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Questão de Medicina — Lúpus Eritematoso Disseminado (LED) — Quadrix 2023

MedicinaLúpus Eritematoso Disseminado (LED)
Código
qg031226
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Clínico Geral - Rotina Hospitalar
Assinale a alternativa com o caso de paciente com lúpus, que apresenta a menor probabilidade de realizar pulsoterapia com corticoesteroides?
  1. A33 anos de idade, dor articular refrataria a analgesia comum. Hb 11,7 leuco 5500 plaq 360 mil ureia 33 creatinina 1,2
  2. B23 anos de idade, espumuria e anasarca, ureia 220 creatinina de 4,0 biopsia renal ‑ nefrite lúpica classe iv
  3. C27 anos de idade, fraqueza hb 6,5 dhl aumentado, bilirrubina indireta 3,5 leuco 970 plaq 17.000
  4. D45 anos de idade, dispneia, dor torácica, ecocardiograma com derrame pericárdio, restrição de câmaras direitas, abafamento de bulhas, estase jugular e hipotensão arterial
  5. E32 anos de idade, ureia 340, cr 12,7. Usg de rins e vias com manutenção da relação corticomedular, c3 e c4 consumidos, fan e anti‑dna positivos
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GabaritoA — 33 anos de idade, dor articular refrataria a analgesia comum. Hb 11,7 leuco 5500 plaq 360 mil ureia 33 creatinina 1,2

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pulsoterapia com Corticosteroides no Lúpus Eritematoso Sistêmico

Gabarito: letra A. A paciente de 33 anos com dor articular refratária a analgesia comum e exames laboratoriais praticamente normais (Hb 11,7; leucócitos 5.500; plaquetas 360.000; ureia 33; creatinina 1,2) apresenta a menor probabilidade de necessitar de pulsoterapia com corticosteroides, pois não há evidência de acometimento grave de órgão-alvo, como nefrite proliferativa, anemia hemolítica, trombocitopenia grave ou tamponamento cardíaco — situações que classicamente indicam essa terapia. A pulsoterapia (metilprednisolona 500 mg a 1 g/dia por 3 dias) é reservada para manifestações graves e potencialmente fatais do lúpus, e não para artralgia isolada, que responde a anti-inflamatórios, antimaláricos e corticosteroides em dose baixa a moderada.

A pulsoterapia com corticosteroides é uma estratégia de imunossupressão rápida e potente, utilizada no lúpus eritematoso sistêmico (LES) quando há ameaça iminente à vida ou a função de órgãos vitais. As principais indicações incluem: nefrite lúpica proliferativa (classes III e IV), anemia hemolítica grave, trombocitopenia severa (< 20.000/mm³), hemorragia alveolar, vasculite grave, mielite transversa, psicose lúpica e tamponamento cardíaco. O racional é suprimir rapidamente a resposta inflamatória autoimune antes que o dano orgânico se torne irreversível.

Na prática clínica, a decisão de pulsar baseia-se na gravidade e no tipo de manifestação, não apenas na presença de atividade da doença. Por exemplo, uma artralgia, mesmo refratária a analgesia comum, é uma manifestação musculoesquelética que não coloca o paciente em risco imediato; já uma nefrite classe IV, uma anemia hemolítica com Hb 6,5 ou um tamponamento cardíaco são emergências que exigem intervenção agressiva. A banca explora exatamente essa distinção: o candidato pode pensar que "dor articular refratária" é grave, mas ela não é uma indicação clássica de pulsoterapia, ao contrário das outras alternativas que apresentam quadros de alto risco.

A pegadinha central desta questão é a inversão do raciocínio: a banca pede a alternativa com menor probabilidade de pulsoterapia, e não a maior. O aluno que busca a manifestação mais grave acaba marcando a letra B, D ou E, quando a resposta correta é justamente a que parece menos urgente. Para acertar, é preciso ter claro o espectro de gravidade das manifestações do LES e saber quais delas são emergências que justificam pulsoterapia. Guarde a fronteira: manifestações articulares e cutâneas leves → tratamento conservador; acometimento renal proliferativo, hematológico grave, cardíaco com tamponamento ou neurológico → pulsoterapia.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paciente de 33 anos apresenta dor articular refratária a analgesia comum, mas os exames laboratoriais são praticamente normais: Hb 11,7 (sem anemia), leucócitos 5.500 (sem leucopenia), plaquetas 360.000 (sem trombocitopenia), ureia 33 e creatinina 1,2 (sem disfunção renal). Não há evidência de acometimento grave de órgão-alvo. A artralgia, mesmo refratária a analgesia comum, é uma manifestação musculoesquelética que não ameaça a vida e não é indicação clássica de pulsoterapia. O tratamento inicial seria com anti-inflamatórios, antimaláricos (hidroxicloroquina) e, se necessário, corticosteroides em dose baixa a moderada. Portanto, é a alternativa com menor probabilidade de pulsoterapia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A paciente de 23 anos apresenta espumúria e anasarca, ureia 220, creatinina 4,0 e biópsia renal com nefrite lúpica classe IV. A nefrite lúpica proliferativa (classes III e IV) é uma das indicações mais clássicas de pulsoterapia com metilprednisolona, seguida de imunossupressão com ciclofosfamida ou micofenolato de mofetila. A insuficiência renal aguda com creatinina 4,0 e síndrome nefrótica (anasarca, espumúria) configura um quadro grave que exige intervenção rápida para evitar dano renal irreversível. Portanto, tem alta probabilidade de pulsoterapia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A paciente de 27 anos apresenta fraqueza, Hb 6,5 (anemia grave), DHL aumentado, bilirrubina indireta 3,5 (sugerindo hemólise), leucócitos 970 (leucopenia grave) e plaquetas 17.000 (trombocitopenia grave). Esse quadro é compatível com anemia hemolítica autoimune e citopenias graves, que são indicações de pulsoterapia com corticosteroides. A hemólise aguda com Hb 6,5 e a trombocitopenia < 20.000/mm³ são emergências hematológicas que exigem imunossupressão rápida. Portanto, tem alta probabilidade de pulsoterapia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A paciente de 45 anos apresenta dispneia, dor torácica, ecocardiograma com derrame pericárdico, restrição de câmaras direitas, abafamento de bulhas, estase jugular e hipotensão arterial. Esse quadro é compatível com tamponamento cardíaco, uma emergência médica que requer drenagem pericárdica imediata e, no contexto do lúpus, pulsoterapia com corticosteroides para controlar a pericardite inflamatória. A hipotensão arterial e a restrição de câmaras direitas indicam comprometimento hemodinâmico grave. Portanto, tem alta probabilidade de pulsoterapia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A paciente de 32 anos apresenta ureia 340, creatinina 12,7 (insuficiência renal avançada), USG com manutenção da relação corticomedular, C3 e C4 consumidos, FAN e anti-DNA positivos. Esse quadro é compatível com nefrite lúpica proliferativa grave, provavelmente classe IV, com insuficiência renal aguda. O consumo de complemento e a positividade do anti-DNA são marcadores de atividade da doença renal. A nefrite lúpica proliferativa é uma indicação clássica de pulsoterapia com metilprednisolona, seguida de imunossupressão. Portanto, tem alta probabilidade de pulsoterapia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca pede a alternativa com menor probabilidade de pulsoterapia, e não a maior. O candidato que busca a manifestação mais grave acaba marcando a letra B, D ou E, quando a resposta correta é justamente a que parece menos urgente. Para acertar, é preciso ter claro o espectro de gravidade das manifestações do LES e saber quais delas são emergências que justificam pulsoterapia. Com treino, você enxerga essa inversão de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de pulsoterapia no lúpus, monte um mapa mental das indicações clássicas: nefrite proliferativa (III e IV), anemia hemolítica grave, trombocitopenia severa, hemorragia alveolar, vasculite grave, mielite transversa, psicose lúpica e tamponamento cardíaco. Manifestações articulares, cutâneas leves e serosites sem comprometimento hemodinâmico não são indicações de pulsoterapia. Essa distinção é o que separa a alternativa correta das demais.

Gabarito: letra A

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