Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Quadrix 2023
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg031213
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia do Aparelho Digestivo
De um modo geral, as medidas usuais de prevenção são muito eficientes para diminuir os riscos de infecção no pós‑operatório. Com base nessa informação, assinale a alternativa correta.
APacientes com comorbidades mais severas devem ser internados por mais tempo no pré‑operatório para controle das doenças de base.
BA tricotomia deve ser feita antes da internação pelo paciente.
CA antibioticoterapia profilática só deve ser utilizada em casos de cirurgias potencialmente contaminadas.
DEm cirurgias de alta complexidade, a utilização de antibiótico de amplo espectro está indicada para diminuir infecções pós‑operatórias.
EAs causas mais frequentes de febre no pós‑operatório imediato não estão relacionadas às infecções.
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GabaritoE — As causas mais frequentes de febre no pós‑operatório imediato não estão relacionadas às infecções.
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Prevenção de infecção no pós-operatório
Gabarito: letra E. As causas mais frequentes de febre no pós-operatório imediato (primeiras 24-48 horas) não são infecciosas — predominam atelectasia, resposta inflamatória ao trauma cirúrgico e reações transfusionais. A alternativa correta reflete esse conhecimento clínico consolidado, enquanto as demais distorcem as medidas de prevenção de infecção de sítio cirúrgico (ISC).
A prevenção de infecção no pós-operatório começa no pré-operatório e envolve um conjunto de estratégias baseadas em evidências. O foco principal é reduzir a carga bacteriana da pele e otimizar as condições do paciente, sem medidas desnecessárias ou prejudiciais. A tricotomia, por exemplo, quando necessária, deve ser feita com máquina elétrica (não com lâmina) e o mais próximo possível do ato cirúrgico — nunca antes da internação pelo paciente, pois microlesões da pele criam porta de entrada para bactérias. O banho com clorexidina, o controle glicêmico, a cessação do tabagismo e a identificação/tratamento de infecções remotas são medidas pré-operatórias eficazes.
A antibioticoprofilaxia é indicada para cirurgias limpas com implante de prótese, cirurgias contaminadas e potencialmente contaminadas — não apenas para as potencialmente contaminadas. O antibiótico deve ser administrado por via endovenosa dentro de 60 minutos antes da incisão (2 horas para vancomicina), com dose única ou no máximo 24 horas de duração. O uso de antibiótico de amplo espectro em cirurgias de alta complexidade não é rotina e pode selecionar bactérias resistentes — a escolha deve ser direcionada aos germes mais prováveis, geralmente cefazolina.
A febre no pós-operatório imediato é um desafio diagnóstico clássico. Nas primeiras 48 horas, as causas mais comuns são atelectasia, resposta inflamatória sistêmica ao trauma cirúrgico, reações transfusionais e febre medicamentosa. Infecções de sítio cirúrgico, infecções urinárias e pneumonia costumam manifestar-se após 48-72 horas. Essa distinção temporal é crucial para evitar antibioticoterapia desnecessária e investigação inadequada.
A banca explora a confusão entre "medidas preventivas" e "tratamento" — o candidato que não domina o conceito de profilaxia antibiótica e os cuidados pré-operatórios tende a marcar alternativas que parecem razoáveis, mas contrariam as diretrizes. A chave é lembrar que prevenção eficaz é aquela baseada em evidências, sem excessos.
0-48hAtelectasia, reação inflamatória, transfusão
48-72hITU, pneumonia, ISC superficial
>72hAbscesso, deiscência, infecção profunda
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Pacientes com comorbidades severas não devem ser internados por mais tempo no pré-operatório para controle das doenças de base. A internação prolongada aumenta o risco de colonização por bactérias hospitalares e infecções nosocomiais. O controle das comorbidades deve ser feito ambulatorialmente, com otimização clínica antes da cirurgia eletiva — não com internação prolongada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A tricotomia não deve ser feita antes da internação pelo paciente. Quando necessária, deve ser realizada no dia da cirurgia, com máquina elétrica de cortar cabelo, e nunca com lâmina de barbear — que causa microlesões e aumenta o risco de infecção. A tricotomia feita em casa, sem técnica adequada, é fator de risco para ISC.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A antibioticoterapia profilática não se restringe a cirurgias potencialmente contaminadas. Está indicada também em cirurgias limpas com implante de material protético, cirurgias contaminadas e em pacientes com fatores de risco. A profilaxia deve cobrir Staphylococcus aureus em feridas limpas e ser ampliada conforme o tipo de cirurgia e risco de contaminação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Em cirurgias de alta complexidade, o uso de antibiótico de amplo espectro não está indicado rotineiramente. A escolha do antibiótico profilático deve ser direcionada aos patógenos mais prováveis para o tipo de cirurgia — geralmente cefazolina (cobertura para S. aureus e estreptococos). O uso de antibióticos de amplo espectro sem indicação precisa aumenta o risco de resistência bacteriana e infecções por Clostridioides difficile.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As causas mais frequentes de febre no pós-operatório imediato (primeiras 24-48 horas) não estão relacionadas a infecções. Predominam atelectasia, resposta inflamatória ao trauma cirúrgico, reações transfusionais e febre medicamentosa. Infecções de sítio cirúrgico, infecções urinárias e pneumonia manifestam-se tipicamente após 48-72 horas. Essa distinção temporal é fundamental para a conduta clínica — evitar antibioticoterapia empírica desnecessária nas primeiras 48 horas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca induz o candidato a associar "prevenção de infecção" com "antibióticos" e "internação", quando a abordagem correta é baseada em evidências: tricotomia no dia da cirurgia, profilaxia direcionada e reconhecimento de que a febre precoce raramente é infecciosa. O erro clássico é marcar a alternativa D, confundindo "alta complexidade" com "amplo espectro" — a profilaxia é direcionada, não ampla.
PEGA ESSA DICA!
Memorize a cronologia da febre pós-operatória: 0-48h → atelectasia, reação inflamatória, transfusão; 48-72h → infecção urinária, pneumonia, ISC superficial; >72h → abscesso, deiscência, infecção profunda. Essa linha do tempo resolve a maioria das questões sobre febre pós-operatória.