O exame físico do hemitórax esquerdo de um paciente internado na enfermaria de clínica médica, com dispneia, revelou: ausculta abolida, frêmito toracovocal abolido, percussão maciça. O POCUS realizado em transição toracoabdominal evidencia a imagem a seguir.Com base nessa situação hipotética, é correto afirmar que a alteração patológica percebida no exame físico e no exame complementar trata‑se de
Aderrame pleural e atelectasia.
Bpneumotórax.
Cconsolidação pulmonar.
Dcavitação pulmonar.
Enódulos pleurais calcificados.
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GabaritoA — derrame pleural e atelectasia.
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Derrame pleural e atelectasia: a síndrome de derrame pleural
Gabarito: letra A. O quadro descrito — ausculta abolida, frêmito toracovocal abolido e percussão maciça no hemitórax esquerdo — é a tríade clássica do derrame pleural, e a imagem de POCUS em transição toracoabdominal confirma a presença de líquido, que comprime o parênquima pulmonar adjacente, gerando atelectasia por compressão. A alternativa correta é a letra A, pois o derrame pleural explica os achados do exame físico e a atelectasia é a consequência esperada da compressão extrínseca do pulmão pelo líquido.
O derrame pleural é a presença de líquido no espaço pleural, entre a pleura visceral e a parietal. Esse líquido pode ser um transudato (como na insuficiência cardíaca, cirrose ou síndrome nefrótica) ou um exsudato (como em pneumonias, neoplasias, tuberculose ou embolia pulmonar). O acúmulo de líquido impede a transmissão das vibrações vocais (frêmito toracovocal abolido), substitui o som claro pulmonar por macicez à percussão e afasta as pleuras, abolindo o murmúrio vesicular na ausculta. É exatamente essa tríade que o enunciado descreve.
A atelectasia, por sua vez, é o colabamento dos alvéolos pulmonares. No contexto do derrame pleural, ela ocorre por mecanismo não obstrutivo: o líquido comprime o parênquima pulmonar de forma extrínseca, impedindo a entrada de ar e levando ao colapso alveolar. Essa é a chamada atelectasia por compressão, que se soma aos achados do derrame. No exame físico, a atelectasia também cursa com frêmito toracovocal diminuído ou abolido, percussão maciça e murmúrio vesicular abolido — ou seja, os achados se sobrepõem aos do derrame, reforçando o diagnóstico combinado.
A distinção entre as síndromes pleuropulmonares é o ponto central desta questão. O pneumotórax, por exemplo, também cursa com ausculta abolida e frêmito abolido, mas a percussão é timpânica (hiper-ressonante), não maciça — porque há ar, e não líquido, no espaço pleural. Já a consolidação pulmonar (como na pneumonia) apresenta frêmito toracovocal aumentado, percussão maciça e murmúrio vesicular substituído por respiração brônquica, com estertores finos — um padrão oposto ao do derrame. A cavitação pulmonar e os nódulos pleurais calcificados não produzem a tríade descrita. A tabela abaixo resume as diferenças:
Critério
Derrame pleural
Pneumotórax
Consolidação
Frêmito toracovocal
Abolido/diminuído
Abolido
Aumentado
Percussão
Maciça
Timpânica
Maciça
Ausculta
MV abolido
MV abolido
Respiração brônquica, estertores
Conteúdo no espaço
Líquido
Ar
Exsudato intra-alveolar
A pegadinha da banca está em oferecer o pneumotórax como distrator: ele compartilha a ausculta abolida e o frêmito abolido, mas a percussão timpânica o diferencia de forma inequívoca. O candidato que memoriza apenas "ausculta abolida = pneumotórax" erra a questão. O critério decisivo é a percussão: maciça aponta para líquido (derrame), timpânica aponta para ar (pneumotórax).
A alternativa está correta porque o derrame pleural explica a tríade do exame físico (ausculta abolida, frêmito abolido, percussão maciça) e a atelectasia por compressão é a consequência esperada do acúmulo de líquido comprimindo o parênquima pulmonar. O POCUS em transição toracoabdominal evidencia o líquido pleural, confirmando o diagnóstico. A atelectasia não obstrutiva, por compressão extrínseca, é exatamente o que ocorre no derrame pleural de grande volume.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O pneumotórax também cursa com ausculta abolida e frêmito toracovocal abolido, mas a percussão é timpânica (hiper-ressonante), não maciça. Isso ocorre porque há ar, e não líquido, no espaço pleural. A percussão maciça descarta o pneumotórax e aponta para o derrame pleural.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A consolidação pulmonar (pneumonia) apresenta frêmito toracovocal aumentado, não abolido, pois o parênquima consolidado transmite melhor as vibrações vocais. A percussão é maciça, mas a ausculta revela respiração brônquica e estertores finos, não murmúrio vesicular abolido. O padrão é oposto ao descrito no enunciado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A cavitação pulmonar (como na tuberculose ou abscesso) não produz a tríade de ausculta abolida, frêmito abolido e percussão maciça. O exame físico pode ser variável, mas não apresenta o padrão clássico de derrame pleural descrito no enunciado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Nódulos pleurais calcificados (como na asbestose ou sequelas de tuberculose) não cursam com ausculta abolida, frêmito abolido e percussão maciça. São achados geralmente assintomáticos ou com exame físico pouco específico, sem a síndrome de derrame pleural.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece o pneumotórax como distrator porque ele compartilha a ausculta abolida e o frêmito abolido com o derrame pleural. A diferença está na percussão: maciça = líquido (derrame), timpânica = ar (pneumotórax). Memorize essa distinção — é o critério que separa as duas síndromes.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as síndromes pleuropulmonares na prova, monte um quadro mental com três colunas: frêmito (aumentado na consolidação, abolido no derrame e no pneumotórax), percussão (maciça no derrame e na consolidação, timpânica no pneumotórax) e ausculta (brônquica na consolidação, abolida no derrame e no pneumotórax). O cruzamento desses três sinais resolve a maioria das questões.
Gabarito: letra A — derrame pleural e atelectasia.