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Questão de Medicina — Gastroenterologia — Quadrix 2023

MedicinaGastroenterologia
Código
qg031210
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia do Aparelho Digestivo
Paciente realizou colonoscopia de rastreio que identificou um pólipo de 1,5 cm em cólon ascendente, o qual foi ressecado com alça de polipectomia. O anátomo‑patológico mostrou um adenoma túbulo‑viloso com displasia de alto grau com margens livres.Com base nessa situação hipotética, o paciente deve repetir a colonoscopia em
  1. Aseis meses.
  2. Bum ano.
  3. Ctrês anos.
  4. Dcinco anos.
  5. Edez anos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — três anos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vigilância pós-polipectomia: adenoma avançado e intervalo de colonoscopia

Gabarito: letra C. O paciente apresenta um adenoma túbulo-viloso de 1,5 cm com displasia de alto grau — critérios que o classificam como adenoma avançado — e, segundo as diretrizes de vigilância pós-polipectomia, a colonoscopia deve ser repetida em três anos (e não em um, cinco ou dez anos). A base para essa recomendação está na estratificação de risco dos achados colonoscópicos: lesões com componente viloso, displasia de alto grau ou ≥ 1 cm são consideradas de alto risco e demandam vigilância mais precoce, mas não tão curta quanto a reservada a situações de maior gravidade, como o adenocarcinoma ressecado endoscopicamente.

O que define o intervalo de repetição da colonoscopia após a ressecção de um pólipo é a estratificação de risco baseada nas características histológicas e no tamanho da lesão. Um adenoma é considerado avançado quando apresenta pelo menos um dos seguintes critérios: tamanho ≥ 1 cm, componente viloso (túbulo-viloso ou viloso) ou displasia de alto grau. No caso em tela, o pólipo de 1,5 cm (≥ 1 cm) com histologia túbulo-vilosa e displasia de alto grau preenche os três critérios, configurando inequivocamente um adenoma avançado.

Para adenomas avançados, a recomendação das principais diretrizes (como as da American Gastroenterological Association e do US Multi-Society Task Force) é a repetição da colonoscopia em 3 anos. Esse intervalo reflete o risco aumentado de lesões metacrônicas (novos adenomas ou câncer) em comparação com pacientes que tiveram apenas adenomas de baixo risco, mas que ainda não justifica vigilância anual. Já para adenomas de baixo risco (tubulares, < 1 cm, sem displasia de alto grau), o intervalo recomendado é de 5 a 10 anos, dependendo do número e do tamanho das lesões.

A distinção crucial que a banca explora é entre o adenoma avançado e o adenocarcinoma ressecado endoscopicamente. No caso de adenocarcinoma de cólon e reto tratado cirurgicamente ou por ressecção endoscópica, a colonoscopia deve ser repetida em 1 ano após o tratamento, conforme protocolos de seguimento oncológico. O enunciado, porém, descreve um adenoma — lesão pré-maligna — e não um câncer invasivo, o que afasta a alternativa de um ano. Da mesma forma, o intervalo de 5 anos é reservado a pacientes com adenomas de baixo risco ou àqueles que, após uma colonoscopia de vigilância, não apresentam adenomas avançados.

A pegadinha desta questão está em confundir o seguimento de um adenoma avançado com o de um câncer colorretal ressecado. O candidato que memoriza o protocolo oncológico de "colonoscopia em 1 ano após ressecção de adenocarcinoma" pode marcar a letra B, mas o caso é de lesão pré-maligna, cuja vigilância segue outra lógica. Guarde a fronteira: adenoma avançado → 3 anos; adenocarcinoma ressecado → 1 ano; adenoma de baixo risco → 5 a 10 anos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Seis meses é um intervalo curto demais para vigilância de adenoma avançado. Esse prazo não é recomendado por diretrizes para nenhuma categoria de pólipo adenomatoso; aparece, por exemplo, em contextos de seguimento de câncer colorretal estádio IV ressecado ou em situações de ressecção endoscópica de adenocarcinoma retal, quando se indica retossigmoidoscopia a cada 3 a 6 meses. Não se aplica a um adenoma avançado ressecado com margens livres.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Um ano é o intervalo correto para adenocarcinoma de cólon e reto após tratamento cirúrgico ou ressecção endoscópica, conforme protocolos de seguimento oncológico. O enunciado, porém, descreve um adenoma (lesão pré-maligna), não um câncer invasivo. A presença de displasia de alto grau não eleva a lesão à categoria de adenocarcinoma — ela permanece um adenoma avançado, cuja vigilância é em 3 anos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O adenoma túbulo-viloso de 1,5 cm com displasia de alto grau é um adenoma avançado (≥ 1 cm, componente viloso e displasia de alto grau). Para essa categoria, as diretrizes recomendam repetir a colonoscopia em 3 anos. Esse intervalo equilibra o risco aumentado de lesões metacrônicas com a necessidade de não submeter o paciente a exames excessivamente frequentes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Cinco anos é o intervalo recomendado para pacientes com adenomas de baixo risco (tubulares, < 1 cm, sem displasia de alto grau) ou para aqueles que, na colonoscopia de vigilância após um adenoma avançado, não apresentam novos adenomas avançados. No caso em tela, o adenoma é de alto risco, o que exige vigilância mais precoce (3 anos), não 5.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Dez anos é o intervalo máximo recomendado para pacientes com nenhum adenoma ou apenas pólipos hiperplásicos pequenos no reto/sigmoide, ou para aqueles com adenomas de baixo risco em número reduzido. Um adenoma avançado, como o do enunciado, jamais justifica um intervalo tão longo, dado o risco substancial de lesões metacrônicas.

A regra de ouro para a prova: adenoma avançado (≥ 1 cm, viloso ou displasia de alto grau) → colonoscopia em 3 anos; adenocarcinoma ressecado → 1 ano; adenoma de baixo risco → 5 a 10 anos.

Gabarito: letra C

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