Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg031134
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardio Pediátrico
O canal arterial é uma estrutura vascular fetal normal, importante para a circulação sanguínea do feto. Na maioria dos casos, o canal arterial se contrai nas primeiras horas após o nascimento, levando ao fechamento funcional e anatômico. No entanto, em alguns casos, o vaso pode se fechar apenas parcialmente ou não se fechar, patologia esta conhecida como Persistência do Canal Arterial (PCA). A respeito da PCA, assinale a alternativa correta.
AQuando não associado a outras malformações cardíacas, é um dos defeitos cardíacos congênitos de menor incidência.
BA patência do canal arterial após o nascimento é influenciada por uma série de fatores, incluindo prostaglandinas, que agem contraindo o músculo liso do canal, resultando em vasoconstrição e fechamento do vaso.
CAs prostaglandinas são sintetizadas a partir do ácido araquidônico pela enzima ciclo‑oxigenase (COX). Após o nascimento, o estímulo à síntese de prostaglandina E2 com o uso de inibidores da COX, como anti‑inflamatórios não esteroides, indometacina ou ibuprofeno, facilita o fechamento do canal arterial.
DA classificação morfológica da PCA leva em consideração a existência de cinco tipos de canal arterial, com base na localização do diâmetro mais estreito do vaso. No tipo A, o canal arterial tem forma de “funil” ou “cone”, com extremidade aórtica ampla e menor diâmetro na extremidade pulmonar.
ENa PCA, ocorre shunt da esquerda para a direita pelo canal arterial, causando sobrecarga de volume nas cavidades cardíacas direitas. Essa sobrecarga leva a sintomas de insuficiência cardíaca congestiva, como taquipneia, dispneia e taquicardia.
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GabaritoD — A classificação morfológica da PCA leva em consideração a existência de cinco tipos de canal arterial, com base na localização do diâmetro mais estreito do vaso. No tipo A, o canal arterial tem forma de “funil” ou “cone”, com extremidade aórtica ampla e menor diâmetro na extremidade pulmonar.
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Persistência do Canal Arterial (PCA)
Gabarito: letra D. A alternativa correta descreve com precisão a classificação morfológica da PCA, que considera cinco tipos de canal arterial com base na localização do diâmetro mais estreito, sendo o tipo A caracterizado pela forma de "funil" ou "cone", com extremidade aórtica ampla e menor diâmetro na extremidade pulmonar. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre incidência, fisiopatologia do fechamento, papel das prostaglandinas e hemodinâmica do shunt.
A Persistência do Canal Arterial (PCA) é uma cardiopatia congênita em que o canal arterial, estrutura fetal que conecta a artéria pulmonar à aorta, não se fecha após o nascimento. Durante a vida fetal, esse canal é essencial para desviar o sangue da circulação pulmonar (que não está em uso) para a circulação sistêmica. Após o nascimento, com a expansão pulmonar e o aumento da oxigenação, o canal normalmente se contrai e oblitera nas primeiras 24 horas de vida. Quando isso não ocorre, estabelece-se a PCA.
A fisiopatologia do fechamento do canal arterial é complexa e envolve a queda da resistência vascular pulmonar, o aumento da pressão parcial de oxigênio e a diminuição das prostaglandinas circulantes. As prostaglandinas, especialmente a PGE2, são potentes vasodilatadores que mantêm o canal aberto durante a vida fetal. Após o nascimento, a queda nos níveis de prostaglandinas e o aumento da oxigenação sanguínea promovem a vasoconstrição e o fechamento do canal. Por isso, os inibidores da COX (como indometacina e ibuprofeno) são utilizados para tratar a PCA no recém-nascido, pois bloqueiam a síntese de prostaglandinas e facilitam o fechamento do vaso.
A classificação morfológica da PCA, proposta por Krichenko, é fundamental para o planejamento terapêutico, especialmente para a oclusão percutânea. Essa classificação divide o canal arterial em cinco tipos (A, B, C, D e E) com base na localização do diâmetro mais estreito e na morfologia do vaso. O tipo A, o mais comum, apresenta forma de funil ou cone, com a extremidade aórtica ampla e o menor diâmetro na extremidade pulmonar. Essa descrição é exatamente a que a alternativa D apresenta.
A hemodinâmica da PCA é caracterizada por um shunt da esquerda para a direita, ou seja, sangue da aorta (alta pressão) flui para a artéria pulmonar (baixa pressão). Isso causa sobrecarga de volume nas cavidades esquerdas (átrio e ventrículo esquerdos), e não nas direitas, como afirma a alternativa E. A sobrecarga ventricular esquerda pode levar a sintomas de insuficiência cardíaca congestiva, como taquipneia, dispneia e taquicardia, mas o mecanismo é o hiperfluxo pulmonar e a sobrecarga das câmaras esquerdas.
A incidência da PCA varia conforme a população estudada, mas é uma das cardiopatias congênitas mais comuns, especialmente em prematuros. Não é um defeito de menor incidência, como afirma a alternativa A. A alternativa B inverte o papel das prostaglandinas, que na verdade mantêm o canal aberto (vasodilatação), e não o contraem. A alternativa C apresenta um erro sutil: os inibidores da COX reduzem a síntese de prostaglandinas, o que facilita o fechamento do canal, mas a afirmação de que "o estímulo à síntese de prostaglandina E2 com o uso de inibidores da COX" é contraditória e incorreta.
Guarde a fronteira entre os conceitos de fisiopatologia, classificação morfológica e hemodinâmica da PCA: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
PCA (Persistência do Canal Arterial)
1Fisiopatologia
Prostaglandinas (PGE2)
Mantêm o canal aberto (vasodilatação)
Inibidores da COX (indometacina, ibuprofeno)
Reduzem prostaglandinas → fecham o canal
2Hemodinâmica
Shunt esquerda → direita
Sobrecarga de volume
Cavidades esquerdas (AE e VE)
ICC: taquipneia, dispneia, taquicardia
3Classificação morfológica (Krichenko)
5 tipos (A, B, C, D, E)
Tipo A (mais comum)
Forma de funil/cone
Aorta ampla → menor diâmetro na pulmonar
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a PCA, quando isolada, é um dos defeitos cardíacos congênitos de menor incidência. Isso é falso: a PCA é uma das cardiopatias congênitas mais frequentes, correspondendo a cerca de 5-10% de todos os defeitos cardíacos congênitos, com maior prevalência em prematuros e no sexo feminino. A banca tenta confundir o candidato com a palavra "menor", quando na verdade a PCA é uma das mais comuns.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Inverte o papel das prostaglandinas. A alternativa afirma que as prostaglandinas "agem contraindo o músculo liso do canal, resultando em vasoconstrição e fechamento do vaso". Na realidade, as prostaglandinas (especialmente a PGE2) são vasodilatadoras e mantêm o canal arterial aberto durante a vida fetal. Após o nascimento, a queda nos níveis de prostaglandinas contribui para o fechamento do canal. O erro está em atribuir às prostaglandinas uma ação contrária à real.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Apresenta um erro conceitual na relação entre inibidores da COX e prostaglandinas. A alternativa afirma que "o estímulo à síntese de prostaglandina E2 com o uso de inibidores da COX... facilita o fechamento do canal arterial". Isso é contraditório: os inibidores da COX (como indometacina e ibuprofeno) reduzem a síntese de prostaglandinas, e é essa redução que facilita o fechamento do canal. A alternativa erra ao dizer que há "estímulo à síntese" quando na verdade há inibição.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente a classificação morfológica da PCA. A classificação de Krichenko divide o canal arterial em cinco tipos (A, B, C, D e E) com base na localização do diâmetro mais estreito. O tipo A, o mais comum, tem forma de funil ou cone, com extremidade aórtica ampla e menor diâmetro na extremidade pulmonar. Essa descrição é precisa e corresponde à literatura médica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que o shunt da esquerda para a direita causa sobrecarga de volume nas cavidades cardíacas direitas. Na PCA, o sangue flui da aorta (alta pressão) para a artéria pulmonar (baixa pressão), causando sobrecarga de volume nas cavidades esquerdas (átrio e ventrículo esquerdos), que recebem um volume adicional de sangue. A sobrecarga ventricular esquerda pode levar a insuficiência cardíaca congestiva, mas o mecanismo é o hiperfluxo pulmonar e a sobrecarga das câmaras esquerdas, não das direitas.
A regra de ouro para questões sobre PCA: as prostaglandinas mantêm o canal aberto (vasodilatação), os inibidores da COX fecham o canal (redução de prostaglandinas), o shunt é esquerda-direita com sobrecarga das câmaras esquerdas, e a classificação morfológica de Krichenko divide o canal em cinco tipos, sendo o tipo A o mais comum (forma de funil).