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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Quadrix 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg031157
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardiologia - Área De Atuação Ecocardiografia
A respeito da avaliação das insuficiências valvares, é correto afirmar que
  1. Aum pequeno grau de insuficiência valvar pode ser observado em indivíduos normais, tendo como características principais ser holossistólico e pequeno fluxo valvar ao Doppler colorido.
  2. Ba anatomia e orientação do orifício regurgitante valvar interferem na excentricidade e tamanho do jato.
  3. Co diâmetro da vena contracta não sofre variações dinâmicas em casos de prolapso valvar.
  4. Do tamanho e a complacência da câmara receptora do refluxo não interferem no tamanho e na direção do jato regurgitante pós-valvar, sendo parâmetros acurados para avaliar o grau da insuficiência.
  5. Eem insuficiências valvares com jatos excêntricos o método PISA é o mais acurado de estimar o volume regurgitante por batimento.
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GabaritoB — a anatomia e orientação do orifício regurgitante valvar interferem na excentricidade e tamanho do jato.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação Ecocardiográfica das Insuficiências Valvares

Gabarito: letra B. A anatomia e a orientação do orifício regurgitante valvar interferem diretamente na excentricidade e no tamanho do jato regurgitante, pois o jato tende a seguir a direção do orifício e a se chocar contra as paredes da câmara receptora, perdendo energia e alterando sua trajetória. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre a avaliação das insuficiências valvares por ecocardiografia, especialmente quanto às características dos jatos regurgitantes e aos métodos de quantificação.

A avaliação das insuficiências valvares pela ecocardiografia é um pilar do diagnóstico e da quantificação da gravidade das valvopatias. O Doppler colorido permite visualizar o fluxo regurgitante, atribuindo cores aos eritrócitos com base em sua velocidade e sentido: por convenção, o sangue que se afasta do transdutor é representado em azul, e o que se aproxima, em vermelho. A imagem com Doppler colorido é útil sobretudo na identificação de insuficiência valvar e de fluxo anormal desviante entre as câmaras. A velocidade de determinado jato de sangue pode ser convertida em pressão, possibilitando a avaliação dos gradientes de pressão entre as valvas ou entre as câmaras.

A quantificação da regurgitação valvar envolve múltiplos parâmetros, cada um com suas limitações. O jato regurgitante, visualizado pelo Doppler colorido, é influenciado por diversos fatores hemodinâmicos e anatômicos. A vena contracta é a porção mais estreita do jato regurgitante, localizada logo após o orifício, e seu diâmetro é um parâmetro semiquantitativo importante. O método PISA (proximal isovelocity surface area) estima o volume regurgitante a partir da convergência de fluxo proximal ao orifício regurgitante, sendo particularmente útil em jatos excêntricos, pois não depende da direção do jato. O tamanho e a complacência da câmara receptora também influenciam a aparência do jato: uma câmara pequena e pouco complacente tende a conter um jato que se dispersa menos, enquanto uma câmara grande e complacente permite maior dispersão.

A alternativa B está correta porque a anatomia do orifício regurgitante (sua forma, tamanho e orientação) determina a direção inicial do jato. Um orifício orientado de forma excêntrica, como no prolapso valvar, produz um jato que se choca contra a parede da câmara receptora, tornando-se excêntrico e perdendo velocidade. Essa interação entre o orifício e a parede é fundamental para entender por que jatos excêntricos são frequentemente subestimados por métodos que dependem da visualização direta do jato, como a área do jato colorido.

A pegadinha da banca está em inverter conceitos sobre os fatores que influenciam o jato regurgitante e sobre a acurácia dos métodos de quantificação. O candidato que não domina a fisiopatologia da regurgitação e os princípios do Doppler colorido pode ser induzido a marcar alternativas que parecem plausíveis, mas que contêm erros sutis. A chave é lembrar que o jato regurgitante é um fenômeno dinâmico, influenciado por múltiplos fatores, e que a quantificação precisa exige a integração de vários parâmetros.

Característica

Insuficiência Valvar Fisiológica (A)

Influência da Anatomia do Orifício (B)

Vena Contracta no Prolapso (C)

Câmara Receptora (D)

Método PISA em Jatos Excêntricos (E)

Afirmação da alternativa

Pequeno grau é holossistólico e com pequeno fluxo ao Doppler

Anatomia/orientação do orifício interfere na excentricidade e tamanho do jato

Diâmetro não sofre variações dinâmicas no prolapso

Tamanho/complacência não interferem no jato; parâmetros acurados

É o mais acurado para estimar volume regurgitante

Correção conceitual

Sopro é proto-mesossistólico ou tele-sistólico, não holossistólico

Jato segue a direção do orifício; excêntrico perde energia ao chocar com a parede

Varia dinamicamente com a movimentação dos folhetos no prolapso

Interferem na dispersão do jato; área do jato não é parâmetro acurado

Útil, mas não é o mais acurado; RMC é o padrão

Veredito

❌ Incorreta

✅ Correta (gabarito)

❌ Incorreta

❌ Incorreta

❌ Incorreta

1Anatomia do orifício
Forma e tamanho
Orientação (excentricidade)
2Câmara receptora
Tamanho
Complacência
3Métodos de quantificação
Vena contracta (varia no prolapso)
PISA (útil em jatos excêntricos)
RMC (mais acurado)
Fatores que influenciam o jato regurgitante
LEVELsoulevel.com.br
Fatores que influenciam o jato regurgitante: Anatomia do orifício (Forma e tamanho, Orientação (excentricidade)); Câmara receptora (Tamanho, Complacência); Métodos de quantificação (Vena contracta (varia no prolapso), PISA (útil em jatos excêntricos), RMC (mais acurado))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que um pequeno grau de insuficiência valvar em indivíduos normais tem como características principais ser holossistólico e apresentar pequeno fluxo valvar ao Doppler colorido. O erro está em afirmar que o sopro é holossistólico. Em indivíduos normais, pequenos graus de regurgitação (fisiológica) são comuns, mas o sopro da insuficiência valvar fisiológica não é holossistólico — ele é tipicamente proto-mesossistólico ou tele-sistólico, de curta duração e baixa intensidade. A regurgitação holossistólica (pansistólica) é característica de insuficiências valvares patológicas, como a insuficiência mitral grave ou a insuficiência tricúspide. Além disso, o fluxo regurgitante fisiológico é pequeno, mas a característica temporal é o que torna a alternativa incorreta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A anatomia e a orientação do orifício regurgitante valvar interferem na excentricidade e no tamanho do jato. Esta afirmação está correta. A direção do jato regurgitante é determinada pela orientação do orifício regurgitante. Por exemplo, na insuficiência mitral por prolapso do folheto posterior, o jato é direcionado anteriormente, contra a parede do átrio esquerdo, tornando-se excêntrico. Já na insuficiência mitral por doença reumática, com fusão comissural, o jato pode ser central. A excentricidade do jato influencia sua aparência no Doppler colorido: jatos excêntricos tendem a ser menores e a perder velocidade mais rapidamente ao se chocarem contra a parede, o que pode levar à subestimação da gravidade se apenas a área do jato for considerada. Portanto, a anatomia e a orientação do orifício são fatores cruciais na avaliação ecocardiográfica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o diâmetro da vena contracta não sofre variações dinâmicas em casos de prolapso valvar. O erro está em negar a variação dinâmica. A vena contracta é a porção mais estreita do jato regurgitante, localizada logo após o orifício, e seu diâmetro é um parâmetro semiquantitativo importante. No prolapso valvar, a posição e a orientação do orifício regurgitante podem variar durante o ciclo cardíaco, especialmente com a movimentação dos folhetos. Isso faz com que o diâmetro da vena contracta varie dinamicamente, podendo ser maior ou menor em diferentes fases da sístole. Portanto, a afirmação de que não sofre variações dinâmicas é incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o tamanho e a complacência da câmara receptora do refluxo não interferem no tamanho e na direção do jato regurgitante pós-valvar, sendo parâmetros acurados para avaliar o grau da insuficiência. O erro é duplo. Primeiro, o tamanho e a complacência da câmara receptora interferem sim no tamanho e na direção do jato. Uma câmara pequena e pouco complacente (como um átrio esquerdo pequeno e rígido) tende a conter um jato que se dispersa menos, enquanto uma câmara grande e complacente permite maior dispersão do jato. Segundo, a área do jato colorido não é um parâmetro acurado para avaliar o grau da insuficiência, pois depende de múltiplos fatores hemodinâmicos e técnicos, como a pressão de enchimento da câmara receptora, a frequência cardíaca e o ganho do Doppler. A quantificação acurada exige a integração de vários parâmetros, como a vena contracta, o método PISA e o fluxo reverso nas veias pulmonares.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que em insuficiências valvares com jatos excêntricos o método PISA é o mais acurado de estimar o volume regurgitante por batimento. O erro está na palavra "mais acurado". O método PISA é uma técnica útil para estimar o volume regurgitante, mas não é o mais acurado em jatos excêntricos. Na verdade, o método PISA é particularmente útil em jatos excêntricos, pois não depende da direção do jato, mas sua acurácia é limitada por vários fatores, como a geometria do orifício regurgitante e a presença de múltiplos orifícios. O método mais acurado para quantificar o volume regurgitante é a ressonância magnética cardíaca (RMC), que permite a quantificação direta do volume regurgitante pela diferença entre o volume sistólico do ventrículo e o volume de ejeção. Portanto, a afirmação de que o PISA é o mais acurado é incorreta.

Gabarito: letra B

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