Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Neurologia — Quadrix 2023

MedicinaNeurologia
Código
qg031273
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatria
Considere os seguintes critérios diagnósticos: (1) queixas cognitivas relatadas pelo paciente e/ou informante; (2) relato de declínio cognitivo durante o último ano; (3) alterações na cognição (memória e/ou outros domínios) evidenciado por uma avaliação clínica objetiva quando comparados ao desempenho de outros adultos da mesma idade e nível educacional; (4) sem dificuldade nas atividades de vida diária, funcionamento cognitivo geral preservado. Com base nessas informações, assinale a alternativa em que consta um diagnóstico que corresponda a esses critérios.
  1. ADoença de Alzheimer
  2. BDeclínio cognitivo subjetivo
  3. CDemência pelos Corpos de Lewy
  4. DComprometimento cognitivo leve
  5. EDemência fronto‑temporal
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Comprometimento cognitivo leve

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Comprometimento cognitivo leve (CCL)

Gabarito: letra D. Os quatro critérios descritos — queixas cognitivas relatadas pelo paciente e/ou informante, declínio cognitivo no último ano, alteração objetiva da cognição comparada a adultos da mesma idade e escolaridade, e preservação das atividades de vida diária — correspondem exatamente ao diagnóstico de comprometimento cognitivo leve (CCL), também chamado de transtorno neurocognitivo leve no DSM-5. O ponto decisivo é o critério (4): a independência funcional, que separa o CCL das demências (como Alzheimer, Lewy e frontotemporal), nas quais há prejuízo das atividades de vida diária.

O comprometimento cognitivo leve é uma entidade clínica que ocupa uma posição intermediária entre o envelhecimento cognitivo normal e a demência. O conceito foi formalizado no fim da década de 1990, principalmente a partir dos trabalhos de Petersen, e desde então se consolidou como um diagnóstico de grande relevância clínica, pois identifica um grupo de risco aumentado para progressão para demência — estima-se que uma proporção significativa dos pacientes com CCL evolua para demência em poucos anos, especialmente quando há biomarcadores positivos para doença de Alzheimer.

A definição operacional do CCL envolve quatro pilares, que são exatamente os critérios listados no enunciado: (1) queixa cognitiva, relatada pelo próprio paciente ou por um informante confiável; (2) evidência de declínio cognitivo ao longo do tempo, tipicamente no último ano; (3) desempenho cognitivo abaixo do esperado para a idade e escolaridade, confirmado por avaliação objetiva (testes neuropsicológicos); e (4) preservação da independência funcional nas atividades de vida diária, ainda que possa haver leve dificuldade em atividades instrumentais complexas, como gerenciamento financeiro. É justamente esse último critério que distingue o CCL da demência: na demência, o declínio cognitivo interfere na autonomia do indivíduo.

Na prática clínica, o diagnóstico de CCL é feito após uma avaliação cuidadosa que inclui anamnese detalhada com o paciente e familiares, exame do estado mental, testes cognitivos breves (como o MEEM) e, idealmente, avaliação neuropsicológica completa. O CCL pode ter diferentes apresentações, sendo a amnéstica a mais comum e a que mais frequentemente precede a doença de Alzheimer. Outras apresentações envolvem disfunção executiva, linguagem ou habilidades visuoespaciais. É importante ressaltar que o CCL não é uma entidade homogênea: alguns pacientes permanecem estáveis ou até melhoram, enquanto outros progridem para demência, o que reforça a necessidade de seguimento longitudinal.

A distinção entre CCL e demência é o eixo central desta questão. Enquanto o CCL preserva a independência funcional, a demência — seja por Alzheimer, corpos de Lewy ou frontotemporal — caracteriza-se por declínio cognitivo que compromete a capacidade de realizar atividades da vida diária de forma autônoma. Essa fronteira é o critério que separa as alternativas: as opções A, C e E são tipos de demência e, portanto, exigem prejuízo funcional; a opção B (declínio cognitivo subjetivo) não apresenta alteração objetiva nos testes; e a opção D (CCL) é a única que combina queixa, declínio objetivo e preservação funcional.

1Critérios
Queixa cognitiva (paciente/informante)
Declínio no último ano
Alteração objetiva (testes)
Independência funcional
2Posição
Entre envelhecimento normal e demência
Risco de progressão para demência
3Distinção da demência
CCL: [+] preserva AVDs
Demência: [-] prejuízo funcional
Comprometimento cognitivo leve (CCL)
LEVELsoulevel.com.br
Comprometimento cognitivo leve (CCL): Critérios (Queixa cognitiva (paciente/informante), Declínio no último ano, Alteração objetiva (testes), Independência funcional); Posição (Entre envelhecimento normal e demência, Risco de progressão para demência); Distinção da demência (CCL: [+] preserva AVDs, Demência: [-] prejuízo funcional)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A doença de Alzheimer é uma demência neurodegenerativa progressiva. Seu diagnóstico exige, além do declínio cognitivo, interferência nas atividades de vida diária — critério que o enunciado expressamente exclui ao afirmar "sem dificuldade nas atividades de vida diária, funcionamento cognitivo geral preservado". A DA é a principal causa de demência e tipicamente se apresenta com amnésia anterógrada, mas o comprometimento funcional é parte essencial do diagnóstico sindrômico de demência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O declínio cognitivo subjetivo (DCS) é caracterizado por queixas cognitivas autorrelatadas sem evidência objetiva de déficit nos testes neuropsicológicos. O enunciado, porém, exige "alterações na cognição evidenciado por uma avaliação clínica objetiva" (critério 3), o que afasta o DCS. No DCS, o desempenho nos testes está dentro da faixa esperada para a idade e escolaridade, apesar da queixa subjetiva.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A demência por corpos de Lewy é um tipo de demência que cursa com prejuízo funcional significativo, além de apresentar características clínicas próprias como flutuação cognitiva, alucinações visuais recorrentes, parkinsonismo e distúrbio comportamental do sono REM. O enunciado não menciona nenhuma dessas características e, principalmente, afirma que o funcionamento cognitivo geral está preservado e não há dificuldade nas atividades de vida diária — o que é incompatível com qualquer demência.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O comprometimento cognitivo leve (CCL) é exatamente o diagnóstico que corresponde aos quatro critérios: queixa cognitiva (critério 1), declínio no último ano (critério 2), alteração objetiva da cognição comparada à idade e escolaridade (critério 3) e preservação das atividades de vida diária (critério 4). O CCL é considerado uma fase de transição entre o envelhecimento normal e a demência, e o DSM-5 o denomina transtorno neurocognitivo leve. A independência funcional é o que o distingue das demências.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A demência frontotemporal (DFT) é um grupo de demências neurodegenerativas que afeta predominantemente os lobos frontal e temporal, manifestando-se com alterações de comportamento, personalidade e linguagem. Como toda demência, cursa com comprometimento funcional — o que contraria o critério (4) do enunciado. Além disso, o quadro descrito não menciona as alterações comportamentais ou de linguagem típicas da DFT.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre CCL e demência. O candidato que memoriza apenas "declínio cognitivo" tende a escolher a doença de Alzheimer (letra A), mas o critério decisivo é o item (4): "sem dificuldade nas atividades de vida diária". Na demência, há prejuízo funcional; no CCL, não. Guarde essa fronteira: CCL = queixa + declínio objetivo + independência funcional; demência = declínio + dependência funcional.

PEGA ESSA DICA!

Para questões que pedem o diagnóstico diferencial entre CCL e demências, monte mentalmente uma tabela com os critérios: queixa cognitiva, declínio objetivo, alteração em testes e impacto funcional. O CCL preenche os três primeiros, mas não o último. Se a alternativa mencionar "preservação das atividades de vida diária" ou "independência funcional", o diagnóstico é CCL — a menos que haja biomarcadores positivos, o que caracterizaria Alzheimer prodrômico.

Gabarito: letra D — comprometimento cognitivo leve.

Link permanente: /questoes/qg031273