Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2023
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg031163
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cardiovascular
Um homem de 58 anos de idade está sendo submetido a uma cirurgia de revascularização do miocárdio de três vasos com substituição da válvula aórtica. Várias tentativas de separar o paciente da máquina coração‑pulmão não tiveram sucesso. O cirurgião decide, então, que a inserção de uma bomba de balão intra‑aórtico é indicada.Com base nessa situação hipotética, nesse paciente, o objetivo principal desse procedimento é aumentar o(a)
Após‑carga.
Bcontratilidade.
Cfluxo sanguíneo coronariano.
Dresistência periférica.
Epré‑carga.
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GabaritoC — fluxo sanguíneo coronariano.
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Balão intra-aórtico (BIA): fisiologia e indicações
Gabarito: letra C. O objetivo principal do balão intra-aórtico (BIA) é aumentar o fluxo sanguíneo coronariano, por meio da insuflação do balão durante a diástole, que eleva a pressão diastólica aórtica e melhora a perfusão das coronárias. Esse é o mecanismo central do dispositivo, descrito na literatura de suporte circulatório mecânico.
O balão intra-aórtico é um dispositivo de contrapulsação utilizado em situações de choque cardiogênico, dificuldade de desmame da circulação extracorpórea, complicações mecânicas do infarto e como ponte para transplante. Seu funcionamento baseia-se em dois efeitos hemodinâmicos principais, que ocorrem em fases opostas do ciclo cardíaco:
Insuflação na diástole: o balão infla durante a diástole ventricular, aumentando a pressão diastólica aórtica (em até 30 mmHg). Como o fluxo coronariano ocorre predominantemente na diástole, esse aumento de pressão melhora a perfusão das artérias coronárias, especialmente do ventrículo esquerdo.
Desinsuflação na sístole: o balão desinfla imediatamente antes da sístole, criando um "efeito de sucção" que reduz a pressão sistólica aórtica (em até 20%). Isso diminui a pós-carga do ventrículo esquerdo, aumentando o volume sistólico e reduzindo o consumo miocárdico de oxigênio.
Portanto, o BIA atua em duas frentes: aumenta a oferta de oxigênio (melhorando a perfusão coronariana) e diminui a demanda de oxigênio (reduzindo a pós-carga). O aumento do débito cardíaco proporcionado pelo BIA é modesto, em torno de 0,5 L/min, o que o diferencia de outros dispositivos de assistência ventricular, como a Impella, que pode fornecer de 2,5 a 5 L/min.
Na situação clínica descrita — paciente em cirurgia de revascularização miocárdica com dificuldade de separação da circulação extracorpórea —, o BIA é indicado justamente para melhorar a perfusão coronariana e reduzir a pós-carga, facilitando o desmame da máquina coração-pulmão. O objetivo primordial, contudo, é o aumento do fluxo sanguíneo coronariano, que é o que sustenta o miocárdio isquêmico.
A banca explora a confusão entre os efeitos do BIA: muitos candidatos lembram que ele "reduz a pós-carga" e marcam a alternativa A, mas o enunciado pergunta o objetivo principal, que é o aumento da perfusão coronariana. É importante destacar que a redução da pós-carga é um efeito secundário, que contribui para a diminuição do trabalho cardíaco, mas não é o objetivo primário do dispositivo.
1Insufla na diástole
2↑ pressão diastólica aórtica
3↑ perfusão coronariana
4Desinsufla na sístole
5↓ pós-carga
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A pós-carga é diminuída pelo BIA, não aumentada. Durante a sístole, a desinsuflação do balão reduz a pressão sistólica aórtica, diminuindo a pós-carga do ventrículo esquerdo. Essa redução é um dos efeitos benéficos do dispositivo, mas não é o objetivo principal, e a alternativa inverte o sentido do efeito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O BIA não aumenta diretamente a contratilidade miocárdica. Ele melhora a perfusão coronariana e reduz a pós-carga, o que pode indiretamente melhorar a função ventricular, mas o dispositivo não tem efeito inotrópico direto. A contratilidade é aumentada por agentes inotrópicos, como a dobutamina, não pelo balão intra-aórtico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O objetivo principal do BIA é aumentar o fluxo sanguíneo coronariano. A insuflação do balão durante a diástole eleva a pressão diastólica aórtica, melhorando a perfusão das artérias coronárias, que ocorre predominantemente nessa fase do ciclo cardíaco. Esse é o mecanismo central do dispositivo, descrito na literatura de suporte circulatório mecânico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A resistência vascular periférica não é o alvo principal do BIA. O dispositivo atua na aorta, e seus efeitos são sobre a pressão diastólica e sistólica, mas não há um efeito direto sobre a resistência periférica. Além disso, a resistência periférica tende a estar elevada no choque cardiogênico, e o BIA não a modifica de forma significativa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A pré-carga não é o foco do BIA. O dispositivo não altera diretamente o retorno venoso ou o volume diastólico final do ventrículo esquerdo. Seus efeitos são sobre a pós-carga e a perfusão coronariana, não sobre a pré-carga.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece a alternativa "pós-carga" (A) como distrator, pois o BIA de fato a reduz. Mas o enunciado pergunta o objetivo principal, que é o aumento do fluxo coronariano. Lembre-se: o BIA aumenta a oferta de oxigênio (perfusão coronariana) e diminui a demanda (pós-carga), mas o objetivo primário é o primeiro.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre BIA, memorize os dois efeitos principais: insuflação na diástole → aumento da perfusão coronariana e desinsuflação na sístole → redução da pós-carga. Quando a banca perguntar o objetivo principal, priorize o aumento do fluxo coronariano; quando perguntar sobre os efeitos, ambos são corretos.