Em relação aos distúrbios de hemostasia da água e seu efeito sobre o metabolismo do sódio, assinale a alternativa correta.
ANa hiponatremia hipotônica, o mecanismo etiológico principal é o renal e ocorre por aumento da excreção urinária de sódio.
BManitol é a causa de hiponatremia hipertônica, devendo a osmolalidade sérica ser medida diretamente, e não estimada por fórmula.
CNa infusão de salina hipertônica a 3%, a velocidade estimada por fórmula é suficiente para prevenir a desmielinose pontinha.
DO diabetes insipidus é uma causa frequente de hipernatremia e, quando for do subtipo nefrogênico, deve ser tratado com desmopressina.
EO diabetes insipidus é uma causa de hipernatremia em pós‑operatório de neurocirurgia e, geralmente, não possui curso autolimitado.
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GabaritoB — Manitol é a causa de hiponatremia hipertônica, devendo a osmolalidade sérica ser medida diretamente, e não estimada por fórmula.
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Distúrbios do sódio e da água: hiponatremia e hipernatremia
Gabarito: letra B. O manitol é uma causa clássica de hiponatremia hipertônica, pois adiciona solutos osmoticamente ativos ao plasma, e nesse cenário a osmolalidade sérica deve ser medida diretamente (osmometria), e não estimada pela fórmula convencional, que subestima o valor real. A alternativa B está correta porque captura exatamente essa particularidade fisiopatológica e laboratorial.
A hiponatremia é, na verdade, um distúrbio de água, não de sódio. O sódio é o principal cátion extracelular e o principal determinante da osmolalidade plasmática, que é mantida em uma faixa estreita (280–290 mOsm/kg) pela sede e pela excreção renal de água livre, regulada pelo hormônio antidiurético (ADH). Quando há excesso de água em relação ao sódio, ocorre hiponatremia; quando há déficit de água, hipernatremia. A classificação da hiponatremia pela osmolalidade plasmática é o ponto central para o raciocínio clínico: ela pode ser hipotônica (a grande maioria), isotônica ou hipertônica. A hiponatremia hipertônica ocorre quando há acúmulo de solutos osmoticamente ativos no plasma, como glicose (hiperglicemia grave) e manitol, que "puxam" água do intracelular para o extracelular, diluindo o sódio medido, mas aumentando a osmolalidade efetiva. Por isso, a fórmula Osm = 2×Na + glicose/18 + ureia/5,6 não captura a contribuição do manitol, e a medida direta da osmolalidade é necessária para não subestimar o valor real e evitar condutas inadequadas.
A hipernatremia, por sua vez, é definida como sódio > 145 mEq/L e sempre cursa com hiperosmolalidade. Suas causas incluem perda de água livre não reposta (perdas insensíveis, diarreia, diuréticos), diurese osmótica (manitol, glicose, ureia) e diabetes insipidus (DI), que pode ser central ou nefrogênico. O DI central é comum no pós-operatório de neurocirurgias (cirurgia de hipófise, TCE), pois há déficit de ADH; o DI nefrogênico é raro na UTI e se caracteriza por resistência renal à ação do ADH. O tratamento do DI central é feito com desmopressina (análogo do ADH), enquanto o DI nefrogênico não responde a esse fármaco — essa distinção é essencial e frequentemente cobrada.
A correção da hiponatremia deve ser cautelosa: o objetivo é aumentar o sódio em 4–6 mEq/L nas primeiras horas, sem exceder 9 mEq/L em 24 horas, para evitar a síndrome de desmielinização osmótica (mielinólise pontina). A infusão de salina hipertônica a 3% é indicada em casos sintomáticos, mas a velocidade de correção deve ser monitorada com coleta seriada de sódio, e não apenas estimada por fórmula, pois a resposta individual varia. A alternativa C erra ao afirmar que a velocidade estimada por fórmula é suficiente para prevenir a desmielinização — na prática, o monitoramento laboratorial seriado é indispensável.
A pegadinha central desta questão é a distinção entre os tipos de hiponatremia (hipotônica × hipertônica) e entre os subtipos de diabetes insipidus (central × nefrogênico), além do papel do manitol como causa de hiponatremia hipertônica. Guarde esses três eixos: eles separam as alternativas corretas das incorretas.
Não responde à desmopressina; tratar causa de base
Distúrbios do sódio
1Hiponatremia
Hipotônica (excesso de água)
Hipertônica (manitol, glicose)
Isotônica
2Hipernatremia
Perda de água livre
Diabetes insipidus
Central (desmopressina)
Nefrogênico (não responde)
3Correção da hiponatremia
Salina 3% sintomática
Monitorar sódio seriado
Evitar desmielinização
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A hiponatremia hipotônica tem como mecanismo etiológico principal o excesso de água livre em relação ao sódio, e não o aumento da excreção urinária de sódio. Embora perdas renais de sódio possam contribuir (como na síndrome cerebral perdedora de sal ou no uso de diuréticos), o mecanismo central é a incapacidade de excretar água livre, frequentemente por secreção inapropriada de ADH (SIADH) ou por redução do débito renal de água. A alternativa erra ao generalizar que o mecanismo principal é renal por aumento da excreção de sódio — na maioria dos casos, o problema é a retenção de água, não a perda de sódio.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O manitol é um soluto osmoticamente ativo que, quando infundido, aumenta a osmolalidade plasmática e "puxa" água do intracelular para o extracelular, diluindo o sódio medido — caracterizando hiponatremia hipertônica. A fórmula convencional de osmolalidade (2×Na + glicose/18 + ureia/5,6) não inclui o manitol, portanto subestima a osmolalidade real. Por isso, a medida direta por osmometria é necessária para avaliar corretamente o estado de tonicidade e guiar a conduta. A alternativa está correta ao afirmar exatamente isso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A infusão de salina hipertônica a 3% exige monitoramento laboratorial seriado do sódio (coletas em 1h, 6h, 12h, 18h e 24h), e não apenas o cálculo da velocidade por fórmula. A velocidade estimada pode não prevenir a desmielinização osmótica se a resposta individual do paciente for diferente da prevista. O objetivo é aumentar o sódio em 4–6 mEq/L nas primeiras horas, sem exceder 9 mEq/L em 24h, e isso só pode ser garantido com dosagens seriadas. A alternativa erra ao afirmar que a fórmula é suficiente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O diabetes insipidus é uma causa de hipernatremia, mas o tratamento do subtipo nefrogênico não é feito com desmopressina. No DI nefrogênico, há resistência renal à ação do ADH, portanto a desmopressina é ineficaz; o tratamento envolve correção da causa de base e medidas como restrição de sódio e uso de tiazídicos. A desmopressina é indicada apenas no DI central, onde há déficit de ADH. A alternativa erra ao afirmar que o DI nefrogênico deve ser tratado com desmopressina.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O diabetes insipidus central no pós-operatório de neurocirurgia geralmente possui curso autolimitado, especialmente quando causado por manipulação cirúrgica do eixo hipotálamo-hipofisário. Pode haver um padrão trifásico (DI → SIADH → DI), mas na maioria dos casos o DI é transitório e se resolve em dias a semanas. A alternativa erra ao afirmar que geralmente não possui curso autolimitado.