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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg031184
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cardiovascular

Texto para as questões de 1 a 5.


1 ____ Todos conhecemos as propriedades alucinógenas das drogas psicodélicas, mas os medicamentos comuns podem

ser igualmente potentes. Do paracetamol a anti‑histamínicos, estatinas, medicamentos para asma e antidepressivos, existem

evidências de que eles podem nos tornar impulsivos, irritados ou inquietos, diminuir nossa empatia por estranhos e até

4 manipular aspectos fundamentais de nossas personalidades (como, por exemplo, o quão neuróticos somos).

A pesquisa sobre esses efeitos não poderia estar em um momento melhor. O mundo está passando por uma crise

de excesso de medicação, com os Estados Unidos comprando 49.000 toneladas de paracetamol por ano — o equivalente

7 a cerca de 298 comprimidos de paracetamol por pessoa — e o americano médio consumindo US$ 1.200 (R$ 5.000) em

medicamentos prescritos no mesmo período.

E, à medida que a população global envelhece, nossa sede de drogas está prestes a ficar ainda mais fora

10 de controle; no Reino Unido, uma em cada dez pessoas com mais de 65 anos de idade já toma oito medicamentos

por semana.

Beatrice Golomb, que lidera um grupo de pesquisa da Universidade da Califórnia, em San Diego, suspeitou que havia

13 uma conexão entre estatinas e mudanças de personalidade quase duas décadas atrás, depois de uma série de descobertas

misteriosas. Mas a descoberta mais perturbadora de Golomb não é o quão impactantes as drogas comuns podem ser sobre

quem somos — é a falta de interesse em descobrir esse impacto.

16 ___ Isso é algo que Dominik Mischkowski, um pesquisador da dor na Universidade de Ohio, também notou. “Existe

uma lacuna notável na pesquisa, na verdade, quando se trata dos efeitos dos medicamentos na personalidade e no

comportamento”, diz. “Sabemos muito sobre os efeitos fisiológicos desses medicamentos. Mas não entendemos como eles

19 influenciam o comportamento humano.”

A pesquisa de Mischkowski descobriu um efeito colateral surpreendente do paracetamol. Há muito tempo, os

cientistas sabem que a droga reduz a dor física ao diminuir a atividade em certas áreas do cérebro, como o córtex insular,

22 que desempenha um papel importante em nossas emoções. Acontece que essas áreas também estão envolvidas em nossa

experiência de dor social — e, curiosamente, o paracetamol pode nos fazer sentir melhor após uma rejeição.

Pesquisas recentes revelaram que o paracetamol reduz significativamente nossa capacidade de sentir empatia

25 positiva — um resultado com implicações em como a droga está moldando as relações sociais de milhões de pessoas todos

os dias. Embora o experimento não tenha olhado para a empatia negativa — que diz respeito a quando sentimos e nos

identificamos com a dor de outras pessoas —, Mischkowski suspeita que ela também seria mais difícil de ser sentida depois

28 de tomar o medicamento.

Tecnicamente, o paracetamol não está mudando nossa personalidade, porque os efeitos duram apenas algumas

horas e a minoria das pessoas o toma continuamente. Mas Mischkowski enfatiza que precisamos ser informados sobre as

31 maneiras como isso nos afeta, para que possamos usar nosso bom senso. “Assim como devemos estar cientes de que não

devemos dirigir se estivermos sob a influência de álcool, não devemos tomar paracetamol e nos colocarmos em uma situação

que exige que sejamos emocionalmente sensíveis — como em uma conversa séria com um parceiro ou colega de trabalho.”


Internet: <www.bbc.com> (com adaptações).

De acordo com o texto, relativamente aos efeitos dos medicamentos no organismo humano, é correto afirmar que os
  1. Amedicamentos comuns afetam as emoções tanto quanto as drogas alucinógenas.
  2. Bmedicamentos comuns tornam as pessoas mais propensas a terem emoções negativas que a terem emoções positivas.
  3. Cpesquisadores estão mais interessados em descobrir os efeitos fisiológicos que em descobrir os efeitos comportamentais dos medicamentos.
  4. Defeitos comportamentais das estatinas permanecem desconhecidos pela comunidade médica nos dias atuais.
  5. Emedicamentos comuns afetam igualmente as emoções e a fisiologia humana.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — pesquisadores estão mais interessados em descobrir os efeitos fisiológicos que em descobrir os efeitos comportamentais dos medicamentos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Efeitos dos medicamentos: o interesse dos pesquisadores

Gabarito: letra C. A alternativa correta é a C, pois o texto afirma explicitamente que os pesquisadores estão mais interessados em descobrir os efeitos fisiológicos dos medicamentos do que os efeitos comportamentais. Essa ideia está ancorada na fala de Dominik Mischkowski, que aponta uma "lacuna notável na pesquisa" sobre os efeitos dos medicamentos na personalidade e no comportamento, contrastando com o conhecimento já existente sobre os efeitos fisiológicos.

O comando da questão pede uma compreensão do texto, ou seja, a localização de uma informação explícita. Não se trata de inferir ou deduzir algo além do que está escrito, mas de identificar a passagem que confirma a afirmação. A banca testa se o candidato consegue distinguir o que o texto realmente diz daquilo que parece plausível, mas não está sustentado.

O texto apresenta uma tese central: os medicamentos comuns podem ter efeitos comportamentais e emocionais significativos, mas há uma falta de interesse em pesquisar esses efeitos. O autor desenvolve essa tese apresentando o caso de Beatrice Golomb, que suspeitou da conexão entre estatinas e mudanças de personalidade, e de Dominik Mischkowski, que notou a lacuna na pesquisa. A passagem decisiva está no trecho em que Mischkowski afirma:

"Existe uma lacuna notável na pesquisa, na verdade, quando se trata dos efeitos dos medicamentos na personalidade e no comportamento. Sabemos muito sobre os efeitos fisiológicos desses medicamentos. Mas não entendemos como eles influenciam o comportamento humano."

Essa fala estabelece um contraste claro: sabemos muito sobre os efeitos fisiológicos, mas não entendemos os efeitos comportamentais. A alternativa C parafraseia exatamente essa ideia, dizendo que os pesquisadores estão mais interessados em descobrir os efeitos fisiológicos do que os comportamentais. O texto não diz que eles não se interessam pelos comportamentais, mas que há uma lacuna, ou seja, um desinteresse relativo.

A técnica para resolver esta questão é simples: grife no texto as palavras que indicam contraste ou comparação, como "mas", "porém", "enquanto", "sabemos muito... mas não entendemos". Essas palavras sinalizam a ideia central que a banca costuma cobrar. Além disso, desconfie de alternativas que usam palavras absolutas como "tanto quanto", "mais propensas", "permanecem desconhecidos", "igualmente", pois elas tendem a extrapolar ou restringir o que o texto afirma.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os medicamentos comuns afetam as emoções tanto quanto as drogas alucinógenas. O texto, no primeiro parágrafo, diz que os medicamentos comuns "podem ser igualmente potentes" em relação às drogas psicodélicas, mas isso se refere à capacidade de alterar o comportamento e a personalidade, não especificamente às emoções. Além disso, o texto não faz uma comparação quantitativa entre os efeitos emocionais dos dois tipos de droga. A palavra "tanto quanto" sugere uma igualdade que o texto não estabelece. Erro: extrapolação — acrescenta uma comparação que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os medicamentos comuns tornam as pessoas mais propensas a terem emoções negativas do que positivas. O texto menciona que os medicamentos podem nos tornar "impulsivos, irritados ou inquietos" e diminuir a empatia, mas não faz uma comparação entre a frequência ou intensidade de emoções negativas e positivas. A palavra "mais propensas" estabelece uma relação de grau que o texto não sustenta. Erro: extrapolação — o texto não compara a propensão a emoções negativas versus positivas.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que os pesquisadores estão mais interessados em descobrir os efeitos fisiológicos do que os efeitos comportamentais dos medicamentos. Isso está diretamente ancorado na fala de Mischkowski: "Sabemos muito sobre os efeitos fisiológicos desses medicamentos. Mas não entendemos como eles influenciam o comportamento humano." O contraste entre "sabemos muito" e "não entendemos" indica que o interesse e o conhecimento se concentram nos efeitos fisiológicos, enquanto os comportamentais são negligenciados. A alternativa é uma paráfrase fiel dessa ideia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os efeitos comportamentais das estatinas permanecem desconhecidos pela comunidade médica nos dias atuais. O texto menciona que Beatrice Golomb suspeitou da conexão entre estatinas e mudanças de personalidade "quase duas décadas atrás", mas não diz que esses efeitos permanecem desconhecidos hoje. Pelo contrário, o texto sugere que há pesquisas em andamento, como a de Mischkowski sobre o paracetamol. A palavra "permanecem" indica um estado atual que o texto não confirma. Erro: extrapolação — o texto não afirma que os efeitos das estatinas são desconhecidos atualmente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os medicamentos comuns afetam igualmente as emoções e a fisiologia humana. O texto não faz essa comparação de igualdade. Ele afirma que sabemos muito sobre os efeitos fisiológicos, mas não entendemos os comportamentais, o que sugere uma diferença de conhecimento, não de intensidade de efeito. A palavra "igualmente" estabelece uma igualdade que o texto não sustenta. Erro: extrapolação — o texto não compara a intensidade dos efeitos emocionais e fisiológicos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora usar palavras absolutas como "tanto quanto", "mais propensas", "igualmente" para induzir o candidato a extrapolar o que o texto diz. A alternativa correta é a que parafraseia fielmente uma passagem, sem acrescentar comparações ou graus que não estão no texto.

PEGA ESSA DICA!

Ao ler o comando "de acordo com o texto", procure a passagem exata que sustenta a afirmação. Se a alternativa usar palavras como "tanto quanto", "mais", "igualmente", "permanecem", desconfie: o texto raramente faz comparações tão absolutas.

Gabarito: letra C. A alternativa correta é a C, pois é a única que se sustenta integralmente no texto, sem extrapolar ou restringir o que está escrito. As demais alternativas ou acrescentam comparações que o texto não faz, ou afirmam coisas que o texto não confirma.

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