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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Quadrix 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg031142
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardiologia
Paciente de 45 anos de idade, sexo masculino, chega ao pronto‑socorro com história de dor precordial com uma hora de duração. No ECG, observa‑se infradesnivelamento do segmento ST de V1 a V6.Com base nessa situação hipotética, é correto afirmar que a melhor conduta a ser indicada é
  1. Auso de fibrinolítico.
  2. Binternação e observação.
  3. Ccateterismo de urgência.
  4. Dtratamento padrão para pericardite.
  5. Erepetir ECG e avaliação dos marcadores de necrose miocárdica.
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GabaritoC — cateterismo de urgência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome Coronariana Aguda sem Supradesnivelamento do ST (SCA-SSST)

Gabarito: letra C. O paciente apresenta dor precordial com uma hora de duração e infradesnivelamento do segmento ST de V1 a V6, o que configura uma síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do segmento ST (SCA-SSST) de alto risco, para a qual a melhor conduta é a estratégia invasiva precoce, ou seja, o cateterismo de urgência. O infradesnivelamento difuso do ST, especialmente nas derivações precordiais, é um marcador de alto risco que indica isquemia subendocárdica extensa, e as diretrizes de cardiologia recomendam a revascularização percutânea de urgência nesse cenário.

A síndrome coronariana aguda (SCA) é um espectro de condições que engloba a angina instável e o infarto agudo do miocárdio (IAM). A classificação inicial se baseia no eletrocardiograma (ECG): se há supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST), a conduta é reperfusão imediata (fibrinólise ou angioplastia primária); se não há supradesnivelamento (SCA-SSST), a conduta depende da estratificação de risco. O infradesnivelamento do segmento ST é a alteração eletrocardiográfica mais característica da isquemia subendocárdica, que ocorre quando o fluxo sanguíneo coronariano é insuficiente para as camadas mais internas do miocárdio, mas não há necrose transmural completa. No caso apresentado, o infradesnivelamento difuso de V1 a V6 sugere isquemia extensa, possivelmente por doença multiarterial ou lesão de tronco de coronária esquerda, o que eleva o risco do paciente e indica a necessidade de intervenção coronariana percutânea (ICP) de urgência.

A estratégia de tratamento da SCA-SSST é guiada pela estratificação de risco. Pacientes de alto risco, como aqueles com dor persistente, instabilidade hemodinâmica, arritmias ou alterações eletrocardiográficas dinâmicas (como o infradesnivelamento do ST), devem ser submetidos a uma estratégia invasiva precoce, com realização de cateterismo cardíaco e, se necessário, angioplastia com stent. Essa abordagem reduz a mortalidade e a incidência de novos eventos isquêmicos em comparação com o tratamento conservador. O infradesnivelamento do segmento ST em múltiplas derivações é um dos critérios de alto risco que justificam a intervenção imediata, pois indica uma área extensa de miocárdio em risco. A alternativa C, "cateterismo de urgência", é a conduta mais adequada para este paciente, pois ele se enquadra no perfil de alto risco que se beneficia da revascularização precoce.

A distinção fundamental que separa as alternativas é a presença ou ausência de supradesnivelamento do ST. O fibrinolítico (alternativa A) é indicado apenas para IAMCSST, pois age dissolvendo o trombo que oclui completamente a artéria coronária. Na SCA-SSST, o trombo é geralmente não oclusivo ou oclusivo de forma intermitente, e a fibrinólise não demonstrou benefício, podendo até aumentar o risco de complicações. A internação e observação (alternativa B) e a repetição do ECG com marcadores de necrose (alternativa E) são condutas adequadas para pacientes de baixo risco, mas não para o caso em questão, que apresenta critérios de alto risco. O tratamento padrão para pericardite (alternativa D) é um diagnóstico diferencial da dor torácica, mas o infradesnivelamento do ST não é o achado típico dessa condição, que cursa com supradesnivelamento difuso do ST com concavidade superior preservada.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que o infradesnivelamento do ST, embora não seja o padrão de IAM com supra, é um sinal de alto risco que exige intervenção imediata. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa E (repetir ECG e marcadores), que é uma conduta inicial válida, mas não a melhor conduta para um paciente com dor persistente e infradesnivelamento difuso. A banca explora a confusão entre a conduta para SCA-SSST de baixo risco (observação e marcadores) e a conduta para alto risco (cateterismo de urgência). O critério decisivo é a extensão e a persistência das alterações eletrocardiográficas, que indicam a necessidade de revascularização imediata.

SCA
  • 1IAMCSST (supra de ST)
    • Reperfusão imediata
      • Fibrinólise
      • Angioplastia primária
  • 2SCA-SSST (sem supra)
    • Baixo risco
      • Observação
      • Repetir ECG e marcadores
    • Alto risco
      • Infradesnivelamento difuso do ST
      • Dor persistente
      • Instabilidade hemodinâmica
      • Arritmias
      • Cateterismo de urgência
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O uso de fibrinolítico é indicado para o IAM com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST), que é causado por oclusão coronariana total e aguda. No caso apresentado, há infradesnivelamento do ST, caracterizando SCA-SSST, na qual a fibrinólise não é recomendada, pois não há benefício comprovado e pode aumentar o risco de complicações hemorrágicas. A conduta correta para SCA-SSST de alto risco é a estratégia invasiva, não a fibrinólise.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A internação e observação é uma conduta adequada para pacientes com SCA-SSST de baixo risco, que não apresentam alterações eletrocardiográficas significativas nem marcadores de risco elevado. No entanto, o paciente em questão tem infradesnivelamento difuso do ST de V1 a V6, o que o classifica como alto risco, exigindo uma abordagem mais agressiva, como o cateterismo de urgência. A simples observação não é a melhor conduta, pois o paciente tem risco iminente de evoluir para infarto ou complicações graves.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O cateterismo de urgência é a conduta indicada para pacientes com SCA-SSST de alto risco, como o caso apresentado, que tem dor precordial persistente e infradesnivelamento do ST em múltiplas derivações. Essa estratégia invasiva precoce permite identificar a lesão coronariana culpada e realizar a revascularização percutânea (angioplastia com stent), reduzindo a mortalidade e a incidência de novos eventos isquêmicos. O infradesnivelamento difuso do ST é um marcador de isquemia subendocárdica extensa, que indica alto risco e necessidade de intervenção imediata.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tratamento padrão para pericardite é um diagnóstico diferencial da dor torácica, mas não se aplica a este caso. A pericardite aguda cursa com supradesnivelamento difuso do segmento ST, com concavidade superior preservada, e infradesnivelamento do segmento PR, não com infradesnivelamento do ST. O paciente apresenta infradesnivelamento do ST de V1 a V6, o que é sugestivo de isquemia miocárdica, não de pericardite. Além disso, a dor precordial com uma hora de duração e o padrão eletrocardiográfico são mais compatíveis com SCA.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Repetir o ECG e avaliar os marcadores de necrose miocárdica é uma conduta inicial válida na avaliação de dor torácica, mas não é a melhor conduta para este paciente. Ele já apresenta um ECG com alterações significativas (infradesnivelamento difuso do ST) e dor persistente, o que o classifica como alto risco. Nesse cenário, a conduta mais adequada é a estratégia invasiva precoce (cateterismo de urgência), e não apenas repetir exames, que pode atrasar a revascularização e aumentar o risco de complicações.

Gabarito: letra C

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