Com relação ao paciente vítima de trauma torácico, é correto afirmar que
Aa tríade de Beck sugere a presença de tamponamento cardíaco e caracteriza‑se pela presença de abafamento das bulhas, turgência jugular e ausculta pulmonar limpa.
Ba presença de contusão pulmonar pode levar à hipóxia grave e está associada a traumas de alta e baixa energia, penetrante ou não.
Ca presença de fibrilação atrial e extrassístoles ventriculares são sugestivas de contusão cardíaca, porém não acarretam aumento da gravidade.
Dfraturas múltiplas de costelas podem levar a um quadro de tórax instável, sendo indicada, nesses casos, a drenagem torácica bilateral, para a prevenção de pneumotórax.
ENa presença de fístula broncopleural de alto débito com alteração grave da oxigenação, deve‑se utilizar a ventilação controlada a volume.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — a presença de contusão pulmonar pode levar à hipóxia grave e está associada a traumas de alta e baixa energia, penetrante ou não.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Trauma Torácico: Contusão Pulmonar e suas Implicações
Gabarito: letra B. A contusão pulmonar é uma lesão do parênquima pulmonar que pode levar à hipóxia grave, sendo causada por mecanismos de alta e baixa energia, penetrantes ou não. As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes sobre tamponamento cardíaco, contusão cardíaca, tórax instável e fístula broncopleural.
A contusão pulmonar é uma das lesões mais comuns e potencialmente graves no trauma torácico. Ela ocorre quando a energia do trauma é transmitida ao parênquima pulmonar, causando hemorragia e edema intersticial e alveolar, sem necessariamente haver laceração. Essa lesão compromete a troca gasosa, podendo evoluir para hipóxia grave, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e insuficiência respiratória. O mecanismo pode ser contuso (como em acidentes automobilísticos, quedas e agressões) ou penetrante (como ferimentos por arma de fogo ou faca), e a energia envolvida pode ser alta ou baixa. Em crianças, a maior complacência da parede torácica permite que a contusão ocorra mesmo sem fraturas de costelas; em idosos, a fragilidade óssea pode levar à fratura mesmo em traumas de baixa energia, com maior morbimortalidade.
O diagnóstico é clínico e radiológico. A radiografia de tórax pode mostrar opacidades mal definidas, mas a tomografia computadorizada é o padrão-ouro, com acurácia superior. O tratamento é de suporte: analgesia, oxigenoterapia, fisioterapia respiratória e expansão volêmica criteriosa, evitando sobrecarga de volume que possa piorar o edema pulmonar. Em casos graves, pode ser necessária ventilação mecânica protetora, com baixos volumes correntes e pressões de platô limitadas, para evitar volutrauma e barotrauma.
A banca explora neste tema a confusão entre as diversas complicações do trauma torácico. É fundamental distinguir: tamponamento cardíaco (tríade de Beck), contusão cardíaca (arritmias), tórax instável (fratura de múltiplas costelas com movimento paradoxal) e fístula broncopleural (escape aéreo persistente). Cada uma tem fisiopatologia, diagnóstico e tratamento específicos, e a alternativa correta é a que descreve com precisão a contusão pulmonar.
Guarde a fronteira entre as complicações do trauma torácico: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A contusão pulmonar é a única que se caracteriza por hipóxia grave associada a qualquer mecanismo de trauma, enquanto as demais alternativas trocam ou omitem elementos essenciais de suas definições.
Complicação do Trauma Torácico
Características Principais
Conduta/Tratamento
Tamponamento cardíaco
Tríade de Beck: hipotensão, turgência jugular e hipofonese de bulhas
Pericardiocentese ou janela pericárdica
Contusão pulmonar
Hipóxia grave; associada a trauma de alta/baixa energia, penetrante ou não
Suporte: analgesia, O₂, fisioterapia respiratória, expansão volêmica criteriosa; VM protetora em casos graves
Contusão cardíaca
Arritmias (FA, extrassístoles ventriculares) — marcadores de gravidade
Monitorização, suporte hemodinâmico
Tórax instável
Fraturas múltiplas de costelas com movimento paradoxal
Analgesia, suporte ventilatório; fixação cirúrgica em casos selecionados (sem drenagem profilática)
Fístula broncopleural
Escape aéreo persistente de alto débito
Drenagem torácica eficaz, VM protetora (baixos volumes); isolamento pulmonar seletivo em casos refratários
Trauma torácico: Tamponamento cardíaco (Tríade de Beck, hipotensão, turgência jugular, hipofonese); Contusão pulmonar (hipóxia grave, alta ou baixa energia, penetrante ou não); Contusão cardíaca (arritmias (FA, extrassístoles), marcador de gravidade); Tórax instável (fraturas múltiplas de costelas, movimento paradoxal, sem drenagem profilática); Fístula broncopleural (alto débito, evitar altos volumes correntes)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A tríade de Beck é composta por hipotensão, turgência jugular e hipofonese de bulhas (abafamento das bulhas). A alternativa troca "hipotensão" por "ausculta pulmonar limpa", o que é um erro conceitual grave. A ausculta pulmonar limpa não faz parte da tríade e não é um sinal de tamponamento cardíaco. Além disso, a tríade clássica está presente em apenas 10 a 40% dos casos, sendo mais comum a apresentação com taquicardia e estreitamento da pressão diferencial.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A contusão pulmonar é uma lesão do parênquima pulmonar que pode levar à hipóxia grave. Ela está associada a traumas de alta e baixa energia, penetrantes ou não, pois o mecanismo de lesão é a transmissão de energia ao tecido pulmonar, independentemente da natureza do agente. A alternativa está correta ao afirmar essa associação, que é um dos pontos-chave do manejo do trauma torácico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A presença de fibrilação atrial e extrassístoles ventriculares pode ser sugestiva de contusão cardíaca, mas a afirmação de que "não acarretam aumento da gravidade" é falsa. Arritmias, especialmente as ventriculares, são manifestações de lesão miocárdica e estão associadas a maior morbimortalidade. A contusão cardíaca pode levar a disfunção ventricular, choque cardiogênico e morte súbita, sendo as arritmias um marcador de gravidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Fraturas múltiplas de costelas podem levar ao tórax instável (movimento paradoxal da parede torácica), mas a conduta indicada não é a drenagem torácica bilateral profilática. A drenagem torácica é indicada para pneumotórax ou hemotórax, não para prevenção. O tratamento do tórax instável envolve analgesia adequada, suporte ventilatório e, em casos selecionados, fixação cirúrgica das costelas. A drenagem profilática bilateral seria iatrogênica e sem benefício.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Na presença de fístula broncopleural de alto débito com alteração grave da oxigenação, a ventilação controlada a volume não é a conduta ideal. A ventilação com altos volumes correntes pode aumentar o escape aéreo pela fístula, piorando o pneumotórax e o comprometimento ventilatório. A conduta adequada envolve drenagem torácica eficaz, estratégias de ventilação protetora (baixos volumes correntes, pressões limitadas) e, em casos refratários, considerar isolamento pulmonar seletivo ou outras medidas avançadas.