Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oncologia — Quadrix 2023

MedicinaOncologia
Código
qg031235
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Coloproctologia
No mundo, anualmente, são diagnosticados cerca de um milhão de novos casos de câncer de cólon e reto, o que corresponde a 9,4% de todos os tumores malignos. Com base nessa informação, assinale a alternativa correta a respeito dessa doença.
  1. AA hiperinsulinemia diminui o risco de câncer colorretal, modulando o crescimento da célula da mucosa colônica.
  2. BA perda de função de proteínas de reparo do DNA, como hMLH1 e hMSH2, é considerada a base fisiopatológica biomolecular do câncer colorretal hereditário não polipoide.
  3. CO antígeno carcinoembriônico (CEA) tem elevada especificidade para câncer colorretal, sendo um importante fator diagnóstico.
  4. DA quimioterapia adjuvante só está indicada nos tumores estádio III e IV.
  5. EA videolaparoscopia, como via de acesso, é inferior à cirurgia aberta, no tocante aos resultados oncológicos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A perda de função de proteínas de reparo do DNA, como hMLH1 e hMSH2, é considerada a base fisiopatológica biomolecular do câncer colorretal hereditário não polipoide.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer colorretal: bases moleculares e diagnóstico

Gabarito: letra B. A perda de função das proteínas de reparo do DNA (hMLH1 e hMSH2) é, de fato, a base fisiopatológica biomolecular do câncer colorretal hereditário não polipoide (síndrome de Lynch), que decorre de mutações em genes do sistema de reparo de pareamento incorreto (MMR). As demais alternativas apresentam erros conceituais: a hiperinsulinemia aumenta o risco, o CEA tem baixa especificidade diagnóstica, a quimioterapia adjuvante pode ser indicada em estádios mais precoces selecionados, e a videolaparoscopia não é inferior à cirurgia aberta em resultados oncológicos.

O câncer colorretal (CCR) é uma das neoplasias mais comuns no mundo, e seu desenvolvimento envolve múltiplas vias moleculares. A via mais conhecida é a sequência adenoma-carcinoma, na qual mutações sucessivas em genes como APC, KRAS, TP53 e DCC levam à progressão do epitélio normal até o adenocarcinoma. Porém, existe uma via alternativa, a via do reparo de pareamento incorreto (mismatch repair, MMR), que é a base da síndrome de Lynch — também chamada de câncer colorretal hereditário não polipoide (HNPCC). Nessa síndrome, há mutações germinativas em genes como MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2, que codificam proteínas responsáveis por corrigir erros de pareamento de bases durante a replicação do DNA. Quando essas proteínas perdem a função, ocorre acúmulo de mutações, especialmente em regiões de sequências repetitivas (microssatélites), levando à instabilidade de microssatélites (MSI) e ao desenvolvimento tumoral. Essa é a base fisiopatológica biomolecular descrita na alternativa B.

A hiperinsulinemia, por sua vez, é um fator de risco para o CCR, não um fator protetor. A insulina e o fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1) atuam como mitógenos, estimulando a proliferação celular da mucosa colônica e inibindo a apoptose. Por isso, condições associadas à hiperinsulinemia, como obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica, aumentam o risco de CCR. A alternativa A inverte completamente essa relação.

O antígeno carcinoembriônico (CEA) é um marcador tumoral utilizado principalmente no acompanhamento de pacientes com CCR, especialmente na detecção de recidiva após tratamento cirúrgico. No entanto, sua especificidade é baixa: pode estar elevado em outras neoplasias (pâncreas, estômago, pulmão, mama) e em condições benignas (tabagismo, doenças inflamatórias intestinais, hepatopatias). Portanto, não é um fator diagnóstico com elevada especificidade, sendo inadequado para rastreamento ou diagnóstico primário.

A quimioterapia adjuvante no CCR é indicada principalmente para tumores estádio III (linfonodos positivos) e, em casos selecionados, para estádio II de alto risco (por exemplo, com obstrução, perfuração, poucos linfonodos avaliados, ou características moleculares desfavoráveis). Não se restringe apenas aos estádios III e IV, como afirma a alternativa D. No estádio IV, a quimioterapia é geralmente paliativa ou neoadjuvante, e não adjuvante no sentido clássico.

A cirurgia videolaparoscópica para o CCR é uma via de acesso consagrada, com resultados oncológicos equivalentes à cirurgia aberta, desde que realizada por cirurgiões experientes e respeitando os princípios oncológicos (ressecção adequada, linfadenectomia, margens negativas). Estudos randomizados, como o COLOR II e o CLASICC, demonstraram não inferioridade da via laparoscópica em relação à aberta, com vantagens como menor dor, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. A alternativa E está incorreta ao afirmar inferioridade.

A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca troca fatores de risco por protetores (hiperinsulinemia), marcador de seguimento por diagnóstico (CEA), indicação de quimioterapia por estádios mais amplos, e equivalência cirúrgica por inferioridade. A alternativa B, por sua vez, exige conhecimento específico da síndrome de Lynch, que é um tema clássico em oncologia e cirurgia colorretal.

Câncer colorretal
  • 1Vias moleculares
    • Adenoma-carcinoma (APC, KRAS, TP53)
    • Reparo de pareamento incorreto (MMR)
      • Genes: MLH1, MSH2, MSH6, PMS2
      • Instabilidade de microssatélites (MSI)
      • Síndrome de Lynch (HNPCC)
  • 2Fatores de risco
    • Hiperinsulinemia (insulina e IGF-1)
    • Obesidade, diabetes tipo 2
  • 3Marcador tumoral
    • CEA: baixa especificidade
    • Uso: seguimento/recidiva
  • 4Tratamento
    • Quimioterapia adjuvante
      • Estádio III
      • Estádio II de alto risco
    • Cirurgia
      • Videolaparoscopia = aberta (não inferior)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hiperinsulinemia aumenta o risco de câncer colorretal, e não o diminui. A insulina e o IGF-1 promovem proliferação celular e inibem a apoptose na mucosa colônica, atuando como fatores de crescimento tumoral. A alternativa inverte a relação de causalidade.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A síndrome de Lynch (câncer colorretal hereditário não polipoide) é causada por mutações germinativas em genes do sistema de reparo de pareamento incorreto (MMR), como MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2. A perda de função dessas proteínas leva à instabilidade de microssatélites e ao acúmulo de mutações, sendo essa a base fisiopatológica biomolecular da doença. A alternativa está correta ao citar hMLH1 e hMSH2 como exemplos dessas proteínas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O CEA tem baixa especificidade para câncer colorretal. Pode estar elevado em outras neoplasias e em condições benignas, como tabagismo e doenças inflamatórias intestinais. Seu papel principal é o monitoramento de recidiva após tratamento, não o diagnóstico primário.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A quimioterapia adjuvante é indicada para tumores estádio III e, em casos selecionados, para estádio II de alto risco. Não se restringe apenas aos estádios III e IV. No estádio IV, a quimioterapia é geralmente paliativa ou neoadjuvante, não adjuvante.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A videolaparoscopia é equivalente à cirurgia aberta em resultados oncológicos, com vantagens como menor dor e recuperação mais rápida. Estudos randomizados demonstraram não inferioridade da via laparoscópica, desde que respeitados os princípios oncológicos.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/qg031235