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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2023

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg031164
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cardiovascular
Um homem de 66 anos de idade está se recuperando em um hospital cinco horas após ter sido submetido a uma cirurgia de revascularização do miocárdio com três vasos. O débito inicial do dreno torácico mediastinal foi de 300 ml de drenagem sanguinolenta por hora. Há uma hora, não foi observada nenhuma outra evidência de sangramento do dreno. Apesar da administração repetida de fluido em bolus intravenoso, a pressão arterial média diminuiu de 80 para 40 mmHg. A pressão venosa central está aumentada em 20 mmHg (N=2‑6 mmHg) e a administração de dopamina foi necessária para manter a pressão arterial.Com base nessa situação hipotética, a alternativa que apresenta a próxima etapa mais adequada no tratamento da condição desse paciente é a
  1. Aadministração de fenilefrina por gotejamento intravenoso.
  2. Binfusão de estreptoquinase no dreno torácico mediastinal.
  3. Ccolocação de balão intra‑aórtico.
  4. Dexploração cirúrgica do mediastino.
  5. Etransfusão de duas unidades de concentrado de hemácias.
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GabaritoD — exploração cirúrgica do mediastino.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Choque obstrutivo pós-cirurgia cardíaca: tamponamento cardíaco

Gabarito: letra D. O quadro clínico — hipotensão grave refratária a volume, pressão venosa central elevada (20 mmHg) e drenagem mediastinal que cessou abruptamente após débito inicial alto — é clássico de tamponamento cardíaco no pós-operatório de revascularização miocárdica, e a conduta imediata é a exploração cirúrgica do mediastino (reoperação). As demais alternativas tratam de causas ou mecanismos que não se encaixam na fisiopatologia apresentada.

O tamponamento cardíaco é uma emergência em que o acúmulo de sangue ou coágulos no saco pericárdico comprime o coração, impedindo o enchimento diastólico dos ventrículos. No pós-operatório de cirurgia cardíaca, o sangramento pode coagular e obstruir o dreno torácico mediastinal — exatamente o que aconteceu com o paciente: o débito inicial de 300 ml/h indica sangramento ativo, e a cessação súbita do débito não significa que o sangramento parou, mas sim que o dreno está obstruído por coágulo. O sangue continua se acumulando no mediastino, comprimindo o coração.

A fisiopatologia explica os achados: com a compressão externa, o coração não consegue se encher adequadamente (pré-carga reduzida), o que leva a queda do débito cardíaco e hipotensão. A pressão venosa central elevada (20 mmHg) reflete a dificuldade do sangue em entrar no coração direito — o sangue "empina" nas veias. A hipotensão que não responde a volume é a marca registrada: administrar mais fluido não resolve, pois o problema não é falta de volume, mas sim a incapacidade mecânica do coração de recebê-lo. A dopamina foi necessária para manter a pressão, mas é uma medida temporária — não trata a causa.

O diagnóstico é essencialmente clínico e o tratamento é cirúrgico: reabrir o esterno, evacuar o coágulo e identificar o ponto de sangramento. Não há tempo para exames de imagem quando o paciente está instável — a exploração cirúrgica é ao mesmo tempo diagnóstica e terapêutica. A tríade clássica de Beck (hipotensão, bulhas abafadas e turgência jugular) pode não estar completa, mas a hipotensão refratária a volume associada à PVC elevada em paciente com dreno torácico que parou de drenar é suficiente para indicar a reoperação imediata.

A distinção crucial que separa as alternativas é o mecanismo do choque: o paciente tem choque obstrutivo (compressão externa do coração), não choque distributivo (vasodilatação) nem choque hipovolêmico (perda de volume). Essa classificação é o critério que decide a conduta — e é nela que as alternativas se dividem.

  1. 1PVC alta (20 mmHg)
  2. 2Hipotensão refratária a volume
  3. 3Dreno parou de drenar
  4. 4Tamponamento cardíaco
  5. 5Exploração cirúrgica do mediastino
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A fenilefrina é um vasopressor que causa vasoconstrição periférica, aumentando a pressão arterial por aumento da resistência vascular sistêmica. Porém, em um paciente com tamponamento cardíaco, o problema é a incapacidade do coração de bombear sangue — aumentar a resistência vascular só piora a situação, pois o coração já comprimido terá ainda mais dificuldade de ejetar sangue contra uma resistência maior. A dopamina já está sendo usada; adicionar outro vasopressor não trata a causa e pode mascarar a deterioração. A conduta correta é cirúrgica, não farmacológica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A estreptoquinase é um trombolítico usado no tratamento do infarto agudo do miocárdio (dissolução de trombo coronariano) e, em alguns casos, no derrame pleural loculado. Infundir estreptoquinase no dreno torácico mediastinal não tem indicação e seria perigoso: o paciente está sangrando ativamente (débito inicial de 300 ml/h) e a lise de coágulos poderia piorar o sangramento. Além disso, o problema não é um trombo que precisa ser dissolvido, mas sim um coágulo que está obstruindo o dreno e comprimindo o coração — a solução é mecânica (cirurgia), não química.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O balão intra-aórtico (BIA) é um dispositivo de suporte circulatório que aumenta a perfusão coronariana e reduz a pós-carga, usado em choque cardiogênico, por exemplo. Porém, no tamponamento cardíaco, o problema é a compressão externa do coração — o BIA não resolve a obstrução mecânica ao enchimento ventricular. Ele pode até ser usado como ponte em alguns cenários, mas não é a próxima etapa mais adequada quando há suspeita clara de tamponamento. A prioridade é descomprimir o coração cirurgicamente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A exploração cirúrgica do mediastino (reoperação) é a conduta imediata e correta. O quadro é de tamponamento cardíaco: hipotensão refratária a volume, PVC elevada e dreno que parou de drenar após débito alto. A cirurgia permite evacuar o coágulo, descomprimir o coração e identificar o ponto de sangramento. É uma emergência — cada minuto de atraso aumenta a mortalidade. A reabertura do esterno é feita à beira do leito, se necessário, sem aguardar exames de imagem.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A transfusão de concentrado de hemácias trata a anemia e repõe volume, mas não resolve o problema mecânico do tamponamento. O paciente já recebeu fluidos em bolus sem melhora — o problema não é falta de volume circulante, mas sim a incapacidade do coração de receber o sangue que chega. Transfundir hemácias pode até ser necessário como suporte (se houver anemia significativa), mas não é a próxima etapa mais adequada: a prioridade é a descompressão cirúrgica. A transfusão isolada, sem a cirurgia, não salva o paciente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os tipos de choque. O candidato pode pensar em choque hipovolêmico (sangramento → transfundir) ou em choque cardiogênico (disfunção do coração → balão intra-aórtico). Mas o dado-chave é a PVC elevada (20 mmHg) com hipotensão refratária a volume: isso indica choque obstrutivo, não hipovolêmico (onde a PVC seria baixa). A cessação do débito do dreno não é sinal de melhora — é sinal de obstrução por coágulo. Reconhecer essa sequência é o que separa quem acerta de quem erra.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, monte o raciocínio em etapas: (1) identifique o tipo de choque pela PVC — baixa = hipovolêmico, alta = obstrutivo ou cardiogênico; (2) no pós-operatório de cirurgia cardíaca, PVC alta + hipotensão + dreno que parou de drenar = tamponamento até prova em contrário; (3) a conduta é cirúrgica, não farmacológica nem transfusional. Grave essa sequência — ela cai com frequência em provas de cirurgia e terapia intensiva.

Gabarito: letra D — exploração cirúrgica do mediastino.

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