com a Idade
Gabarito: letra B. A alternativa correta descreve a predominância da onda R com pequena onda S em V1 e da onda S com pequena onda R em V6 ao nascimento e nas primeiras semanas de vida, refletindo a dominância ventricular direita fisiológica do recém-nascido. Essa é uma característica esperada do ECG neonatal, que se modifica progressivamente com o crescimento.
O eletrocardiograma (ECG) é um exame que registra a atividade elétrica do coração, e sua interpretação na pediatria exige conhecimento das particularidades de cada faixa etária. Diferentemente do adulto, o ECG da criança sofre modificações importantes relacionadas ao desenvolvimento cardíaco, especialmente no que diz respeito à dominância ventricular e ao eixo elétrico. No feto, o ventrículo direito (VD) é mais espesso que o esquerdo (VE), condição que se mantém ao nascimento. Essa dominância ventricular direita explica o padrão observado nas derivações precordiais: em V1, que "enxerga" o ventrículo direito, há predomínio da onda R; em V6, que "enxerga" o ventrículo esquerdo, há predomínio da onda S. Com o crescimento, o VE torna-se progressivamente mais espesso, e o padrão se inverte, com onda R crescendo em V6 e onda S em V1.
A frequência cardíaca (FC) também segue uma trajetória própria. No recém-nascido, a FC é elevada, em torno de 120 a 160 batimentos por minuto (bpm), e diminui gradualmente com a idade, chegando a valores próximos de 60 a 100 bpm na adolescência. Essa redução da FC está relacionada ao aumento do tônus vagal e à maturação do sistema nervoso autônomo. Portanto, a afirmação de que há aumento progressivo da FC durante o desenvolvimento é incorreta; o que ocorre é o oposto.
O eixo elétrico do QRS no plano frontal também se modifica com a idade. No recém-nascido, o eixo é desviado para a direita (entre +90° e +180°), refletindo a dominância ventricular direita. Com o crescimento, o eixo migra gradualmente para a esquerda, atingindo valores entre 0° e +90° na adolescência e na vida adulta. Essa mudança acompanha a inversão da dominância ventricular.
A onda T também apresenta variações etárias. Nos primeiros minutos de vida, a onda T é positiva em V1 e V6. Nas primeiras 24 a 48 horas, ela se torna negativa em V1, permanecendo positiva em V6. Essa negatividade da onda T em V1 pode persistir até a adolescência, sendo considerada um achado normal em crianças. A descrição da alternativa D, que menciona onda T negativa em V1 e V6 nos primeiros minutos e posterior inversão, não corresponde ao padrão fisiológico descrito na literatura.
As durações dos intervalos eletrocardiográficos também variam com a idade. No recém-nascido, a duração da onda P, do intervalo PR e do complexo QRS é menor do que na adolescência, devido ao menor tamanho do coração e à maior velocidade de condução relativa. Com o crescimento, essas durações aumentam progressivamente, acompanhando o aumento das dimensões cardíacas.
A compreensão dessas variações é essencial para a interpretação correta do ECG pediátrico e para a identificação de alterações patológicas. A banca explora justamente a inversão desses padrões fisiológicos, testando o conhecimento do candidato sobre a evolução normal do ECG na infância.
ECG pediátrico: variações com a idade
1Frequência cardíaca
RN: 120–160 bpm
Diminui com a idade
2Eixo do QRS
RN: desviado à direita (+90° a +180°)
Migra para a esquerda (0° a +90°)
3Onda T
Primeiros minutos: positiva em V1 e V6
24–48h: negativa em V1, positiva em V6
Negatividade em V1 pode persistir até a adolescência
4Durações (onda P, PR, QRS)
RN: menores
Aumentam com o crescimento
5Dominância ventricular (padrão precordial)
RN: VD mais espesso
V1: onda R predominante
V6: onda S predominante
Com o crescimento: VE mais espesso
V1: onda S cresce
V6: onda R cresce
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que há aumento gradual e progressivo da frequência cardíaca durante o desenvolvimento. Na realidade, a FC é mais alta no recém-nascido (120–160 bpm) e diminui progressivamente com a idade, atingindo valores de 60–100 bpm na adolescência. A banca inverte o sentido da variação fisiológica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente o padrão de dominância ventricular direita do recém-nascido: em V1, predomínio da onda R com pequena onda S; em V6, predomínio da onda S com pequena onda R. Esse padrão reflete a maior espessura do ventrículo direito ao nascimento, que se inverte com o crescimento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o eixo do QRS se modifica da esquerda para a direita com o crescimento. O correto é o oposto: no recém-nascido, o eixo é desviado para a direita (+90° a +180°) e migra progressivamente para a esquerda (0° a +90°) com a idade, acompanhando a inversão da dominância ventricular.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Descreve um padrão de onda T que não corresponde ao fisiológico. Nos primeiros minutos de vida, a onda T é positiva em V1 e V6. Nas primeiras 24–48 horas, torna-se negativa em V1, permanecendo positiva em V6. Essa negatividade em V1 pode persistir até a adolescência. A alternativa inverte a sequência e os valores.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que no período neonatal a duração da onda P, do intervalo PR e do complexo QRS é maior que na adolescência. O correto é o contrário: no recém-nascido, essas durações são menores, aumentando progressivamente com o crescimento, devido ao aumento das dimensões cardíacas.