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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg031277
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia E Obstetrícia - Atenção Básica
No Brasil, o número de casos de sífilis aumentou nos últimos anos. Geralmente assintomática, a sífilis congênita pode acarretar muitos problemas ao feto. A respeito do diagnóstico e tratamento da sífilis na gestação, é correto afirmar que
  1. AVDRL positivo título baixo e teste treponêmico não reagente indicam infecção recente e deve ser tratada.
  2. BO tratamento da sífilis na gestação deve ser sempre com penicilina benzatina 2.400.00 UI semanal, por três semanas.
  3. CO tratamento da sífilis na gestação deve ser sempre com penicilina benzatina 1.200.00 UI semanal, por três semanas.
  4. DSegundo o Ministério da Saúde, o rastreamento de sífilis na gestação deve ser feito no primeiro, segundo e terceiro trimestres com teste não treponêmico e treponêmico concomitantes.
  5. EVDRL título baixo e teste treponêmico não reagente indicam reação cruzada.
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GabaritoE — VDRL título baixo e teste treponêmico não reagente indicam reação cruzada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sífilis na gestação: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra E. A alternativa correta é a que afirma que VDRL positivo com título baixo e teste treponêmico não reagente indicam reação cruzada (falso-positivo). Isso porque, na interpretação dos testes para sífilis, um teste não treponêmico reagente com título baixo (≤ 1:4) associado a um teste treponêmico não reagente sugere fortemente um resultado falso-positivo, especialmente em gestantes, devido a reações cruzadas com outras condições. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo Treponema pallidum, que pode ser transmitida verticalmente da mãe para o feto, causando a sífilis congênita. O diagnóstico laboratorial baseia-se na combinação de dois tipos de testes: os testes não treponêmicos (VDRL, RPR), que detectam anticorpos anticardiolipina e são utilizados para triagem e monitoramento da resposta ao tratamento, e os testes treponêmicos (FTA-Abs, TPHA, ELISA, teste rápido), que detectam anticorpos específicos contra o T. pallidum e são usados para confirmar o diagnóstico.

A interpretação combinada desses testes é fundamental. Quando o teste não treponêmico é reagente e o teste treponêmico é não reagente, a hipótese mais provável é de um falso-positivo, especialmente se o título for baixo (≤ 1:4). Isso ocorre porque os testes não treponêmicos podem apresentar reações cruzadas com outras condições, como doenças autoimunes (lúpus), infecções virais (mononucleose, hepatites), hanseníase, malária, e até mesmo na gestação, devido a alterações imunológicas. Nesses casos, a conduta recomendada é repetir os testes em 30 dias e avaliar a história clínica e epidemiológica da paciente.

O tratamento da sífilis na gestação é sempre realizado com penicilina benzatina, sendo a única droga com eficácia documentada para prevenir a sífilis congênita. O esquema terapêutico varia conforme o estágio clínico da doença: para sífilis recente (primária, secundária ou latente recente), utiliza-se 2.400.000 UI em dose única; para sífilis tardia (latente tardia ou terciária), utiliza-se 2.400.000 UI semanal, por três semanas. É importante ressaltar que o tratamento deve ser iniciado imediatamente após um único teste reagente, sem aguardar a confirmação, devido ao risco de transmissão vertical.

O rastreamento da sífilis na gestação, segundo o Ministério da Saúde, deve ser realizado na primeira consulta de pré-natal, preferencialmente no primeiro trimestre, e repetido no início do terceiro trimestre. O teste rápido treponêmico é o método preferencial, mas, na sua ausência, o VDRL pode ser utilizado. A combinação de testes treponêmicos e não treponêmicos é essencial para o diagnóstico correto, mas não é realizada de forma concomitante em todos os trimestres, como afirma uma das alternativas.

A grande pegadinha desta questão está na interpretação dos resultados sorológicos. A banca explora a confusão entre um resultado falso-positivo (reação cruzada) e uma infecção recente. É crucial lembrar que, na sífilis, o teste treponêmico é o primeiro a se tornar reagente e permanece reagente por toda a vida, mesmo após o tratamento. Portanto, um teste treponêmico não reagente em uma gestante com VDRL reagente de título baixo praticamente exclui o diagnóstico de sífilis ativa, apontando para uma reação cruzada.

Sífilis na gestação
  • 1Diagnóstico
    • Testes não treponêmicos (VDRL, RPR)
      • Triagem e monitoramento
    • Testes treponêmicos (FTA-Abs, TPHA)
      • Confirmação
  • 2Interpretação combinada
    • VDRL + treponêmico reagentes
      • Sífilis ativa
    • VDRL reagente + treponêmico não reagente
      • Falso-positivo (reação cruzada)
  • 3Tratamento (penicilina benzatina)
    • Sífilis recente
      • Dose única 2.400.000 UI
    • Sífilis tardia
      • 2.400.000 UI semanal × 3
  • 4Rastreamento (MS)
    • 1ª consulta (1º trimestre)
    • Início do 3º trimestre
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que VDRL positivo com título baixo e teste treponêmico não reagente indicam infecção recente e deve ser tratada. Isso está errado, pois essa combinação sugere fortemente um falso-positivo (reação cruzada), não uma infecção recente. Na sífilis recente, o teste treponêmico já estaria reagente. A conduta correta seria repetir os testes em 30 dias e avaliar a história clínica, não tratar imediatamente como se fosse sífilis.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento da sífilis na gestação deve ser sempre com penicilina benzatina 2.400.000 UI semanal, por três semanas. Isso está errado, pois o esquema de três doses semanais é indicado apenas para sífilis tardia (latente tardia ou terciária). Para sífilis recente (primária, secundária ou latente recente), o esquema é de dose única de 2.400.000 UI. Além disso, a alternativa contém um erro de digitação ("2.400.00" em vez de "2.400.000").

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento da sífilis na gestação deve ser sempre com penicilina benzatina 1.200.000 UI semanal, por três semanas. Isso está errado por dois motivos: a dose correta é de 2.400.000 UI (não 1.200.000 UI) e o esquema de três doses semanais é reservado para sífilis tardia, não para todos os casos. Para sífilis recente, a dose única de 2.400.000 UI é suficiente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que, segundo o Ministério da Saúde, o rastreamento de sífilis na gestação deve ser feito no primeiro, segundo e terceiro trimestres com teste não treponêmico e treponêmico concomitantes. Isso está errado, pois o rastreamento é recomendado na primeira consulta de pré-natal (preferencialmente no 1º trimestre) e repetido no início do 3º trimestre. Não há recomendação de rastreamento no segundo trimestre, nem de realização concomitante de ambos os testes em todas as ocasiões. O teste rápido treponêmico é o preferencial, e o VDRL é uma alternativa.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que VDRL com título baixo e teste treponêmico não reagente indicam reação cruzada. Isso está correto. Conforme a tabela de interpretação dos testes, um teste não treponêmico reagente com título baixo (≤ 1:4) e teste treponêmico não reagente é classificado como "provável falso-positivo", especialmente se o título for baixo. A conduta é repetir os testes em 30 dias e avaliar a história clínica. Essa combinação não indica infecção recente, pois o teste treponêmico seria reagente nesse caso.

Gabarito: letra E

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