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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Quadrix 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg031131
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardio Pediátrico
As taquiarritmias podem ser classificadas, entre outras formas, pelo mecanismo de iniciação e de propagação do impulso elétrico pelo coração. A respeito das taquiarritmias cardíacas, assinale a alternativa correta.
  1. AA atividade deflagrada é o mecanismo que causa tipicamente flutter atrial.
  2. BA reentrada é o mecanismo mais comum de taquiarritmia. As arritmias na síndrome do QT longo são exemplos desse mecanismo de taquiarritmia.
  3. CAs taquiarritmias causadas por automaticidade anormal das células apresentam comportamento semelhante ao ritmo sinusal, com acelerações e desacelerações conforme as alterações metabólicas e simpáticas do organismo. A taquicardia ectópica juncional é um exemplo desse tipo de taquiarritmia.
  4. DAs taquiarritmias por automaticidade anormal das células acontecem por uma causa metabólica, como distúrbios eletrolíticos, tireotoxicose e hipóxia. Não podem acontecer de forma espontânea.
  5. EAs taquiarritmias por reentrada geralmente têm início e desaparecimento lentos e progressivos, podendo apresentar frequências acima de 300 batimentos por minuto. A fibrilação ventricular é um exemplo desse tipo de taquiarritmia.
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GabaritoC — As taquiarritmias causadas por automaticidade anormal das células apresentam comportamento semelhante ao ritmo sinusal, com acelerações e desacelerações conforme as alterações metabólicas e simpáticas do organismo. A taquicardia ectópica juncional é um exemplo desse tipo de taquiarritmia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mecanismos eletrofisiológicos das taquiarritmias

Gabarito: letra C. A alternativa C está correta porque descreve com precisão o comportamento das taquiarritmias por automaticidade anormal: elas respondem a estímulos metabólicos e simpáticos, com aceleração e desaceleração graduais, e a taquicardia ectópica juncional é um exemplo clássico desse mecanismo. As demais alternativas erram ao associar mecanismos e exemplos de forma incorreta, como veremos a seguir.

As taquiarritmias são classificadas, quanto ao mecanismo eletrofisiológico, em três grandes grupos: automaticidade anormal, atividade deflagrada e reentrada. Cada um tem características próprias de início, término, resposta a estímulos e exemplos típicos. Compreender essas diferenças é essencial para o diagnóstico e tratamento.

Automaticidade anormal ocorre quando células que normalmente não são marcapasso (ou que são, mas com frequência inadequada) passam a despolarizar espontaneamente, assumindo o comando do ritmo. Essas arritmias são influenciadas por fatores como estimulação simpática, distúrbios eletrolíticos e isquemia. Elas tendem a acelerar e desacelerar gradualmente, acompanhando as variações do tônus autonômico e metabólico, e não são precipitadas por extrassístoles. Exemplos: taquicardia atrial focal e taquicardia juncional.

Atividade deflagrada é causada por pós-despolarizações (precoces ou tardias) que atingem o limiar e disparam novos potenciais de ação. Está associada a condições como síndrome do QT longo (pós-despolarizações precoces), intoxicação digitálica e sobrecarga de cálcio (pós-despolarizações tardias).

Reentrada é o mecanismo mais comum de taquiarritmias clínicas. Exige duas vias de condução com propriedades diferentes (uma com condução lenta e outra com bloqueio unidirecional), permitindo que o impulso circule repetidamente. As arritmias por reentrada iniciam e terminam abruptamente, com frequência regular e fixa. Exemplos: flutter atrial, taquicardia por reentrada nodal e taquicardia por reentrada atrioventricular (síndrome de Wolff-Parkinson-White).

A tabela abaixo resume as principais diferenças:

Característica

Automaticidade anormal

Atividade deflagrada

Reentrada

Início/término

Gradual

Variável

Abrupto

Frequência

Varia com estímulos

Variável

Fixa e regular

Precipitação

Não por extrassístoles

Pós-despolarizações

Por extrassístoles

Exemplos

Taquicardia atrial focal, taquicardia juncional

Torsades de pointes (QT longo), TVPC

Flutter atrial, TRNAV, WPW

A pegadinha da questão está em inverter os exemplos e as características entre os mecanismos. A banca troca, por exemplo, o flutter atrial (que é reentrada) pela atividade deflagrada, e a síndrome do QT longo (que é atividade deflagrada) pela reentrada. Vamos analisar cada alternativa.

1Automaticidade anormal
Início/término gradual
Varia com estímulos simpáticos
Ex.: taquicardia juncional
2Atividade deflagrada
Pós-despolarizações
Ex.: QT longo, torsades
3Reentrada
Início/término abrupto
Frequência fixa
Ex.: flutter atrial, WPW
Mecanismos de taquiarritmias
LEVELsoulevel.com.br
Mecanismos de taquiarritmias: Automaticidade anormal (Início/término gradual, Varia com estímulos simpáticos, Ex.: taquicardia juncional); Atividade deflagrada (Pós-despolarizações, Ex.: QT longo, torsades); Reentrada (Início/término abrupto, Frequência fixa, Ex.: flutter atrial, WPW)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A atividade deflagrada não é o mecanismo típico do flutter atrial. O flutter atrial é causado por uma macroreentrada no átrio direito, como descrito no material de apoio: "Flutter atrial... sendo causado por uma única macro reentrada no átrio direito". A atividade deflagrada, por sua vez, está associada a pós-despolarizações, como na síndrome do QT longo e na intoxicação digitálica. Portanto, a alternativa erra ao atribuir o flutter atrial à atividade deflagrada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A primeira parte está correta: a reentrada é o mecanismo mais comum de taquiarritmia. Porém, a segunda parte erra ao afirmar que as arritmias na síndrome do QT longo são exemplos de reentrada. Na verdade, a síndrome do QT longo está associada à atividade deflagrada, especificamente a pós-despolarizações precoces que podem gerar torsades de pointes. O material de apoio confirma: "Pacientes com síndrome congênita do QT longo (SQTL) são propensos a desenvolver PDP, resultando em torsades de pointes (TdP)". Portanto, a alternativa mistura mecanismos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa C descreve corretamente a automaticidade anormal: "As taquiarritmias causadas por automaticidade anormal das células apresentam comportamento semelhante ao ritmo sinusal, com acelerações e desacelerações conforme as alterações metabólicas e simpáticas do organismo." Isso está de acordo com o material de apoio, que afirma que essas arritmias "tendem a acelerar até a frequência cardíaca máxima e não são precipitadas por contrações prematuras. Podem variar a cada batimento e tendem a desacelerar gradualmente." E o exemplo citado, taquicardia ectópica juncional, é de fato um exemplo de automaticidade anormal, como mencionado: "Exemplos de arritmias causadas por aumento de automatismo: taquicardia atrial focal e taquicardia juncional."

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que as taquiarritmias por automaticidade anormal "não podem acontecer de forma espontânea". Isso é falso. Embora causas metabólicas (distúrbios eletrolíticos, tireotoxicose, hipóxia) possam desencadear, a automaticidade anormal também pode ocorrer espontaneamente, como em focos ectópicos que assumem o ritmo sem um gatilho externo. O material de apoio não restringe a ocorrência a causas metabólicas; pelo contrário, menciona que "alterações estruturais do tecido miocárdico, autonômicas, distúrbios hidroeletrolíticos e medicamentos podem facilitar esse mecanismo", mas não exclui a possibilidade de ocorrência espontânea.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E erra ao afirmar que as taquiarritmias por reentrada "têm início e desaparecimento lentos e progressivos". Na verdade, as arritmias por reentrada iniciam e cessam abruptamente, como descrito no material: "Nesse mecanismo as arritmias se iniciam e cessam abruptamente, sem desaceleração gradual." Além disso, a fibrilação ventricular não é um exemplo típico de reentrada; ela é uma arritmia caótica, frequentemente associada a múltiplos circuitos de reentrada, mas não é o exemplo clássico citado. O exemplo clássico de reentrada é o flutter atrial, a taquicardia por reentrada nodal e a taquicardia por reentrada atrioventricular.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter as características e os exemplos entre os mecanismos. Aqui, ela trocou o flutter atrial (reentrada) pela atividade deflagrada, a síndrome do QT longo (atividade deflagrada) pela reentrada, e inverteu o início/término das arritmias por reentrada (que é abrupto, não gradual). Fique atento a essas trocas — com treino, você as identifica de longe.

PEGA ESSA DICA!

Para acertar questões sobre mecanismos de taquiarritmias, memorize a tríade: automaticidade anormal = início/término gradual, influência autonômica, exemplos: taquicardia atrial focal e juncional; atividade deflagrada = pós-despolarizações, QT longo, torsades; reentrada = início/término abrupto, frequência fixa, exemplos: flutter atrial, TRNAV, WPW. Monte uma tabela comparativa e revise antes da prova.

Gabarito: letra C

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