Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2023
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg031161
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cardiovascular
Um homem de 78 anos de idade com hipertensão e doença pulmonar obstrutiva crônica foi transferido para a unidade de terapia intensiva após ser submetido à revascularização do miocárdio em dois vasos. Quatro horas depois, a fibrilação atrial desenvolveu‑se a uma taxa de 140/min. A terapia com amiodarona foi iniciada.Com base nessa situação hipotética, o efeito adverso mais grave dessa terapia é o(a)
Abradicardia.
Bhipoglicemia.
Chipotireoidismo.
Ddisfunção hepática.
Etoxicidade pulmonar.
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GabaritoE — toxicidade pulmonar.
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Amiodarona: efeitos adversos e toxicidade pulmonar
Gabarito: letra E. O efeito adverso mais grave da terapia com amiodarona é a toxicidade pulmonar, que pode se manifestar como pneumonite e evoluir para fibrose pulmonar potencialmente irreversível — condição que, no paciente idoso com DPOC, representa risco vital imediato. As demais alternativas (bradicardia, hipotireoidismo, disfunção hepática) são efeitos adversos reais, porém de menor gravidade ou manejo mais simples, e a hipoglicemia não é efeito adverso reconhecido da amiodarona.
A amiodarona é um antiarrítmico da classe III de Vaughan-Williams, amplamente utilizado no controle de arritmias atriais e ventriculares, especialmente em pacientes com cardiopatia estrutural — como o homem de 78 anos do caso, que acaba de ser submetido à revascularização miocárdica e desenvolveu fibrilação atrial a 140 bpm. Seu mecanismo principal é o prolongamento da duração do potencial de ação, mas sua farmacologia é complexa, com atividade das classes I a IV. É um composto iodado, lipofílico, com grande volume de distribuição e meia-vida de eliminação longa (35 a 100 dias), o que explica a demora para atingir níveis de equilíbrio e a persistência dos efeitos após a suspensão.
O que torna a toxicidade pulmonar o efeito mais grave é a sua potencial irreversibilidade e a dificuldade de reversão clínica. A pneumonite por amiodarona ocorre em 1% a 23% dos pacientes e pode progredir para fibrose pulmonar, uma condição debilitante e frequentemente fatal, especialmente em pacientes com doença pulmonar prévia — como o DPOC do paciente do enunciado. A bradicardia e o hipotireoidismo, embora comuns, são efeitos adversos mais facilmente manejáveis (ajuste de dose, monitorização, reposição hormonal). A disfunção hepática (hepatite medicamentosa) também é relevante, mas geralmente é reversível com a suspensão da droga. A hipoglicemia, por sua vez, não é um efeito adverso descrito da amiodarona — trata-se de um distrator puro.
A banca explora aqui a hierarquia de gravidade: o candidato pode reconhecer que bradicardia, hipotireoidismo e disfunção hepática são efeitos adversos verdadeiros, mas precisa identificar qual deles é o mais grave. A toxicidade pulmonar se destaca por ser potencialmente irreversível e por ter impacto direto na sobrevida, sobretudo em um paciente com DPOC, cuja reserva pulmonar já está comprometida. É exatamente essa a fronteira que separa a alternativa correta das demais: todas as outras são efeitos adversos reais, mas nenhuma tem a gravidade da fibrose pulmonar.
Amiodarona (classe III)
1Efeitos adversos
Bradicardia (manejável)
Hipotireoidismo (reversível)
Disfunção hepática (reversível)
Toxicidade pulmonar (mais grave)
Pneumonite
Fibrose irreversível
Hipoglicemia (não é efeito)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A bradicardia é um efeito adverso real e relativamente comum da amiodarona, decorrente do bloqueio dos canais de sódio, potássio e cálcio e do efeito betabloqueador. No entanto, é um efeito menos grave que a toxicidade pulmonar: geralmente é manejada com ajuste de dose, monitorização e, em casos extremos, com marcapasso temporário. Não é o efeito adverso mais grave da terapia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hipoglicemia não é um efeito adverso reconhecido da amiodarona. A amiodarona pode causar alterações no metabolismo dos glicídios e triglicerídeos, mas não hipoglicemia. Trata-se de um distrator puro, sem relação com a farmacologia da droga.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O hipotireoidismo é um efeito adverso real da amiodarona, ocorrendo em 1% a 14% dos pacientes, devido ao alto teor de iodo do fármaco. No entanto, é um efeito menos grave que a toxicidade pulmonar: é facilmente diagnosticado e tratado com reposição de levotiroxina, sem risco imediato de vida. A banca pode tentar confundir o candidato com a disfunção tireoidiana, mas ela não é o efeito mais grave.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A disfunção hepática (hepatite medicamentosa) é um efeito adverso real da amiodarona, podendo variar de elevação assintomática de transaminases a hepatite grave. Embora seja um efeito relevante, geralmente é reversível com a suspensão da droga e não tem a gravidade da toxicidade pulmonar, que pode ser irreversível e fatal. A banca pode explorar a confusão entre a hepatotoxicidade e a pneumotoxicidade, mas a fibrose pulmonar é o efeito mais temido.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A toxicidade pulmonar é o efeito adverso mais grave da amiodarona. Manifesta-se como pneumonite (1% a 23% dos casos) e pode evoluir para fibrose pulmonar potencialmente irreversível, uma condição debilitante e frequentemente fatal. No paciente do caso, com DPOC, a reserva pulmonar já está comprometida, o que torna a toxicidade pulmonar ainda mais perigosa. É exatamente por isso que a amiodarona deve ser usada com cautela em pacientes com doença pulmonar prévia, e a monitorização de sintomas respiratórios e de exames de imagem é essencial durante o tratamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca não pergunta qual efeito adverso a amiodarona pode causar — todos os efeitos listados (exceto hipoglicemia) são reais. A pegadinha está em pedir o mais grave: o candidato pode marcar bradicardia ou hipotireoidismo por serem mais conhecidos, mas a toxicidade pulmonar é a que tem maior potencial de irreversibilidade e morte, especialmente em um paciente com DPOC. Lembre-se: na amiodarona, o pulmão é o órgão mais crítico.