Gastrite atrófica metaplásica autoimune (GAMA)
Gabarito: letra D. A gastrite atrófica metaplásica autoimune (GAMA) é uma doença de caráter autossômico dominante, conforme a literatura médica. As demais alternativas apresentam erros conceituais: há risco de carcinoma gástrico, a anemia é macrocítica (por deficiência de B12), os anticorpos são contra fator intrínseco e células parietais, e a causa não é o H. pylori, mas sim autoimunidade.
A GAMA é uma gastrite inflamatória crônica causada por autoanticorpos contra o fator intrínseco e as células parietais do fundo e corpo gástricos. Essa agressão autoimune leva à destruição das células parietais, que são responsáveis pela produção de ácido gástrico e do fator intrínseco. O fator intrínseco é essencial para a absorção de vitamina B12 no íleo terminal; sua deficiência resulta em anemia megaloblástica (macrocítica), conhecida como anemia perniciosa. A perda das células parietais também causa hipocloridria, que estimula a hiperplasia das células ECL (enterocromafins-like) e hipergastrinemia, aumentando o risco de tumores carcinoides gástricos e de adenocarcinoma gástrico do tipo intestinal.
A doença tem prevalência de cerca de 2%, é mais comum em mulheres (razão 3:1) e frequentemente associada a outras doenças autoimunes, como diabetes melito e tireoidite autoimune. O diagnóstico geralmente é tardio, após manifestações hematológicas da anemia perniciosa. O tratamento envolve reposição de vitamina B12 e vigilância endoscópica para neoplasias.
É fundamental distinguir a GAMA da gastrite atrófica multifocal, que é secundária à infecção por H. pylori e a fatores ambientais. Enquanto a GAMA é autoimune e predominante no corpo gástrico, a multifocal acomete principalmente o antro e está associada à bactéria. Essa distinção é o ponto central da questão: a banca explora a confusão entre as duas formas de gastrite atrófica.
A pegadinha da questão está em associar a GAMA ao H. pylori (alternativa E) e em inverter as características hematológicas (alternativa B). O candidato que não domina a fisiopatologia da doença pode facilmente cair nesses distratores. Guarde o perfil da GAMA: autoimune, anemia macrocítica, risco de neoplasia e herança autossômica dominante.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que não há risco de evolução para carcinoma gástrico. Isso é falso: a GAMA aumenta o risco de adenocarcinoma gástrico do tipo intestinal e de tumores carcinoides gástricos. A atrofia e a metaplasia intestinal são lesões pré-neoplásicas reconhecidas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a anemia é microcítica e hipocrômica. Na GAMA, a anemia é macrocítica (megaloblástica), decorrente da deficiência de vitamina B12 por falta de fator intrínseco. A anemia microcítica e hipocrômica é característica da deficiência de ferro, que pode ocorrer na gastrite por H. pylori, mas não na GAMA.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que há anticorpos contra as células principais do estômago. Na GAMA, os autoanticorpos são contra o fator intrínseco e as células parietais, não contra as células principais (que produzem pepsinogênio). A alternativa troca o alvo imunológico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A GAMA é uma doença com herança autossômica dominante. Essa é a característica genética descrita na literatura para a gastrite atrófica metaplásica autoimune. As demais alternativas apresentam erros conceituais claros, o que torna esta a única correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a GAMA é causada pela infecção por H. pylori. A GAMA é uma doença autoimune, não infecciosa. O H. pylori está associado à gastrite atrófica multifocal, não à forma autoimune. A banca explora a confusão entre os dois tipos de gastrite atrófica.
Gabarito: letra D