Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Quadrix 2023
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg031229
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Clínico Geral - Rotina Hospitalar
Mulher de 87 anos de idade, hipertensa, dá entrada no pronto‑socorro com queixa de dispneia progressiva há duas semanas. Raio X de tórax com derrame pleural bilateral e cefalização de trama vascular ao raio X de tórax. Ecocardiograma: FE 56 %, aumento de átrio esquerdo, ritmo irregular, psap levemente aumentada. Sem mais alterações dignas de nota. FC de 110 bpm.Com base nessa situação hipotética, a respeito da etiologia da dispneia da paciente, é correto afirmar que se trata de
Afibrilação atrial.
Bapneia obstrutiva do sono.
Ctromboembolismo pulmonar crônico.
Dinsuficiência cardíaca.
Efibrose pulmonar idiopática.
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GabaritoD — insuficiência cardíaca.
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Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEp)
Gabarito: letra D. A dispneia da paciente é causada por insuficiência cardíaca (IC), especificamente com fração de ejeção preservada (ICFEp), pois o ecocardiograma mostra FE de 56% (normal), aumento do átrio esquerdo e PSAP levemente aumentada, associados a sinais radiológicos de congestão pulmonar (cefalização da trama vascular e derrame pleural bilateral). O diagnóstico de IC é confirmado pela presença de sinais de aumento das pressões de enchimento ou congestão pulmonar, conforme descrito na literatura.
A insuficiência cardíaca é uma síndrome clínica complexa, na qual o coração é incapaz de bombear sangue de forma adequada às necessidades metabólicas dos tecidos, ou o faz apenas com pressões de enchimento elevadas. Na paciente, a FE preservada (56%) indica que a função sistólica do ventrículo esquerdo está mantida, mas o aumento do átrio esquerdo e a PSAP levemente aumentada sugerem disfunção diastólica, com elevação das pressões de enchimento do ventrículo esquerdo. Essa elevação se transmite retrogradamente ao átrio esquerdo e às veias pulmonares, causando congestão vascular pulmonar, que se manifesta radiologicamente como cefalização da trama vascular e derrame pleural. O ritmo irregular (provavelmente fibrilação atrial) e a taquicardia (FC 110 bpm) são comorbidades que frequentemente acompanham a IC e podem contribuir para a descompensação.
A cefalização da trama vascular pulmonar é um sinal radiológico precoce de hipertensão venocapilar pulmonar, causada pela elevação da pressão no átrio esquerdo, que é transmitida retrogradamente às veias pulmonares. Com a progressão da congestão, ocorre transudação de fluidos para o interstício pulmonar e, eventualmente, para os alvéolos, causando derrame pleural e edema pulmonar. O derrame pleural bilateral, mais intenso à direita, é um achado comum na IC crônica com elevação importante da pressão venosa sistêmica.
O ecocardiograma é o exame de imagem mais útil na abordagem do paciente com IC, pois permite identificar o tipo de disfunção cardíaca (sistólica ou diastólica), o aumento das câmaras, a função valvar e as pressões de enchimento. Na paciente, o aumento do átrio esquerdo e a PSAP levemente aumentada são sinais ecocardiográficos de disfunção diastólica e elevação das pressões de enchimento, que, juntamente com os achados clínicos e radiológicos, confirmam o diagnóstico de ICFEp.
A distinção entre as alternativas é crucial: a fibrilação atrial (A) é um ritmo cardíaco irregular que pode ser causa ou consequência da IC, mas não explica isoladamente a congestão pulmonar; a apneia obstrutiva do sono (B) é um distúrbio respiratório do sono que pode contribuir para a IC, mas não explica os achados radiológicos de congestão; o tromboembolismo pulmonar crônico (C) causa hipertensão pulmonar e insuficiência cardíaca direita, mas não explica o aumento do átrio esquerdo; e a fibrose pulmonar idiopática (E) é uma doença pulmonar intersticial que causa dispneia e hipoxemia, mas não explica os sinais de congestão pulmonar. A insuficiência cardíaca (D) é a única alternativa que explica todos os achados da paciente.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que a FE preservada não exclui o diagnóstico de IC. Muitos candidatos podem pensar que, por a FE estar normal (56%), a paciente não tem IC, mas a ICFEp é uma forma comum de IC, especialmente em idosos, hipertensos e mulheres, e se caracteriza por disfunção diastólica com FE normal ou levemente reduzida. Os sinais de congestão pulmonar e o aumento do átrio esquerdo são os achados-chave para o diagnóstico.
Insuficiência cardíaca (IC)
1Tipos
FE reduzida (sistólica)
FE preservada (ICFEp)
FE normal
Disfunção diastólica
2Sinais de congestão
Cefalização da trama vascular
Derrame pleural bilateral
3Achados ecocardiográficos
Aumento do átrio esquerdo
PSAP levemente aumentada
4Comorbidades comuns
Fibrilação atrial
Taquicardia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A fibrilação atrial é um ritmo cardíaco irregular que pode ser causa ou consequência da IC, mas não explica isoladamente a dispneia e a congestão pulmonar da paciente. Embora a paciente apresente ritmo irregular (provavelmente FA), a FA é uma comorbidade que frequentemente acompanha a IC, mas não é a etiologia primária da dispneia. A congestão pulmonar (cefalização da trama vascular e derrame pleural) é explicada pela elevação das pressões de enchimento do ventrículo esquerdo, característica da IC, e não pela FA em si.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A apneia obstrutiva do sono (AOS) é um distúrbio respiratório do sono que pode contribuir para o desenvolvimento de IC, hipertensão arterial e fibrilação atrial, mas não explica os achados radiológicos de congestão pulmonar (cefalização da trama vascular e derrame pleural) nem o aumento do átrio esquerdo. A AOS causa hipoxemia intermitente e aumento do tônus simpático, mas não leva diretamente à congestão pulmonar. O diagnóstico de AOS é clínico e confirmado por polissonografia, não por radiografia de tórax ou ecocardiograma.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O tromboembolismo pulmonar crônico (TEP crônico) pode causar hipertensão pulmonar e insuficiência cardíaca direita, mas não explica o aumento do átrio esquerdo nem a cefalização da trama vascular pulmonar, que são sinais de congestão pulmonar por elevação das pressões de enchimento do ventrículo esquerdo. No TEP crônico, o ecocardiograma mostraria dilatação e disfunção do ventrículo direito, com PSAP elevada, mas o átrio esquerdo geralmente não está aumentado. Além disso, a paciente não apresenta sintomas típicos de TEP, como dor torácica pleurítica ou hemoptise.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A insuficiência cardíaca (IC) é a causa mais provável da dispneia da paciente, especificamente a IC com fração de ejeção preservada (ICFEp). Os achados que sustentam esse diagnóstico são: (1) dispneia progressiva há duas semanas; (2) cefalização da trama vascular pulmonar e derrame pleural bilateral ao raio X de tórax, que são sinais de congestão pulmonar; (3) FE de 56% (normal), aumento do átrio esquerdo e PSAP levemente aumentada ao ecocardiograma, que indicam disfunção diastólica e elevação das pressões de enchimento; (4) ritmo irregular (provavelmente fibrilação atrial) e taquicardia, que são comorbidades comuns na IC. A combinação desses achados é altamente sugestiva de ICFEp, uma forma comum de IC em idosos hipertensos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é uma doença pulmonar intersticial progressiva que causa dispneia aos esforços, tosse seca e hipoxemia, mas não explica os achados radiológicos de congestão pulmonar (cefalização da trama vascular e derrame pleural) nem o aumento do átrio esquerdo. Na FPI, a radiografia de tórax mostraria opacidades reticulares e faveolamento, predominantemente nas bases pulmonares, e o ecocardiograma não mostraria aumento do átrio esquerdo. Além disso, a FPI é mais comum em homens idosos com história de tabagismo, e a paciente não apresenta esses fatores de risco.