Questão de Medicina — Gastroenterologia — Quadrix 2023
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg031258
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Gastroenterologia
Em relação à pancreatite aguda do adulto, assinale a alternativa correta.
AA etiologia mais comum é o uso abusivo de bebidas alcoólicas.
BNão pode evoluir para a pancreatite crônica.
CEm 80% dos casos apresenta o diagnóstico anátomo patológico de pancreatite necrosante.
DTodo o doente com o diagnóstico de pancreatite aguda deve ser internado e observado em uma unidade de terapia intensiva (UTI), devido ao risco de complicações graves.
EA ultrassonografia abdominal é superior à tomografia abdominal computadorizada para o diagnóstico de cálculo biliar.
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GabaritoE — A ultrassonografia abdominal é superior à tomografia abdominal computadorizada para o diagnóstico de cálculo biliar.
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Pancreatite aguda no adulto: etiologia, diagnóstico e imagem
Gabarito: letra E. A ultrassonografia abdominal é superior à tomografia computadorizada para o diagnóstico de cálculo biliar, pois é o método de escolha para identificar colelitíase, enquanto a TC é mais sensível para avaliar complicações pancreáticas e a necrose. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a etiologia mais comum é a biliar (cálculos), a pancreatite aguda pode evoluir para crônica, a forma necrosante ocorre em minoria dos casos e a internação em UTI não é indicada para todos os pacientes.
A pancreatite aguda é uma doença inflamatória do pâncreas desencadeada pela ativação prematura das enzimas digestivas dentro da glândula, levando a autodigestão do órgão e resposta inflamatória sistêmica. As duas principais causas são os cálculos biliares e o álcool, que juntos respondem por mais de 80% dos casos. A litíase biliar é a etiologia mais frequente, correspondendo a 40-70% dos episódios, sendo mais comum em mulheres e com incidência crescente com a idade. O mecanismo envolve a obstrução do ducto pancreático na ampola hepatopancreática (de Vater) por um cálculo que migra da vesícula biliar, interrompendo o fluxo e ativando as enzimas. O álcool é responsável por aproximadamente 25-35% dos casos, aumentando a síntese de enzimas pelas células acinares e hipersensibilizando os ácinos à colecistocinina.
O diagnóstico exige pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal típica (início agudo, contínua, forte, em faixa no epigástrio irradiando para o dorso), níveis de lipase ou amilase aumentados (pelo menos três vezes o limite superior da normalidade) e achados radiológicos sugestivos em exames como tomografia computadorizada e ressonância magnética. A ultrassonografia abdominal tem papel fundamental na investigação etiológica, sendo o exame de escolha para detectar cálculos biliares, pois apresenta alta sensibilidade para colelitíase. Já a tomografia computadorizada é superior para avaliar o pâncreas, identificar necrose e complicações locais, sendo o exame padrão para estadiamento da gravidade.
A classificação atual (Consenso de Atlanta revisado, 2012) divide a doença em leve, moderadamente grave e grave. A forma leve é a mais comum, correspondendo a cerca de 80% dos casos, caracterizada pela ausência de falência de órgãos e necrose, com resolução espontânea e mortalidade quase nula. A forma moderadamente grave apresenta complicações locais e/ou falência transitória de órgãos (menos de 48 horas). A forma grave é definida por falência de órgãos persistente (mais de 48 horas), ocorrendo em 15-20% dos pacientes, com mortalidade que pode chegar a 30-40%. A necrose pancreática acomete apenas 5-10% dos pacientes, sendo que a maioria dos casos é edematosa (intersticial).
A evolução para pancreatite crônica é possível, especialmente em pacientes com etiologia alcoólica ou com episódios recorrentes de pancreatite biliar não tratada cirurgicamente. A recorrência dos episódios inflamatórios pode levar à fibrose progressiva da glândula, caracterizando a forma crônica. Quanto à internação, nem todo paciente com pancreatite aguda necessita de UTI: os casos leves podem ser manejados em enfermaria com hidratação, analgesia e dieta, enquanto a UTI é reservada para casos graves com falência de órgãos, necrose infectada ou instabilidade hemodinâmica.
A escolha do exame de imagem depende do objetivo: a ultrassonografia é o método de escolha para diagnóstico de cálculo biliar (colelitíase), enquanto a tomografia é superior para avaliar o parênquima pancreático, detectar necrose e complicações. Essa distinção é o critério decisivo que separa as alternativas desta questão.
Pancreatite aguda
1Etiologia
Biliar (40-70%) — mais comum
Alcoólica (25-35%)
2Formas clínicas
Leve/edematosa (~80%)
Necrosante (5-10%)
Grave (15-20%)
3Diagnóstico
Critérios (2 de 3)
Dor típica
Amilase/lipase ≥3x
Imagem sugestiva
Imagem
USG: cálculo biliar (escolha)
TC: necrose/complicações
4Evolução
Pode virar crônica (recorrência)
UTI só nos graves
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A etiologia mais comum da pancreatite aguda é a biliar (cálculos biliares), responsável por 40-70% dos casos, e não o uso abusivo de álcool, que corresponde a aproximadamente 25-35% dos casos. A banca inverte a ordem de frequência das causas, fazendo o candidato acreditar que o álcool é o principal agente etiológico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A pancreatite aguda pode evoluir para a forma crônica, especialmente quando há episódios recorrentes, como ocorre na etiologia alcoólica ou na biliar não tratada cirurgicamente. A recorrência leva à fibrose progressiva da glândula, caracterizando a pancreatite crônica. A afirmação de que não pode evoluir contraria a história natural da doença.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A forma necrosante (pancreatite necrosante) acomete apenas 5-10% dos pacientes, sendo a maioria dos casos a forma edematosa (intersticial), que corresponde a cerca de 80-90%. A alternativa afirma que 80% dos casos apresentam diagnóstico anatomopatológico de necrose, invertendo completamente a distribuição das formas clínicas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Nem todo paciente com pancreatite aguda deve ser internado em UTI. Os casos leves (cerca de 80%) podem ser manejados em enfermaria com hidratação, analgesia e dieta, com resolução espontânea. A UTI é reservada para casos graves com falência de órgãos, necrose infectada ou instabilidade hemodinâmica, que correspondem a aproximadamente 15-20% dos pacientes. A alternativa generaliza a indicação de cuidados intensivos para todos os casos.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ultrassonografia abdominal é superior à tomografia computadorizada para o diagnóstico de cálculo biliar, pois é o método de escolha para identificar colelitíase, apresentando alta sensibilidade para cálculos na vesícula biliar. A TC é mais sensível para avaliar o pâncreas, detectar necrose e complicações locais, mas não é o exame ideal para a detecção de litíase biliar. Essa é a alternativa correta, pois reflete a indicação adequada de cada método de imagem na investigação etiológica da pancreatite aguda.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a etiologia mais comum e a forma clínica mais frequente. Na alternativa A, troca a causa biliar (mais comum) pela alcoólica; na alternativa C, inverte a proporção das formas clínicas, afirmando que a necrosante é a maioria quando na verdade é a edematosa. Fique atento: cálculos biliares são a principal causa, e a forma leve/edematosa é a mais prevalente.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de pancreatite aguda, memorize os números-chave: etiologia biliar (40-70%), alcoólica (25-35%), forma leve (80%), necrosante (5-10%), grave (15-20%). Na dúvida sobre imagem, lembre-se: USG para cálculo biliar, TC para necrose e complicações.