Questão de Medicina — Gastroenterologia — Quadrix 2023
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg031259
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Gastroenterologia
A respeito do carcinoma colorretal hereditário sem polipose‑síndrome de Lynch, assinale a alternativa correta.
AÉ uma doença autossômica recessiva.
BAs mutações genéticas que dão início à doença correspondem a oncogenes.
CUma colonoscopia normal aos quarenta anos de idade afasta definitivamente o diagnóstico.
DA lesão tumoral localiza‑se, mais frequentemente, próxima à flexura esplênica.
ENão existe, ainda, um exame genético para seu diagnóstico.
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GabaritoD — A lesão tumoral localiza‑se, mais frequentemente, próxima à flexura esplênica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome de Lynch (Câncer Colorretal Hereditário sem Polipose)
Gabarito: letra D. Na síndrome de Lynch, os tumores colorretais localizam-se preferencialmente no cólon direito, ou seja, próximo à flexura esplênica — afirmação que a alternativa D corretamente reproduz. As demais alternativas erram ao afirmar herança autossômica recessiva (é dominante), mutações em oncogenes (são genes de reparo do DNA), colonoscopia normal aos 40 anos afastando o diagnóstico (não afasta, apenas reduz o risco) e inexistência de exame genético (existe, por sequenciamento dos genes MMR).
A síndrome de Lynch, também chamada de câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC), é a forma mais comum de câncer colorretal hereditário, correspondendo a cerca de 2% a 5% de todos os casos. Diferentemente da polipose adenomatosa familiar (PAF), que se caracteriza por centenas de pólipos, a síndrome de Lynch cursa com poucos ou nenhum pólipo — daí o nome "sem polipose". O defeito genético está nos genes do sistema de reparo de pareamento incorreto do DNA (mismatch repair — MMR), principalmente MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2. Quando esses genes estão mutados, erros de replicação do DNA não são corrigidos, acumulando mutações que levam à carcinogênese.
A herança é autossômica dominante: basta uma cópia do gene mutado para aumentar significativamente o risco de câncer. Isso significa que filhos de um portador têm 50% de chance de herdar a mutação. Os portadores têm risco cumulativo de até 80% de desenvolver câncer colorretal ao longo da vida, além de risco aumentado para câncer de endométrio (o mais comum extracolônico, com risco de até 60%), ovário, estômago, intestino delgado, ureter, bexiga, vias biliares e pâncreas.
Uma característica marcante é a localização preferencial no cólon direito (proximal à flexura esplênica), em contraste com o câncer colorretal esporádico, que predomina no cólon esquerdo e reto. Além disso, os tumores tendem a ocorrer em idade mais jovem (média de 45 anos, contra 65-70 anos do esporádico), são mais frequentemente pouco diferenciados, mucinosos e com infiltração linfocitária. O diagnóstico é confirmado por teste genético (sequenciamento dos genes MMR ou imuno-histoquímica para proteínas MMR), e o rastreamento com colonoscopia a cada 1-2 anos a partir dos 20-25 anos é recomendado — uma colonoscopia normal não afasta o diagnóstico, apenas reduz o risco imediato.
A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca troca herança dominante por recessiva, genes de reparo por oncogenes, e a localização direita por esquerda. O candidato que decora apenas o nome "síndrome de Lynch" sem conhecer as características clínicas e genéticas cai facilmente nas alternativas A, B e C. Guarde o tripé: herança dominante + genes MMR + cólon direito — é exatamente nesses três pilares que as alternativas se dividem.
Característica
Síndrome de Lynch (HNPCC)
Câncer Colorretal Esporádico
Herança genética
Autossômica dominante
Não hereditário (esporádico)
Genes envolvidos
Genes de reparo do DNA (MMR: MLH1, MSH2, MSH6, PMS2)
Mutações somáticas adquiridas
Localização tumoral predominante
Cólon direito (próximo à flexura esplênica)
Cólon esquerdo e reto
Idade média de aparecimento
~45 anos
65–70 anos
Presença de pólipos
Poucos ou nenhum
Variável (frequentemente adenomas)
Risco extracolônico
Alto (endométrio, ovário, estômago, etc.)
Baixo
Síndrome de Lynch: Herança (Autossômica dominante); Genética (Genes MMR (reparo do DNA), MLH1, MSH2, MSH6, PMS2); Localização (Cólon direito (proximal), Próximo à flexura esplênica); Rastreamento (Colonoscopia 1-2 anos, A partir dos 20-25 anos); Diagnóstico (Teste genético, Imuno-histoquímica)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a síndrome de Lynch é uma doença autossômica recessiva. Errado: a herança é autossômica dominante. A confusão provavelmente vem da polipose associada ao gene MYH, que sim é recessiva, mas essa é uma condição distinta da síndrome de Lynch. Na síndrome de Lynch, basta uma cópia mutada do gene MMR para conferir predisposição ao câncer.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que as mutações genéticas que iniciam a doença correspondem a oncogenes. Errado: as mutações estão nos genes de reparo do DNA (MMR) — MLH1, MSH2, MSH6, PMS2 — que são genes supressores de tumor, não oncogenes. Oncogenes são genes que, quando mutados, promovem ativamente a proliferação celular (ex.: RAS, MYC); os genes MMR, quando defeituosos, permitem o acúmulo de erros de replicação, mas não são oncogenes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que uma colonoscopia normal aos 40 anos afasta definitivamente o diagnóstico. Errado: a colonoscopia é um exame de rastreamento, não diagnóstico genético. Uma colonoscopia normal reduz o risco imediato de câncer, mas não exclui a síndrome de Lynch — o diagnóstico é feito por teste genético (sequenciamento dos genes MMR ou imuno-histoquímica). Além disso, o rastreamento deve ser contínuo (a cada 1-2 anos), pois novos pólipos/tumores podem surgir.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a lesão tumoral localiza-se, mais frequentemente, próxima à flexura esplênica. Correto: os tumores da síndrome de Lynch predominam no cólon direito (proximal), que é a região entre o ceco e a flexura esplênica. Essa é uma característica distintiva em relação ao câncer esporádico, que predomina no cólon esquerdo e reto. A flexura esplênica marca a transição entre o cólon transverso e o descendente, sendo o limite distal do cólon direito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que não existe exame genético para o diagnóstico. Errado: existem testes genéticos disponíveis, incluindo o sequenciamento dos genes MMR (MLH1, MSH2, MSH6, PMS2) e a imuno-histoquímica para detectar a perda de expressão das proteínas MMR. Esses exames são fundamentais para confirmar o diagnóstico e orientar o rastreamento dos familiares.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte sistematicamente as características da síndrome de Lynch: troca a herança dominante por recessiva (A), os genes de reparo por oncogenes (B), a localização direita por esquerda (D) e ainda sugere que não há teste genético (E). O candidato que memoriza apenas o nome "síndrome de Lynch" sem os detalhes clínicos cai em pelo menos uma dessas armadilhas. Decore o tripé: dominante + MMR + cólon direito — e você elimina as quatro erradas de uma vez.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de síndromes hereditárias, monte uma tabela mental comparando as principais: síndrome de Lynch (dominante, genes MMR, cólon direito, sem polipose), PAF (dominante, gene APC, centenas de pólipos), polipose associada a MYH (recessiva, gene MYH, poucos pólipos). Essa comparação resolve a maioria das questões sobre câncer colorretal hereditário.