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Questão de Medicina — Pneumologia — Quadrix 2023

MedicinaPneumologia
Código
qg031231
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Clínico Geral - Rotina Hospitalar
Paciente de 32 anos de idade, tabagista há 17 anos, com antecedente de hepatopatia sem etiologia definida. O paciente compareceu ao consultório com queixa de dispneia progressiva. Ao exame físico, percebe‑se diminuição de murmúrio vesicular em bases. Espirometria com distúrbio ventilatório obstrutivo. Tomografia de tórax com enfisema importante em bases pulmonares, ápices sem grandes alterações.Com base nessa situação hipotética, a etiologia mais provável para esse caso seria
  1. ADPOC por tabagismo.
  2. Benfisema pulmonar por possível deficiência de alfa‑1‑antitripsina.
  3. Casma.
  4. Dbronquite crônica.
  5. Efibrose pulmonar idiopática.
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GabaritoB — enfisema pulmonar por possível deficiência de alfa‑1‑antitripsina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Deficiência de Alfa-1-Antitripsina e Enfisema Pulmonar

Gabarito: letra B. O caso descreve um paciente jovem (32 anos), tabagista, com enfisema de predomínio basal e hepatopatia de etiologia indefinida — a tríade clássica que levanta a suspeita de deficiência de alfa-1-antitripsina (AAT), uma condição genética que cursa com enfisema panlobular de predomínio basal e doença hepática. Embora o tabagismo seja a causa mais comum de DPOC, a distribuição basal do enfisema e a idade precoce (< 45 anos) são os achados que direcionam o diagnóstico para a deficiência de AAT, tornando a alternativa B a mais provável.

A deficiência de alfa-1-antitripsina é um distúrbio genético autossômico codominante, causado por mutações no gene SERPINA1, que resulta em níveis séricos reduzidos da enzima inibidora de protease. A AAT é a principal antiprotease do soro e sua função é proteger o tecido pulmonar da ação destrutiva da elastase neutrofílica. Na sua ausência, há um desequilíbrio entre proteases e antiproteases, levando à destruição progressiva do parênquima pulmonar, caracterizando o enfisema. O padrão de enfisema na deficiência de AAT é tipicamente panlobular (panacinar), com predomínio nas bases pulmonares, ao contrário do enfisema centrolobular do tabagismo, que predomina nos ápices. Além do pulmão, a AAT também é produzida no fígado, e a forma mutante da proteína (alelo Z) se acumula nos hepatócitos, causando doença hepática — o que explica a hepatopatia de etiologia indefinida no paciente.

A suspeita clínica de deficiência de AAT deve ser levantada em pacientes com DPOC que apresentam características atípicas, como: idade precoce (< 45 anos), enfisema de predomínio basal, ausência de tabagismo ou tabagismo leve, história familiar de DPOC ou doença hepática, e hepatopatia de causa desconhecida. O diagnóstico é confirmado pela dosagem sérica de AAT (valores < 11 µmol/L ou < 80 mg/dL indicam deficiência) e pela genotipagem. O tratamento específico inclui a terapia de reposição com AAT intravenosa, além das medidas padrão para DPOC, como cessação do tabagismo e broncodilatadores.

A distinção entre o enfisema por deficiência de AAT e o enfisema por tabagismo é crucial, pois muda a abordagem diagnóstica e terapêutica. Enquanto o enfisema do tabagista é centrolobular e apical, o da deficiência de AAT é panlobular e basal. A idade de início também difere: a deficiência de AAT costuma se manifestar antes dos 45 anos, enquanto a DPOC tabágica clássica se manifesta após os 50-60 anos. A presença de hepatopatia é um forte indicativo de deficiência de AAT, pois o tabagismo isolado não causa doença hepática.

A pegadinha desta questão está em não se deixar levar pelo tabagismo como causa óbvia de DPOC. O examinador propositalmente incluiu o tabagismo para induzir o candidato a escolher a alternativa A, mas os detalhes do caso — idade jovem, enfisema basal e hepatopatia — são os sinais de alerta que apontam para a etiologia genética. O candidato deve estar atento a esses "red flags" que indicam a necessidade de investigar causas menos comuns de DPOC.

Guarde o critério decisivo: enfisema de predomínio basal + idade < 45 anos + hepatopatia = suspeita de deficiência de alfa-1-antitripsina, mesmo em tabagistas. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A DPOC por tabagismo é a causa mais comum de enfisema, mas o padrão típico é o centrolobular, com predomínio apical. O paciente apresenta enfisema basal, o que é atípico para o tabagismo isolado. Além disso, a idade de 32 anos é precoce para a DPOC tabágica clássica, que costuma se manifestar após a quinta década. A presença de hepatopatia também não é explicada pelo tabagismo. Esses achados atípicos afastam o tabagismo como etiologia mais provável.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A combinação de enfisema basal (panlobular), idade jovem (< 45 anos) e hepatopatia de etiologia indefinida é a tríade clássica que sugere deficiência de alfa-1-antitripsina. O tabagismo pode ser um fator agravante, mas não explica o padrão basal do enfisema nem a doença hepática. A deficiência de AAT é a etiologia mais provável, pois explica todos os achados do caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A asma é uma doença obstrutiva reversível, com início geralmente na infância e associação com atopia e alergia. O paciente apresenta espirometria com distúrbio obstrutivo e tomografia com enfisema, achados incompatíveis com asma. A asma não causa enfisema nem hepatopatia. A idade de início e o padrão tomográfico afastam esse diagnóstico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A bronquite crônica é definida por tosse produtiva por mais de 3 meses em 2 anos consecutivos, e não é caracterizada por enfisema na tomografia. O paciente não apresenta tosse produtiva como sintoma principal, e sim dispneia progressiva com enfisema basal. A bronquite crônica não explica a hepatopatia nem o padrão basal do enfisema.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é uma doença intersticial pulmonar, caracterizada por tosse seca, dispneia progressiva e crepitações em velcro, com padrão tomográfico de pneumonia intersticial usual (UIP) — fibrose em favo de mel, predominantemente basal e subpleural. A espirometria na FPI mostra distúrbio ventilatório restritivo, não obstrutivo. O paciente apresenta distúrbio obstrutivo e enfisema, não fibrose, afastando esse diagnóstico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inclui o tabagismo para induzir o candidato a escolher a alternativa A (DPOC por tabagismo), que é a causa mais comum de enfisema. No entanto, os detalhes do caso — idade jovem, enfisema basal e hepatopatia — são os "red flags" que apontam para a deficiência de alfa-1-antitripsina. O candidato deve desconfiar quando o quadro de DPOC apresenta características atípicas, como predomínio basal do enfisema e doença hepática associada. Com treino, você aprende a identificar esses sinais de alerta e a não cair nessa armadilha 💪.

PEGA ESSA DICA!

Na hora da prova, memorize os "red flags" para suspeitar de deficiência de alfa-1-antitripsina em pacientes com DPOC: idade < 45 anos, enfisema de predomínio basal, hepatopatia de causa desconhecida, história familiar de DPOC ou doença hepática, e tabagismo ausente ou leve. Se o caso clínico trouxer qualquer uma dessas características, a deficiência de AAT deve estar entre os diagnósticos mais prováveis.

Gabarito: letra B

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