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Questão de Medicina — Gastroenterologia — Quadrix 2023

MedicinaGastroenterologia
Código
qg031238
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Coloproctologia
A fissura anal é uma das doenças mais frequentes na prática coloproctológica. O sangramento e a dor anal são sintomas que preocupam os pacientes. Com base nessas informações, é correto afirmar que
  1. Aa localização mais comum é a linha média anterior.
  2. Ba fissura anal crônica é aquela com duração de sintomas por mais de seis semanas.
  3. Ca tríade clássica da fissura anal aguda é: fissura; papila hipertrófica; e plicoma sentinela.
  4. Da esfincterotomia química, com bloqueadores de canais de cálcio, aumenta o relaxamento do esfíncter anal externo, reduzindo a pressão anal de repouso.
  5. Ea fissura manifestada na doença de Crohn, geralmente, afeta a linha média e é muito dolorosa.
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GabaritoB — a fissura anal crônica é aquela com duração de sintomas por mais de seis semanas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fissura anal: definição, classificação e tratamento

Gabarito: letra B. A fissura anal é classificada como crônica quando os sintomas persistem por mais de seis semanas, conforme a literatura médica de referência. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a localização mais comum é a linha média posterior, a tríade clássica descrita pertence à fissura crônica (não à aguda), a esfincterotomia química atua sobre o esfíncter anal interno (não o externo) e as fissuras na doença de Crohn costumam ser laterais e menos dolorosas.

A fissura anal é uma ulceração linear no canal anal, geralmente causada por trauma local, como a passagem de fezes endurecidas. O sintoma cardinal é a dor intensa durante e após a evacuação, frequentemente acompanhada de sangramento escasso. A compreensão da fisiopatologia é essencial: após o trauma inicial, a hipertonia do esfíncter anal interno reduz o fluxo sanguíneo local, prejudicando a cicatrização e podendo cronificar a lesão. É por isso que o tratamento visa relaxar esse esfíncter, seja por medidas clínicas, seja por procedimentos cirúrgicos.

A classificação temporal é um dos pontos mais cobrados. A literatura define a fissura como aguda quando os sintomas duram entre 4 e 8 semanas, e crônica quando o quadro persiste além desse período. A alternativa B, ao afirmar que a cronicidade se estabelece após seis semanas, está dentro dessa faixa e é a correta. Vale notar que a banca poderia ter usado "oito semanas" como marco, mas "seis semanas" também é aceito pela maioria das referências, sendo um valor intermediário válido.

O diagnóstico é essencialmente clínico, pela inspeção do canal anal. Na fissura crônica, podem estar presentes o plicoma sentinela (uma prega de pele edemaciada na extremidade distal), a papila hipertrófica (na extremidade proximal) e a visualização das fibras do esfíncter interno no fundo da úlcera. Esses três elementos formam a tríade clássica da fissura crônica, não da aguda — um erro comum que a alternativa C explora.

O tratamento inicial é clínico, com dieta rica em fibras, aumento da ingestão de líquidos, banhos de assento e, em casos de hipertonia marcada, a chamada esfincterotomia química. Esta consiste no uso de medicamentos tópicos, como bloqueadores de canais de cálcio (nifedipino, diltiazem) ou nitratos (pomada de dinitrato de isossorbida), que promovem o relaxamento do esfíncter anal interno, aumentando a perfusão sanguínea local e favorecendo a cicatrização. É importante destacar que o alvo é o esfíncter interno, não o externo — a alternativa D inverte essa informação.

Por fim, é fundamental saber diferenciar a fissura anal típica daquelas associadas a doenças específicas. Fissuras múltiplas, localizadas fora da linha média e pouco dolorosas sugerem doença inflamatória intestinal, especialmente doença de Crohn. Nesses casos, as fissuras tendem a ser mais extensas e podem não apresentar a dor característica da fissura comum. A alternativa E, ao afirmar que as fissuras da doença de Crohn afetam a linha média e são muito dolorosas, está duplamente incorreta.

Guarde esses quatro pontos-chave: localização (linha média posterior), classificação temporal (aguda até 6-8 semanas, crônica após), tríade da fissura crônica (fissura, papila hipertrófica e plicoma sentinela) e o alvo da esfincterotomia química (esfíncter interno). É exatamente nesses detalhes que as alternativas se dividem.

Característica

Fissura Anal Típica (Idiopática)

Fissura Anal na Doença de Crohn

Localização

Linha média posterior (6h)

Fora da linha média (laterais)

Dor

Intensa (durante e após evacuação)

Pouco dolorosa

Quantidade

Geralmente única

Frequentemente múltiplas

1Localização típica
Linha média posterior
Anterior (10%, mulheres)
2Classificação temporal
Aguda (até 4-8 semanas)
Crônica (após 6-8 semanas)
3Tríade da crônica
Fissura
Papila hipertrófica
Plicoma sentinela
4Esfincterotomia química
Alvo: esfíncter interno
Bloqueadores de cálcio
Nitratos tópicos
5Fissura na doença de Crohn
Múltiplas e laterais
Pouco dolorosas
Fissura anal
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Fissura anal: Localização típica (Linha média posterior, Anterior (10%, mulheres)); Classificação temporal (Aguda (até 4-8 semanas), Crônica (após 6-8 semanas)); Tríade da crônica (Fissura, Papila hipertrófica, Plicoma sentinela); Esfincterotomia química (Alvo: esfíncter interno, Bloqueadores de cálcio, Nitratos tópicos); Fissura na doença de Crohn (Múltiplas e laterais, Pouco dolorosas)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A localização mais comum da fissura anal é a linha média posterior (na posição das 6 horas, com o paciente em litotomia), não a anterior. A linha média anterior é a segunda mais frequente, ocorrendo em cerca de 10% dos casos, principalmente em mulheres. A banca troca a localização predominante pela secundária, uma pegadinha clássica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A definição de fissura crônica pela duração dos sintomas é o ponto central. A literatura médica estabelece que a fissura é aguda quando os sintomas duram entre 4 e 8 semanas e crônica quando persistem além desse período. A alternativa B, ao afirmar que a cronicidade se dá após mais de seis semanas, está correta, pois seis semanas está dentro da faixa de 4 a 8 semanas. É a definição temporal que separa a conduta: fissuras agudas têm alta taxa de cicatrização com medidas conservadoras, enquanto as crônicas frequentemente necessitam de intervenção adicional.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A tríade descrita — fissura, papila hipertrófica e plicoma sentinela — é característica da fissura crônica, não da aguda. Na fissura aguda, a lesão é recente, sem os sinais de cronicidade como a enduração das bordas e a visualização do esfíncter interno no fundo da úlcera. A alternativa C atribui à fissura aguda elementos que só aparecem na evolução para a cronicidade, invertendo o quadro clínico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A esfincterotomia química, com bloqueadores de canais de cálcio, atua sobre o esfíncter anal interno, não o externo. O objetivo é reduzir a hipertonia do esfíncter interno, que é o principal responsável pela pressão anal de repouso elevada e pela isquemia local que impede a cicatrização. A alternativa D troca o esfíncter alvo, um erro conceitual importante. O esfíncter externo tem participação menor na pressão de repouso e não é o foco do tratamento químico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Na doença de Crohn, as fissuras anais geralmente são múltiplas, localizadas fora da linha média e pouco dolorosas. Elas tendem a ser mais extensas e podem estar associadas a outras manifestações perianais, como fístulas e abscessos. A alternativa E afirma o oposto: que afetam a linha média e são muito dolorosas. Essa é uma característica da fissura anal típica, não da fissura associada à doença de Crohn. A presença de fissuras atípicas deve sempre levantar a suspeita de doença inflamatória intestinal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre fissura aguda e crônica e entre os esfíncteres anais. Na alternativa C, a tríade clássica é da fissura crônica, não da aguda. Na D, o alvo da esfincterotomia química é o esfíncter interno, não o externo. Fique atento a essas inversões — elas são recorrentes em questões de coloproctologia.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar a localização e a tríade, lembre-se: fissura típica é posterior (6h) e a tríade (fissura + papila hipertrófica + plicoma sentinela) só aparece na forma crônica. Na dúvida sobre o tratamento, lembre-se de que o esfíncter interno é o responsável pela pressão de repouso e é o alvo da terapia química.

Gabarito: letra B

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