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Questão de Medicina — Choque e Parada Cardiorrespiratória — Quadrix 2023

MedicinaChoque e Parada Cardiorrespiratória
Código
qg031251
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Emergencista
Em um processo de ressuscitação de um paciente em parada cardiorrespiratória (PCR), seu dióxido de carbono exalado no final da expiração (etCO2) marca <10mmHg.Com base nessa situação hipotética, é correto afirmar que o procedimento a ser adotado é
  1. Aparar a massagem cardíaca, pois o paciente não tem prognóstico.
  2. Baumentar a ventilação, pois o etCO2 está muito baixo.
  3. Cmelhorar a qualidade da massagem cardíaca.
  4. Dreposicionar o tubo orotraqueal, pois sugere intubação seletiva.
  5. Eaumentar o espaço morto do circuito do ventilador mecânico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — melhorar a qualidade da massagem cardíaca.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Capnografia na PCR: interpretação do etCO2 e conduta

Gabarito: letra C. O etCO2 < 10 mmHg durante a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) indica má qualidade das compressões torácicas, sendo a conduta correta melhorar a qualidade da massagem cardíaca. Essa recomendação está alinhada à Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2019, que classifica como Classe IIa, Nível de Evidência B, a necessidade de melhora na qualidade da RCP quando o PETCO2 está abaixo de 10 mmHg.

O dióxido de carbono exalado no final da expiração (etCO2 ou PETCO2) é um parâmetro fisiológico que reflete o débito cardíaco e a perfusão pulmonar durante a RCP. Em condições de baixo fluxo sanguíneo, como na PCR, a eliminação de CO2 pelos pulmões diminui, resultando em valores baixos de etCO2. Portanto, um etCO2 < 10 mmHg sugere que as compressões torácicas não estão gerando fluxo sanguíneo suficiente para manter a perfusão dos órgãos vitais. A conduta imediata é otimizar a qualidade da massagem cardíaca, garantindo profundidade adequada (5 a 6 cm em adultos), frequência de 100 a 120 compressões por minuto, retorno completo do tórax e minimização de interrupções.

É importante distinguir o etCO2 baixo de outras situações. Um aumento abrupto do etCO2 para 35 a 40 mmHg sugere retorno da circulação espontânea (RCE). Valores persistentemente baixos (< 10 mmHg) após 20 minutos de RCP, apesar de manobras otimizadas, indicam mau prognóstico e baixa probabilidade de RCE, podendo ser considerados na decisão de cessação dos esforços. Em pacientes não intubados, o etCO2 não deve ser usado como critério isolado para interromper a RCP.

A banca explora a confusão entre o etCO2 baixo como indicador de má qualidade da RCP e outras causas de hipocapnia, como hiperventilação ou intubação seletiva. No entanto, durante a PCR, a principal causa de etCO2 baixo é a baixa perfusão pulmonar secundária a compressões ineficazes. A alternativa que propõe "aumentar a ventilação" é um distrator clássico, pois a hiperventilação pode reduzir ainda mais o retorno venoso e piorar a hemodinâmica. A intubação seletiva (tubo no brônquio-fonte direito) causaria hipoxemia e aumento do espaço morto, mas não é a causa mais provável de etCO2 baixo durante a RCP, e a conduta inicial deve ser otimizar as compressões.

Guarde a relação entre o etCO2 e a qualidade da RCP: valores baixos indicam necessidade de melhorar as compressões; valores que aumentam abruptamente indicam RCE. É exatamente essa distinção que separa as alternativas corretas das incorretas.

  1. 1etCO2 < 10 mmHg
  2. 2Indica má qualidade da RCP
  3. 3Otimizar compressões (5-6 cm, 100-120/min)
  4. 4RCE se aumento abrupto (35-40 mmHg)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Parar a massagem cardíaca com base apenas em um etCO2 < 10 mmHg é conduta inadequada. O etCO2 baixo indica má qualidade da RCP, não ausência de prognóstico. A cessação dos esforços de reanimação só deve ser considerada após 20 minutos de RCP com etCO2 persistentemente < 10 mmHg, apesar de manobras otimizadas, e mesmo assim em conjunto com outros fatores clínicos. A alternativa confunde o valor isolado com critério de prognóstico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Aumentar a ventilação não é a conduta correta. O etCO2 baixo durante a PCR reflete baixo débito cardíaco, não hipoventilação. Aumentar a ventilação pode causar hiperventilação, que aumenta a pressão intratorácica, reduz o retorno venoso e piora a perfusão coronariana e cerebral. A frequência ventilatória recomendada durante a RCP com via aérea avançada é de 10 ventilações por minuto, sem hiperventilação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Melhorar a qualidade da massagem cardíaca é a conduta correta. O etCO2 < 10 mmHg indica que as compressões torácicas estão inadequadas, gerando baixo fluxo sanguíneo e, consequentemente, baixa eliminação de CO2. A otimização da RCP inclui garantir profundidade de 5 a 6 cm, frequência de 100 a 120 compressões por minuto, retorno completo do tórax e minimização de interrupções. Essa recomendação é Classe IIa, Nível de Evidência B, conforme a Diretriz de 2019.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Reposicionar o tubo orotraqueal por suspeita de intubação seletiva não é a conduta inicial. A intubação seletiva (tubo no brônquio-fonte direito) causaria hipoxemia e aumento do espaço morto, mas o etCO2 baixo durante a RCP é mais comumente causado por baixa perfusão pulmonar. A avaliação da posição do tubo deve ser feita por ausculta pulmonar e capnografia, mas a prioridade é otimizar as compressões torácicas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Aumentar o espaço morto do circuito do ventilador mecânico é uma conduta incorreta e sem fundamento. Aumentar o espaço morto reduziria a ventilação alveolar, piorando a eliminação de CO2 e agravando a hipercapnia. O etCO2 baixo não é causado por espaço morto inadequado, mas sim por baixo débito cardíaco durante a RCP.

Gabarito: letra C

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