Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Quadrix 2023
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg031230
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Clínico Geral - Rotina Hospitalar
A respeito da furosemida, assinale a alternativa correta.
AEm pacientes congestos e com piora de função renal, deve‑se utilizar furosemida associada a pequenas alíquotas de soro fisiológico endovenoso.
BO efeito colateral mais comum é a hipercalemia.
CHipercalcemia é um efeito colateral comumente observado.
DApesar de ser um excelente diurético, em quadros de anasarca, prefere‑se o uso de diuréticos poupadores de potássio associado e acetazolamida.
EPossui ototoxicidade.
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GabaritoE — Possui ototoxicidade.
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Furosemida: farmacologia e efeitos adversos
Gabarito: letra E. A furosemida, diurético de alça, é reconhecidamente ototóxica, especialmente em altas doses, uso parenteral rápido ou associação com outros ototóxicos. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a furosemida causa hipocalemia (não hipercalemia), não causa hipercalcemia, e não é substituída por poupadores de potássio em anasarca — pelo contrário, é o diurético de escolha nesses casos.
A furosemida é um diurético de alça, cujo mecanismo de ação é a inibição do cotransportador Na+/K+/2Cl– na porção ascendente espessa da alça de Henle. Essa inibição reduz a reabsorção de sódio e cloro, aumentando a excreção de água e eletrólitos, incluindo potássio, cálcio e magnésio. Por isso, seus principais efeitos colaterais metabólicos são hipocalemia, hiponatremia, hipomagnesemia e hipocalcemia — exatamente o oposto do que afirmam as alternativas B e C.
A ototoxicidade é um efeito adverso clássico e bem documentado dos diuréticos de alça, incluindo a furosemida. Ela pode se manifestar como zumbido ou perda auditiva, geralmente reversível, mas pode ser permanente em casos de uso prolongado ou em altas doses. O risco aumenta com a administração intravenosa rápida, doses elevadas, insuficiência renal e uso concomitante de outros fármacos ototóxicos, como aminoglicosídeos. Esse é um ponto frequentemente cobrado em provas, pois exige que o candidato conheça os efeitos adversos específicos da classe, não apenas o mecanismo de ação.
Em relação à alternativa A, a associação de furosemida com soro fisiológico em pacientes congestos e com piora de função renal não é uma conduta padronizada. Na verdade, a estratégia em casos de resistência à furosemida envolve otimizar a dose, usar infusão contínua ou associar outras classes de diuréticos, como tiazídicos ou poupadores de potássio. A administração de soro fisiológico poderia agravar a congestão, sendo contraindicada nesse cenário.
A alternativa D também está incorreta: em quadros de anasarca, a furosemida é justamente o diurético de escolha, por sua alta potência. A associação com poupadores de potássio e acetazolamida pode ser útil em casos de resistência, mas não substitui a furosemida como primeira linha. A acetazolamida, inibidora da anidrase carbônica, é usada principalmente para alcalose metabólica associada ao uso de diuréticos de alça, não como alternativa principal em anasarca.
A pegadinha central desta questão é a inversão dos efeitos eletrolíticos: a banca troca hipocalemia por hipercalemia e hipocalcemia por hipercalcemia, explorando o erro comum de quem não domina o perfil de efeitos adversos dos diuréticos de alça. Guarde bem: diuréticos de alça e tiazídicos causam hipocalemia; poupadores de potássio causam hipercalemia.
Efeito Adverso
Furosemida (Diurético de Alça)
Diuréticos Poupadores de Potássio
Potássio sérico
Hipocalemia (↓)
Hipercalemia (↑)
Cálcio sérico
Hipocalcemia (↓)
Sem efeito significativo
Ototoxicidade
Sim (clássico)
Não
Potência diurética
Alta (escolha em anasarca)
Baixa (adjuvante)
Furosemida (diurético de alça): Mecanismo (Inibe Na+/K+/2Cl– na alça de Henle, Aumenta excreção de água e eletrólitos); Efeitos eletrolíticos (Hipocalemia, Hiponatremia, Hipomagnesemia, Hipocalcemia); Efeitos adversos (Ototoxicidade (zumbido, perda auditiva), Alcalose metabólica); Uso clínico (Anasarca (diurético de escolha), Hipercalcemia (aumenta excreção de cálcio))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A conduta descrita não é recomendada. Em pacientes congestos com piora de função renal, a estratégia é otimizar a dose de furosemida, eventualmente com infusão contínua, e associar outras classes de diuréticos (tiazídicos, poupadores de potássio) para superar a resistência. A administração de soro fisiológico endovenoso poderia piorar a congestão, sendo contraindicada. O erro está em sugerir uma medida que agravaria o quadro clínico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O efeito colateral mais comum da furosemida é a hipocalemia, não a hipercalemia. A furosemida aumenta a excreção de potássio na urina, levando à depleção do íon. A hipercalemia é efeito adverso típico dos diuréticos poupadores de potássio, como espironolactona, e de fármacos como IECA e BRA. A banca inverte o efeito eletrolítico, uma pegadinha clássica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A furosemida causa hipocalcemia, não hipercalcemia. O aumento da excreção urinária de cálcio é um efeito dos diuréticos de alça, o que pode levar à redução dos níveis séricos de cálcio. A hipercalcemia não é efeito colateral esperado da furosemida; pelo contrário, a furosemida é usada no tratamento de hipercalcemia justamente por aumentar a excreção de cálcio.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Em quadros de anasarca, a furosemida é o diurético de escolha por sua alta potência e eficácia na remoção de grandes volumes de fluidos. A associação com poupadores de potássio e acetazolamida pode ser considerada em casos de resistência, mas não substitui a furosemida como primeira linha. A alternativa sugere uma conduta que contraria a prática clínica estabelecida.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ototoxicidade é um efeito adverso reconhecido da furosemida e de outros diuréticos de alça. Manifesta-se como zumbido ou perda auditiva, geralmente reversível, mas pode ser permanente em altas doses, uso parenteral rápido ou associação com outros ototóxicos. Este é um efeito colateral bem documentado e frequentemente cobrado em provas de farmacologia.