Questão de Medicina — Gastroenterologia — Quadrix 2023
- Código
- qg031255
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- FSNH - RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Gastroenterologia
- Asilimarina
- Bcarvedilol
- Cterlipressina
- Dlactulose
- Exifagan
GabaritoC — terlipressina
Gabarito: letra C. Na síndrome hepatorrenal (SHR), complicação da cirrose descompensada com ascite, o tratamento farmacológico de escolha é a terlipressina, um análogo da vasopressina que atua como vasoconstritor esplâncnico, melhorando a perfusão renal. A literatura médica, incluindo as diretrizes da EASL, recomenda a terlipressina como o agente mais bem estudado para essa condição, frequentemente associada à albumina.
A síndrome hepatorrenal é uma forma de insuficiência renal funcional que ocorre em pacientes com cirrose avançada e ascite, caracterizada por vasoconstrição renal intensa secundária à vasodilatação esplâncnica. A fisiopatologia envolve a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e do sistema nervoso simpático, levando à redução da taxa de filtração glomerular. O diagnóstico é de exclusão, devendo-se descartar outras causas de lesão renal, como necrose tubular aguda, uso de nefrotóxicos e doença renal parenquimatosa.
O tratamento da SHR baseia-se em duas estratégias principais: a infusão de albumina para expansão volêmica e o uso de vasoconstritores, sendo a terlipressina o fármaco de primeira linha. A terlipressina atua como um análogo da vasopressina, promovendo vasoconstrição da circulação esplâncnica, o que reduz a vasodilatação e melhora a perfusão renal. Estudos demonstram que a terlipressina, em associação com albumina, é eficaz na reversão da SHR, embora não tenha demonstrado benefício claro na mortalidade em todos os ensaios clínicos.
Na prática clínica, o esquema terapêutico mais utilizado é a terlipressina na dose inicial de 1 mg EV a cada 6 horas, com ajuste conforme a resposta, avaliada pela queda da creatinina sérica. A albumina é administrada concomitantemente na dose de 1 g/kg nos primeiros dois dias e 20 a 40 g/dia nos dias subsequentes. Em pacientes criticamente enfermos, a norepinefrina em infusão contínua pode ser uma alternativa, mas a terlipressina permanece como a medicação de escolha.
A banca explora a confusão entre as complicações da cirrose e seus respectivos tratamentos. Enquanto a terlipressina é específica para a síndrome hepatorrenal, outras medicações como a lactulose são usadas para encefalopatia hepática, e o carvedilol é indicado para profilaxia de varizes esofágicas. A silimarina é um hepatoprotetor sem papel estabelecido no tratamento da SHR, e o xifagan (rifaximina) é um antibiótico não absorvível usado na encefalopatia hepática.
Guarde a associação direta entre a complicação e o tratamento: SHR → terlipressina + albumina; encefalopatia hepática → lactulose + rifaximina; varizes esofágicas → carvedilol (profilaxia) ou terlipressina (hemorragia aguda). É exatamente essa distinção que separa as alternativas desta questão.
A silimarina é um flavonoide extraído do cardo-mariano, com propriedades antioxidantes e hepatoprotetoras, mas não possui papel estabelecido no tratamento da síndrome hepatorrenal. Seu uso é estudado em doenças hepáticas crônicas, como hepatite alcoólica e esteato-hepatite, sem evidência de benefício na SHR aguda.
O carvedilol é um betabloqueador não seletivo com ação vasodilatadora, utilizado principalmente na profilaxia primária e secundária de hemorragia por varizes esofágicas em pacientes cirróticos. Embora reduza a pressão portal, não é indicado para o tratamento da síndrome hepatorrenal, pois não atua diretamente na vasoconstrição esplâncnica necessária para melhorar a perfusão renal.
A terlipressina é o vasoconstritor de escolha para o tratamento da síndrome hepatorrenal. Como análogo da vasopressina, promove vasoconstrição da circulação esplâncnica, reduzindo a vasodilatação e melhorando a perfusão renal. A literatura médica, incluindo as diretrizes da EASL, recomenda a terlipressina como o agente mais bem estudado, com benefícios na reversão da SHR quando associada à albumina.
A lactulose é um dissacarídeo não absorvível utilizado no tratamento da encefalopatia hepática, pois reduz a absorção de amônia no cólon. Não tem indicação na síndrome hepatorrenal, sendo um distrator clássico que confunde as complicações da cirrose.
O xifagan (rifaximina) é um antibiótico não absorvível usado como adjuvante no tratamento da encefalopatia hepática, reduzindo a produção de amônia pela flora intestinal. Não possui papel no tratamento da síndrome hepatorrenal, sendo outra alternativa que explora a confusão entre as complicações da cirrose.
A banca mistura as complicações da cirrose com seus respectivos tratamentos. A síndrome hepatorrenal exige vasoconstritor (terlipressina), enquanto a encefalopatia hepática usa lactulose/rifaximina e as varizes esofágicas usam carvedilol. Identifique a complicação no enunciado e associe ao tratamento correto — com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
Gabarito: letra C
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