Questão de Medicina — Gastroenterologia — Quadrix 2023
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg031257
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Gastroenterologia
Quanto às lesões hepáticas induzidas por fármacos (LHIF), assinale a alternativa correta.
AAs estaninas são contraindicadas nos doentes com diagnóstico de hepatopatias crônicas mesmo nas formas compensadas.
BAs lesões incluem as causadas por plantas, ervas medicinais e suplementos.
CAs lesões são exclusivamente hepatocelulares ou colestáticas.
DNa maioria das vezes, está relacionada à toxidade esperada do fármaco.
EEm caso de dúvidas, deve‑se repetir a exposição ao fármaco.
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GabaritoB — As lesões incluem as causadas por plantas, ervas medicinais e suplementos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Lesões hepáticas induzidas por fármacos (LHIF)
Gabarito: letra B. As lesões hepáticas induzidas por fármacos (LHIF) abrangem não apenas medicamentos sintéticos, mas também plantas, ervas medicinais e suplementos alimentares, que são reconhecidos como causas de hepatotoxicidade. O texto de apoio confirma que "são reconhecidos mais de mil medicamentos e suplementos como causa de hepatotoxicidade", e a literatura médica inclui explicitamente agentes fitoterápicos e suplementos nesse espectro.
A LHIF é um tipo especial de reação adversa a medicamentos, definida como lesão hepática causada por fármacos ou outros agentes químicos. O conceito é mais amplo do que o senso comum sugere: não se restringe a medicamentos industrializados, pois engloba qualquer substância química capaz de lesar o fígado, incluindo produtos naturais. Essa amplitude é o ponto central da questão — a banca explora exatamente o erro de associar "fármacos" apenas a medicamentos sintéticos.
A classificação da LHIF pode ser feita por dois critérios principais. Pelo padrão de lesão, temos: (1) hepatocelular, com elevação predominante de ALT; (2) colestática, com elevação desproporcional de ALP; e (3) mista, que combina características de ambas. Pelo mecanismo, temos: (1) hepatotoxinas previsíveis, como paracetamol, que causam lesão dose-dependente; e (2) hepatotoxinas imprevisíveis, que causam reações idiossincrásicas, não dependentes da dose e difíceis de prever.
O diagnóstico é desafiador por falta de marcadores específicos, exigindo alto nível de suspeição e exclusão de outras causas. O tratamento baseia-se na retirada imediata do agente agressor e cuidados de suporte, sendo terminantemente contraindicada a reexposição ao fármaco implicado. A N-acetilcisteína é terapia específica para superdosagem de paracetamol, e corticosteroides podem ser usados em casos selecionados de LHIF imunomediada.
A pegadinha central desta questão está na alternativa E: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a reexposição seria um método diagnóstico válido, quando na verdade é uma conduta perigosa e proibida. O manejo correto é sempre evitar nova exposição ao agente suspeito, pois isso pode precipitar uma reação mais grave, inclusive insuficiência hepática fulminante.
Guarde a fronteira entre o que a LHIF inclui (qualquer agente químico, inclusive naturais) e o que ela exclui (não é apenas hepatocelular ou colestática, pois há o padrão misto; não é majoritariamente previsível, pois a maioria é idiossincrásica). É exatamente nesses três pontos que as alternativas incorretas se ancoram.
Critério
LHIF (conceito correto)
Erros comuns nas alternativas
Agentes causadores
Inclui fármacos sintéticos, plantas, ervas medicinais e suplementos
Restringir a medicamentos sintéticos (excluir naturais)
Padrões de lesão
Hepatocelular, colestática e mista
Afirmar que são "exclusivamente" hepatocelular ou colestática
Mecanismo predominante
Maioria idiossincrásica (imprevisível, não dose-dependente)
Afirmar que a maioria é por toxicidade previsível (dose-dependente)
Conduta em caso de dúvida
Retirar o agente e NUNCA reexpor
Sugerir reexposição ao fármaco como método diagnóstico
Uso de estatinas em hepatopatia
Permitido na forma compensada; contraindicado na descompensada
Contraindicar em hepatopatia crônica compensada
LHIF: Agentes causadores (Medicamentos sintéticos, Plantas e ervas medicinais, Suplementos alimentares); Padrões de lesão (Hepatocelular (ALT), Colestática (ALP), Mista (ambas)); Mecanismos (Previsível (dose-dependente), Imprevisível (idiossincrásica)); Manejo (Retirar o agente, Nunca reexpor)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as estatinas são contraindicadas em hepatopatias crônicas mesmo compensadas. Isso é falso: as estatinas não são contraindicadas em doença hepática crônica compensada. Na verdade, pacientes com esteato-hepatite não alcoólica (NASH) e outras hepatopatias compensadas podem se beneficiar do uso de estatinas, que reduzem o risco cardiovascular — a principal causa de morte nesses pacientes. A contraindicação absoluta se aplica apenas a hepatopatia descompensada ou insuficiência hepática aguda. A banca troca "compensada" por "descompensada", invertendo a regra clínica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A LHIF inclui lesões causadas por plantas, ervas medicinais e suplementos. O texto de apoio confirma que "são reconhecidos mais de mil medicamentos e suplementos como causa de hepatotoxicidade". Fitoterápicos como a cáscara-sagrada, o kava-kava e a confrei são exemplos clássicos de hepatotoxinas naturais. A definição de LHIF abrange "fármacos ou outros agentes químicos", e os produtos naturais se enquadram nessa categoria. A alternativa está correta porque amplia corretamente o espectro de agentes causadores, incluindo os não sintéticos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que as lesões são exclusivamente hepatocelulares ou colestáticas. O erro está no termo "exclusivamente": existe também a lesão hepática mista, que apresenta características tanto hepatocelulares quanto colestáticas. O texto de apoio é explícito: "A lesão hepática que apresenta características tanto hepatocelulares quanto colestáticas é denominada lesão hepática mista". A banca suprime o terceiro padrão para tornar a afirmação incompleta e, portanto, incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que na maioria das vezes a LHIF está relacionada à toxicidade esperada do fármaco. Isso inverte a realidade: a maioria das LHIF é idiossincrásica, ou seja, imprevisível e não dependente da dose. As hepatotoxinas previsíveis, como paracetamol e tetracloreto de carbono, são a minoria. O texto de apoio afirma que "as hepatotoxinas imprevisíveis causam LHIF de maneira idiossincrásica" e que "as reações idiossincrásicas são difíceis de prever e não são dependentes da dose". A banca troca o mecanismo predominante (imprevisível) pelo minoritário (previsível).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que, em caso de dúvidas, deve-se repetir a exposição ao fármaco. Isso é grave erro de conduta: a reexposição ao agente suspeito é contraindicada, pois pode causar reação mais grave, incluindo insuficiência hepática aguda. O texto de apoio é categórico: "Deve-se evitar uma reexposição ao fármaco implicado". O diagnóstico de LHIF é feito por exclusão e pelo método RUCAM, nunca por reexposição deliberada. A banca apresenta uma conduta perigosa como se fosse um método diagnóstico válido.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora três inversões clássicas: (1) troca "compensada" por "descompensada" na contraindicação de estatinas; (2) suprime o padrão misto ao dizer que as lesões são "exclusivamente" hepatocelulares ou colestáticas; (3) inverte o mecanismo predominante, apresentando a toxicidade previsível como a mais comum, quando na verdade a maioria é idiossincrásica. E a alternativa E é a armadilha mais perigosa: sugere reexposição ao fármaco como método diagnóstico, quando a conduta correta é exatamente o oposto — evitar qualquer nova exposição. Com treino, você identifica essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões de LHIF, memorize o tripé: (1) padrões de lesão = hepatocelular, colestática e mista; (2) mecanismos = previsível (dose-dependente, minoria) e imprevisível (idiossincrásica, maioria); (3) manejo = retirar o agente e NUNCA reexpor. Se a alternativa trouxer "exclusivamente", "sempre" ou "na maioria" como termos absolutos, desconfie imediatamente — a regra quase sempre comporta exceção.