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Questão de Medicina — Geriatria — Quadrix 2023

MedicinaGeriatria
Código
qg031267
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatria
A desprescrição é um procedimento que deve fazer parte da avaliação diária do geriatra com o objetivo de evitar os riscos da polifarmácia. Assinale a alternativa que demonstra a sequência correta dos procedimentos que devem ser realizados para que ela ocorra da forma mais segura possível.
  1. Asuspensão dos medicamentos potencialmente inapropriados, monitoramento dos seus efeitos, reintrodução daqueles que o paciente está sentindo falta, acompanhamento.
  2. Binventário dos medicamentos, questionamento dos benefícios do tratamento, suspensão daqueles que provavelmente não são efetivos e possivelmente prejudiciais, monitoramento.
  3. Clevantamento dos medicamentos potencialmente inapropriados de acordo com os Critérios de Beers da American Geriatric Society, suspensão deles, substituição por outros medicamentos que não estão listados.
  4. Dinventário dos medicamentos, suspensão daqueles que estão relacionados na lista de PRISCUS, substituição deles por medicamentos mais seguros, não listados nela.
  5. Einventário dos medicamentos com potencial ação anticolinérgica, suspensão deles pelo potencial de efeitos colaterais.
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GabaritoB — inventário dos medicamentos, questionamento dos benefícios do tratamento, suspensão daqueles que provavelmente não são efetivos e possivelmente prejudiciais, monitoramento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Desprescrição em Geriatria: sequência segura de procedimentos

Gabarito: letra B. A desprescrição é um processo estruturado que começa com o inventário completo dos medicamentos em uso, seguido da avaliação crítica dos benefícios de cada um, da suspensão daqueles sem efetividade ou potencialmente prejudiciais e, por fim, do monitoramento do paciente após as mudanças. Essa sequência lógica — inventariar, questionar, suspender e monitorar — é a que garante a segurança do procedimento, conforme os princípios da prescrição racional em geriatria.

A desprescrição é uma ferramenta essencial no manejo da polifarmácia, definida como o uso de múltiplos medicamentos, frequentemente sem indicação clara ou com risco maior que benefício. O objetivo é reduzir a carga medicamentosa, minimizar eventos adversos e melhorar a qualidade de vida do idoso. O processo não é uma simples retirada aleatória de remédios; exige método e critério. O primeiro passo é sempre o inventário: listar todos os medicamentos, incluindo os de venda livre e fitoterápicos, com suas doses e indicações. Em seguida, deve-se questionar o benefício de cada fármaco à luz das evidências e do estado clínico atual do paciente — muitos medicamentos foram prescritos há anos e podem não ter mais indicação. A partir dessa análise, suspende-se aqueles que provavelmente não são efetivos ou que são potencialmente prejudiciais, priorizando os de maior risco. Por fim, o monitoramento é crucial para avaliar a resposta à retirada, identificar sintomas de abstinência ou retorno da doença de base e garantir que a desprescrição não cause danos.

A banca explora a confusão entre a desprescrição e outras práticas relacionadas, como a simples suspensão de medicamentos inapropriados listados em critérios como os de Beers ou PRISCUS. Embora essas listas sejam ferramentas úteis para identificar fármacos potencialmente inadequados, a desprescrição é um processo mais amplo, que envolve a avaliação individualizada do benefício e do risco, e não apenas a aplicação mecânica de uma lista. A alternativa correta captura essa essência: o processo começa com o inventário e a análise crítica, não com a suspensão direta.

A pegadinha central está em alternativas que focam apenas em listas de medicamentos (Beers, PRISCUS) ou em classes específicas (anticolinérgicos), quando o enunciado pede a sequência completa e segura do procedimento. O candidato que conhece os critérios de Beers pode ser atraído pela alternativa C, mas ela não descreve o processo integral — começa já na suspensão, sem o inventário e a avaliação crítica prévios. A alternativa B é a única que apresenta a sequência lógica e completa: inventário → questionamento dos benefícios → suspensão dos não efetivos/prejudiciais → monitoramento.

Guarde essa sequência como um fluxo mental: inventariar → questionar → suspender → monitorar. É exatamente essa ordem que as alternativas tentam distorcer, omitindo etapas ou trocando a ordem lógica.

  1. 1Inventariar medicamentos
  2. 2Questionar benefícios
  3. 3Suspender não efetivos
  4. 4Monitorar o paciente
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Esta alternativa começa com a suspensão dos medicamentos potencialmente inapropriados, sem antes realizar o inventário e a avaliação crítica dos benefícios. A desprescrição segura exige primeiro conhecer todos os medicamentos em uso e questionar a real necessidade de cada um, antes de qualquer suspensão. Além disso, a ideia de "reintrodução daqueles que o paciente está sentindo falta" é subjetiva e não reflete o critério técnico de monitoramento e reavaliação clínica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a sequência correta e completa. O processo começa com o inventário dos medicamentos (listar tudo o que o paciente usa), seguido do questionamento dos benefícios de cada tratamento (avaliar se ainda há indicação e se os benefícios superam os riscos). Em seguida, suspende-se aqueles que provavelmente não são efetivos e possivelmente prejudiciais, priorizando a segurança. Por fim, o monitoramento é essencial para acompanhar os efeitos da retirada e ajustar a conduta. Essa ordem lógica — inventariar, questionar, suspender, monitorar — é a que garante a segurança do procedimento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Esta alternativa foca apenas no levantamento dos medicamentos potencialmente inapropriados de acordo com os Critérios de Beers e na sua suspensão, com substituição por outros não listados. Embora os Critérios de Beers sejam uma ferramenta útil, a desprescrição não se resume a aplicar uma lista. O processo exige o inventário completo e a avaliação individualizada do benefício e do risco de cada medicamento, considerando o contexto clínico do paciente. Além disso, a substituição automática por medicamentos "não listados" não é uma etapa padrão da desprescrição — o objetivo é reduzir a carga medicamentosa, não simplesmente trocar um fármaco por outro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Esta alternativa também se limita a uma lista específica, a lista de PRISCUS, e propõe a suspensão dos medicamentos nela relacionados e a substituição por outros mais seguros. O erro é o mesmo da alternativa C: a desprescrição não é a aplicação mecânica de uma lista, mas um processo que começa com o inventário e a avaliação crítica dos benefícios. Além disso, a lista de PRISCUS é uma ferramenta alemã, menos utilizada na prática brasileira, e a substituição automática não é uma etapa obrigatória do processo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Esta alternativa restringe a desprescrição ao inventário dos medicamentos com potencial ação anticolinérgica e à sua suspensão. Embora os anticolinérgicos sejam uma classe de risco em idosos, a desprescrição abrange todos os medicamentos potencialmente inadequados, não apenas essa classe. O processo exige a avaliação crítica de todos os fármacos em uso, e não apenas de um grupo específico. Além disso, a alternativa não menciona o monitoramento, etapa essencial para a segurança do procedimento.

A desprescrição é um processo dinâmico e individualizado. A sequência correta — inventariar, questionar, suspender e monitorar — é a que garante que a retirada de medicamentos seja feita com segurança, minimizando riscos e maximizando benefícios para o paciente idoso.

Gabarito: letra B

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