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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2023

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg031195
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Vascular
Um paciente de 65 anos compareceu a uma avaliação com o cirurgião vascular, encaminhado pelo cardiologista, por apresentar ultrassonografia Doppler e angiotomografia de vasos cervicais concordantes com uma estenose > 80% em carótida interna esquerda. Seus antecedentes cardiovasculares revelaram a presença de tabagismo ativo e dislipidemia. Adicionalmente, o paciente foi submetido a uma angioressonância craniana que demonstra um aneurisma sacular de 10 mm na porção intrapetrosa da carótida interna esquerda.Nessa situação hipotética, em relação à conduta, assinale a alternativa correta.
  1. AA cirurgia da artéria carótida não apresenta qualquer influência sobre o aneurisma intracraniano, portanto não há risco em realizar o tratamento da lesão.
  2. BA intervenção na artéria carótida, seja pela técnica aberta ou endovascular, aumenta o risco de rotura do aneurisma, em virtude do hiperfluxo pós‑revascularização.
  3. CA cirurgia aberta da carótida não é recomendada, principalmente, porque o clampeamento carotídeo está associado ao risco de trombose do aneurisma e à consequente embolização distal após a restauração do fluxo sanguíneo.
  4. DA técnica com melhor resultado nessas situações é a combinação da angioplastia da artéria carótida com a embolização do aneurisma intracraniano ao mesmo tempo.
  5. EConsiderando o altíssimo risco de rotura, o paciente é beneficiado pela embolização do aneurisma intracraniano, como conduta inicial, seguida da intervenção na artéria carótida.
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GabaritoA — A cirurgia da artéria carótida não apresenta qualquer influência sobre o aneurisma intracraniano, portanto não há risco em realizar o tratamento da lesão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estenose carotídea e aneurisma intracraniano: conduta

Gabarito: letra A. A cirurgia da artéria carótida não apresenta qualquer influência sobre o aneurisma intracraniano, portanto não há risco em realizar o tratamento da lesão. O ponto central é que a estenose carotídea e o aneurisma intracraniano são lesões independentes, e o tratamento de uma não interfere no risco da outra — a presença do aneurisma não contraindica a correção da carótida, e a correção não aumenta o risco de rotura do aneurisma.

A estenose carotídea é uma doença aterosclerótica que reduz o fluxo sanguíneo cerebral e é causa importante de acidente vascular encefálico (AVE) isquêmico. O tratamento visa restaurar o fluxo e prevenir eventos embólicos, seja por endarterectomia (cirurgia aberta) ou por angioplastia com stent (técnica endovascular). O aneurisma intracraniano, por sua vez, é uma dilatação anormal da parede arterial, com risco de rotura e hemorragia subaracnóidea. O tratamento do aneurisma (cirurgia ou embolização) visa excluí-lo da circulação para prevenir a rotura.

A relação entre as duas lesões é um tema debatido. Historicamente, há a preocupação de que a revascularização carotídea possa aumentar o fluxo sanguíneo cerebral e, consequentemente, a pressão sobre o aneurisma, elevando o risco de rotura. No entanto, a literatura atual não demonstra aumento significativo do risco de rotura do aneurisma após a correção da carótida. Estudos mostram que a endarterectomia carotídea e a angioplastia com stent podem ser realizadas com segurança em pacientes com aneurismas intracranianos não rotos, desde que o aneurisma seja avaliado e tratado de forma individualizada.

Na prática, a conduta deve ser individualizada, considerando o risco de AVE pela estenose e o risco de rotura do aneurisma. A decisão sobre qual lesão tratar primeiro depende de vários fatores, como o tamanho e a localização do aneurisma, a gravidade da estenose, a presença de sintomas e o risco cirúrgico do paciente. Em geral, a estenose carotídea sintomática grave (>70%) tem indicação de tratamento, e o aneurisma intracraniano de 10 mm em paciente com fatores de risco (tabagismo, dislipidemia) também merece consideração para tratamento, mas a decisão é complexa e deve ser tomada em conjunto com o neurocirurgião.

A pegadinha da banca está em sugerir que a cirurgia da carótida influencia o aneurisma, seja aumentando o risco de rotura (alternativa B), seja causando trombose e embolização (alternativa C), ou que a melhor conduta é combinar os tratamentos (alternativas D e E). A alternativa A é a correta porque reflete o princípio de que as duas lesões são independentes e o tratamento de uma não interfere na outra.

Estenose carotídea + aneurisma intracraniano
  • 1Lesões independentes
    • Tratamento de uma não interfere na outra
    • Aneurisma não contraindica correção da carótida
    • Correção não aumenta risco de rotura
  • 2Conduta individualizada
    • Gravidade da estenose
    • Tamanho/localização do aneurisma
    • Sintomas e risco cirúrgico
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A cirurgia da artéria carótida não apresenta qualquer influência sobre o aneurisma intracraniano, portanto não há risco em realizar o tratamento da lesão. Esta é a alternativa correta porque a estenose carotídea e o aneurisma intracraniano são lesões independentes. O tratamento da estenose (endarterectomia ou angioplastia) não aumenta o risco de rotura do aneurisma, e a presença do aneurisma não contraindica a correção da carótida. A conduta deve ser individualizada, mas a alternativa A reflete o princípio de que as duas lesões devem ser tratadas de forma independente, sem que uma interfira na outra.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A intervenção na artéria carótida, seja pela técnica aberta ou endovascular, aumenta o risco de rotura do aneurisma, em virtude do hiperfluxo pós‑revascularização. Esta alternativa está incorreta porque não há evidência de que a revascularização carotídea aumente o risco de rotura do aneurisma. O hiperfluxo pós-revascularização é uma preocupação teórica, mas a literatura atual não demonstra aumento significativo do risco de rotura. A alternativa B confunde a preocupação teórica com um risco comprovado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A cirurgia aberta da carótida não é recomendada, principalmente, porque o clampeamento carotídeo está associado ao risco de trombose do aneurisma e à consequente embolização distal após a restauração do fluxo sanguíneo. Esta alternativa está incorreta porque o clampeamento carotídeo não está associado ao risco de trombose do aneurisma. O clampeamento é uma técnica segura e o risco de trombose do aneurisma é uma preocupação teórica sem evidência. A alternativa C confunde o risco de complicações do clampeamento com o risco de trombose do aneurisma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A técnica com melhor resultado nessas situações é a combinação da angioplastia da artéria carótida com a embolização do aneurisma intracraniano ao mesmo tempo. Esta alternativa está incorreta porque não há evidência de que a combinação simultânea seja a melhor técnica. A conduta deve ser individualizada, e a decisão sobre qual lesão tratar primeiro depende de vários fatores. A alternativa D sugere uma abordagem combinada que não é a recomendada na literatura.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Considerando o altíssimo risco de rotura, o paciente é beneficiado pela embolização do aneurisma intracraniano, como conduta inicial, seguida da intervenção na artéria carótida. Esta alternativa está incorreta porque o risco de rotura do aneurisma de 10 mm não é altíssimo, e a conduta inicial não é necessariamente a embolização. A decisão sobre qual lesão tratar primeiro depende de vários fatores, e a alternativa E sugere uma abordagem que não é a recomendada na literatura.

Gabarito: letra A

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