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Questão de Medicina — Pneumologia — Quadrix 2023

MedicinaPneumologia
Código
qg031250
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Emergencista
Com relação ao paciente vítima de trauma torácico, é correto afirmar que
  1. Aa tríade de Beck sugere a presença de tamponamento cardíaco e caracteriza‑se pela presença de abafamento das bulhas, turgência jugular e ausculta pulmonar limpa.
  2. Ba presença de contusão pulmonar pode levar à hipóxia grave e está associada a traumas de alta e baixa energia, penetrante ou não.
  3. Ca presença de fibrilação atrial e extrassístoles ventriculares são sugestivas de contusão cardíaca, porém não acarretam aumento da gravidade.
  4. Dfraturas múltiplas de costelas podem levar a um quadro de tórax instável, sendo indicada, nesses casos, a drenagem torácica bilateral, para a prevenção de pneumotórax.
  5. ENa presença de fístula broncopleural de alto débito com alteração grave da oxigenação, deve‑se utilizar a ventilação controlada a volume.
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GabaritoB — a presença de contusão pulmonar pode levar à hipóxia grave e está associada a traumas de alta e baixa energia, penetrante ou não.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma Torácico: Contusão Pulmonar e suas Implicações

Gabarito: letra B. A contusão pulmonar é uma lesão do parênquima pulmonar que pode levar à hipóxia grave, sendo causada por mecanismos de alta e baixa energia, penetrantes ou não. As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes sobre tamponamento cardíaco, contusão cardíaca, tórax instável e fístula broncopleural.

A contusão pulmonar é uma das lesões mais comuns e potencialmente graves no trauma torácico. Ela ocorre quando a energia do trauma é transmitida ao parênquima pulmonar, causando hemorragia e edema intersticial e alveolar, sem necessariamente haver laceração. Essa lesão compromete a troca gasosa, podendo evoluir para hipóxia grave, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e insuficiência respiratória. O mecanismo pode ser contuso (como em acidentes automobilísticos, quedas e agressões) ou penetrante (como ferimentos por arma de fogo ou faca), e a energia envolvida pode ser alta ou baixa. Em crianças, a maior complacência da parede torácica permite que a contusão ocorra mesmo sem fraturas de costelas; em idosos, a fragilidade óssea pode levar à fratura mesmo em traumas de baixa energia, com maior morbimortalidade.

O diagnóstico é clínico e radiológico. A radiografia de tórax pode mostrar opacidades mal definidas, mas a tomografia computadorizada é o padrão-ouro, com acurácia superior. O tratamento é de suporte: analgesia, oxigenoterapia, fisioterapia respiratória e expansão volêmica criteriosa, evitando sobrecarga de volume que possa piorar o edema pulmonar. Em casos graves, pode ser necessária ventilação mecânica protetora, com baixos volumes correntes e pressões de platô limitadas, para evitar volutrauma e barotrauma.

A banca explora neste tema a confusão entre as diversas complicações do trauma torácico. É fundamental distinguir: tamponamento cardíaco (tríade de Beck), contusão cardíaca (arritmias), tórax instável (fratura de múltiplas costelas com movimento paradoxal) e fístula broncopleural (escape aéreo persistente). Cada uma tem fisiopatologia, diagnóstico e tratamento específicos, e a alternativa correta é a que descreve com precisão a contusão pulmonar.

Guarde a fronteira entre as complicações do trauma torácico: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A contusão pulmonar é a única que se caracteriza por hipóxia grave associada a qualquer mecanismo de trauma, enquanto as demais alternativas trocam ou omitem elementos essenciais de suas definições.

Complicação do Trauma Torácico

Características Principais

Conduta/Tratamento

Tamponamento cardíaco

Tríade de Beck: hipotensão, turgência jugular e hipofonese de bulhas

Pericardiocentese ou janela pericárdica

Contusão pulmonar

Hipóxia grave; associada a trauma de alta/baixa energia, penetrante ou não

Suporte: analgesia, O₂, fisioterapia respiratória, expansão volêmica criteriosa; VM protetora em casos graves

Contusão cardíaca

Arritmias (FA, extrassístoles ventriculares) — marcadores de gravidade

Monitorização, suporte hemodinâmico

Tórax instável

Fraturas múltiplas de costelas com movimento paradoxal

Analgesia, suporte ventilatório; fixação cirúrgica em casos selecionados (sem drenagem profilática)

Fístula broncopleural

Escape aéreo persistente de alto débito

Drenagem torácica eficaz, VM protetora (baixos volumes); isolamento pulmonar seletivo em casos refratários

1Tamponamento cardíaco
Tríade de Beck
hipotensão, turgência jugular, hipofonese
2Contusão pulmonar
hipóxia grave
alta ou baixa energia
penetrante ou não
3Contusão cardíaca
arritmias (FA, extrassístoles)
marcador de gravidade
4Tórax instável
fraturas múltiplas de costelas
movimento paradoxal
sem drenagem profilática
5Fístula broncopleural
alto débito
evitar altos volumes correntes
Trauma torácico
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Trauma torácico: Tamponamento cardíaco (Tríade de Beck, hipotensão, turgência jugular, hipofonese); Contusão pulmonar (hipóxia grave, alta ou baixa energia, penetrante ou não); Contusão cardíaca (arritmias (FA, extrassístoles), marcador de gravidade); Tórax instável (fraturas múltiplas de costelas, movimento paradoxal, sem drenagem profilática); Fístula broncopleural (alto débito, evitar altos volumes correntes)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A tríade de Beck é composta por hipotensão, turgência jugular e hipofonese de bulhas (abafamento das bulhas). A alternativa troca "hipotensão" por "ausculta pulmonar limpa", o que é um erro conceitual grave. A ausculta pulmonar limpa não faz parte da tríade e não é um sinal de tamponamento cardíaco. Além disso, a tríade clássica está presente em apenas 10 a 40% dos casos, sendo mais comum a apresentação com taquicardia e estreitamento da pressão diferencial.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A contusão pulmonar é uma lesão do parênquima pulmonar que pode levar à hipóxia grave. Ela está associada a traumas de alta e baixa energia, penetrantes ou não, pois o mecanismo de lesão é a transmissão de energia ao tecido pulmonar, independentemente da natureza do agente. A alternativa está correta ao afirmar essa associação, que é um dos pontos-chave do manejo do trauma torácico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A presença de fibrilação atrial e extrassístoles ventriculares pode ser sugestiva de contusão cardíaca, mas a afirmação de que "não acarretam aumento da gravidade" é falsa. Arritmias, especialmente as ventriculares, são manifestações de lesão miocárdica e estão associadas a maior morbimortalidade. A contusão cardíaca pode levar a disfunção ventricular, choque cardiogênico e morte súbita, sendo as arritmias um marcador de gravidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Fraturas múltiplas de costelas podem levar ao tórax instável (movimento paradoxal da parede torácica), mas a conduta indicada não é a drenagem torácica bilateral profilática. A drenagem torácica é indicada para pneumotórax ou hemotórax, não para prevenção. O tratamento do tórax instável envolve analgesia adequada, suporte ventilatório e, em casos selecionados, fixação cirúrgica das costelas. A drenagem profilática bilateral seria iatrogênica e sem benefício.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Na presença de fístula broncopleural de alto débito com alteração grave da oxigenação, a ventilação controlada a volume não é a conduta ideal. A ventilação com altos volumes correntes pode aumentar o escape aéreo pela fístula, piorando o pneumotórax e o comprometimento ventilatório. A conduta adequada envolve drenagem torácica eficaz, estratégias de ventilação protetora (baixos volumes correntes, pressões limitadas) e, em casos refratários, considerar isolamento pulmonar seletivo ou outras medidas avançadas.

Gabarito: letra B

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