Paciente 64 anos de idade, DRC dialítica (3x na semana, dialisa por cateter de longa permanência), internada na enfermaria de clínica médica para investigação de quadro de dispneia. Inicialmente na admissão, visto padrão B predominando nos pulmões ao POCUS e veia cava turgida. Quadro em ampla melhora após receber furosemida e realizar hemodiálise. O interno do leito refere resultado de um par de hemocultura coletada no momento da admissão: candida albicans. Paciente afebril, estável hemodinamicamente, em melhora clínica.Com base nessa situação hipotética, assinale qual é a conduta mais adequada.
Aconsiderar contaminação e proceder a alta hospitalar
Bconsiderar contaminação, repetir hemoculturas com a paciente internada em observação
Crepetir hemoculturas, iniciar antifúngico EV, investigar endocardite e discutir retirada de cateter com a cirurgia vascular
Dalta hospitalar com fluconazol via oral por 14 dias
Erepetir hemoculturas, solicitar ecocardiograma transtorácico, caso ecocardiograma normal, paciente pode checar resultado de hemoculturas ambulatorialmente
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — repetir hemoculturas, iniciar antifúngico EV, investigar endocardite e discutir retirada de cateter com a cirurgia vascular
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Candidemia em paciente em hemodiálise: conduta frente a hemocultura positiva para Candida
Gabarito: letra C. Em paciente com DRC dialítica por cateter de longa permanência, a hemocultura positiva para Candida albicans não pode ser tratada como contaminação — exige repetição das hemoculturas, início de antifúngico endovenoso, investigação de endocardite e discussão da retirada do cateter. A conduta se baseia no alto risco de candidemia associada a cateter e na necessidade de tratamento agressivo nesse cenário.
A candidemia é uma infecção de corrente sanguínea causada por fungos do gênero Candida, sendo a Candida albicans a espécie mais comum. Em pacientes com cateter venoso central de longa permanência, como o utilizado para hemodiálise, o cateter é a principal porta de entrada para a infecção. A presença de fungemia em paciente dialítico não é evento raro e está associada a alta morbimortalidade, especialmente se não tratada adequadamente. O fato de a paciente estar afebril e estável hemodinamicamente não exclui a gravidade da situação — a candidemia pode cursar com poucos sintomas iniciais, mas evoluir para sepse, endocardite ou outras complicações metastáticas.
A conduta correta envolve múltiplas frentes. Primeiro, repetir as hemoculturas para confirmar a fungemia e avaliar a persistência da infecção. Segundo, iniciar antifúngico endovenoso — a equinocandina é a classe de escolha para tratamento empírico de candidemia em pacientes críticos ou com cateter. Terceiro, investigar endocardite, pois a candidemia pode complicar com endocardite infecciosa, especialmente em pacientes com dispositivos intravasculares. Quarto, discutir a retirada do cateter com a cirurgia vascular, pois a persistência do foco infeccioso no cateter é um dos principais fatores de falha terapêutica e recorrência.
A alternativa C é a única que contempla todas essas medidas de forma integrada. As demais alternativas subestimam a gravidade da candidemia, tratando-a como contaminação ou propondo condutas insuficientes ou inadequadas. A banca explora a falsa sensação de segurança que a estabilidade clínica da paciente pode gerar, levando o candidato a considerar a hemocultura como contaminante.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que, por a paciente estar afebril e estável, a hemocultura positiva para Candida é apenas contaminação. Isso é um erro grave: em paciente com cateter de longa permanência, a positividade para Candida em hemocultura é altamente sugestiva de candidemia verdadeira, independentemente do estado clínico. A estabilidade hemodinâmica não exclui a infecção — ela apenas indica que a paciente ainda não desenvolveu sepse grave.
1Repetir hemoculturas
2Iniciar antifúngico EV
3Investigar endocardite
4Discutir retirada do cateter
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Considerar contaminação e proceder à alta hospitalar é conduta extremamente perigosa. A hemocultura positiva para Candida em paciente com cateter de longa permanência não pode ser desprezada como contaminação, pois a Candida é um patógeno real e o cateter é um foco infeccioso clássico. A alta hospitalar sem tratamento expõe a paciente a risco de sepse, endocardite e outras complicações graves.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Repetir as hemoculturas com a paciente internada em observação, sem iniciar antifúngico, é conduta insuficiente. Embora a repetição das hemoculturas seja parte da conduta correta, a simples observação sem tratamento não é aceitável diante de uma fungemia provável. A demora no início do antifúngico aumenta a mortalidade. A alternativa ignora a necessidade de tratamento imediato e de investigação de complicações.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta mais adequada. Repetir hemoculturas confirma a fungemia e avalia a persistência. Iniciar antifúngico EV é essencial — equinocandina é a escolha empírica. Investigar endocardite é obrigatório, pois a candidemia pode complicar com endocardite, especialmente com cateter. Discutir a retirada do cateter com a cirurgia vascular é fundamental para erradicar o foco infeccioso. Todas as medidas são necessárias e integradas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Alta hospitalar com fluconazol oral por 14 dias é inadequada. A paciente está internada com candidemia provável e necessita de antifúngico endovenoso, não oral. O fluconazol oral não é a primeira escolha para tratamento de candidemia em paciente com cateter, e a alta sem investigação de endocardite e sem discutir a retirada do cateter é negligente. Além disso, a duração do tratamento para candidemia é geralmente de 14 dias após a primeira hemocultura negativa, não um esquema fixo de 14 dias.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Repetir hemoculturas e solicitar ecocardiograma transtorácico é parcialmente correto, mas a conduta de permitir que a paciente cheque o resultado ambulatorialmente é inadequada. A paciente está internada e com fungemia provável — não pode ser liberada sem tratamento. Além disso, o ecocardiograma transtorácico tem baixa sensibilidade para endocardite em pacientes com cateter; o ecocardiograma transesofágico é o exame de escolha. A alternativa subestima a gravidade e propõe seguimento ambulatorial inadequado.