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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg031279
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia E Obstetrícia - Atenção Básica
A deficiência de ferro é muito prevalente durante o prénatal. O correto diagnóstico e a suplementação de ferro durante o pré-natal é muito importante, visto que essa deficiência pode gerar repercussões fetais e neonatais. A respeito dessa deficiência, é correto afirmar que
  1. Aestá associada à prematuridade e abortamentos.
  2. Bvalores de hemoglobina abaixo de 8g/dl, geralmente, acarretam centralização fetal.
  3. Co valor da ferratina é considerado alterado na gestação quando está abaixo de 30 microg/l.
  4. Do valor alterado da ferritina na gestação abaixo de 30 microg/l.
  5. Ea suplementação de ferro é recomendada em todas as gestantes, inclusive nas que apresentam anemia falciforme.
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GabaritoA — está associada à prematuridade e abortamentos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Deficiência de ferro no pré-natal: diagnóstico e suplementação

Gabarito: letra A. A deficiência de ferro na gestação está associada a desfechos obstétricos adversos, incluindo prematuridade e abortamentos — é a complicação mais reconhecida e cobrada em provas. As demais alternativas contêm erros conceituais: a centralização fetal não é determinada por um valor isolado de hemoglobina, o ponto de corte de ferritina para diagnóstico de deficiência de ferro na gestação é de 20 µg/L (não 30), e a suplementação universal de ferro não se aplica a todas as gestantes, havendo contraindicações relativas em condições como a anemia falciforme.

A anemia ferropriva é a carência nutricional mais prevalente no mundo e atinge de forma particularmente intensa a gestante, porque a demanda de ferro aumenta progressivamente ao longo da gravidez: o volume plasmático se expande, o feto e a placenta consomem ferro para a eritropoiese e a formação de tecidos, e as reservas maternas precisam ser mobilizadas. Esse aumento de necessidade é mais acentuado na segunda metade da gestação, especialmente no último trimestre. Quando a oferta não acompanha a demanda, instala-se a deficiência de ferro (DF) e, em estágios mais avançados, a anemia ferropriva.

O diagnóstico laboratorial se baseia em dois pilares: a hemoglobina (Hb) e a ferritina sérica. A ferritina é o marcador mais sensível e específico da reserva de ferro corporal — é a proteína de armazenamento do mineral. Na gestação, porém, a interpretação dos valores é diferente da mulher não grávida, pois há hemodiluição fisiológica e consumo fetal. O ponto de corte tradicionalmente aceito para definir deficiência de ferro na gestante é ferritina sérica abaixo de 20 µg/L (algumas diretrizes utilizam 30 µg/L como valor de rastreamento mais sensível, mas o diagnóstico de deficiência estabelecida usa 20 µg/L). A alternativa C afirma que o valor é considerado alterado abaixo de 30 µg/L — isso não corresponde ao critério diagnóstico padrão.

A suplementação profilática de ferro é recomendada de forma universal para todas as gestantes, na dose de 30 a 60 mg de ferro elementar por dia, iniciada preferencialmente no segundo trimestre, quando a demanda aumenta. Essa recomendação universal, no entanto, tem exceções: gestantes com anemia falciforme, por exemplo, podem apresentar sobrecarga de ferro e hemossiderose, e a suplementação deve ser individualizada, com avaliação dos níveis de ferritina e acompanhamento hematológico. A alternativa E generaliza a suplementação para "todas as gestantes, inclusive nas que apresentam anemia falciforme", o que é incorreto.

A centralização fetal (ou redistribuição do fluxo sanguíneo fetal) é um mecanismo de adaptação à hipóxia crônica, em que o feto prioriza a perfusão de órgãos nobres (cérebro, coração e adrenais) em detrimento de territórios periféricos. Esse fenômeno é avaliado pela dopplervelocimetria das artérias uterinas e umbilicais e está associado à insuficiência placentária e à restrição de crescimento fetal — não é uma consequência direta de um valor específico de hemoglobina materna. A alternativa B, ao afirmar que "valores de hemoglobina abaixo de 8 g/dL, geralmente, acarretam centralização fetal", estabelece uma relação causal que não existe na literatura: a anemia materna isolada não determina centralização fetal, que é um marcador de hipóxia crônica por insuficiência placentária.

A alternativa D repete o erro da C, afirmando que o valor alterado da ferritina na gestação é abaixo de 30 µg/L. Como visto, o critério diagnóstico de deficiência de ferro na gestação é ferritina < 20 µg/L.

A alternativa A é a correta: a deficiência de ferro na gestação está associada a maior risco de prematuridade e abortamentos. A anemia materna, especialmente a moderada a grave, compromete a oxigenação fetal e a função placentária, aumentando o risco de parto pré-termo, baixo peso ao nascer e perda gestacional. Essa associação é amplamente documentada em estudos epidemiológicos e é o desfecho mais diretamente relacionado à carência de ferro na gravidez.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os valores de ferritina (20 vs. 30 µg/L) e entre anemia materna e centralização fetal. O candidato que decora "ferritina < 30" sem saber o contexto gestacional erra as alternativas C e D; o que associa anemia a centralização fetal erra a B. A pegadinha central é a alternativa E: a suplementação universal de ferro tem exceções, e a anemia falciforme é uma delas — a banca troca "recomendada em todas" por "recomendada em todas, inclusive nas que apresentam anemia falciforme", invertendo a lógica da individualização.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A deficiência de ferro na gestação está associada a prematuridade e abortamentos. A anemia materna, especialmente a moderada a grave, compromete a oxigenação fetal e a função placentária, aumentando o risco de parto pré-termo, baixo peso ao nascer e perda gestacional. Essa associação é amplamente documentada e é o desfecho mais diretamente relacionado à carência de ferro na gravidez.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A centralização fetal é um mecanismo de adaptação à hipóxia crônica por insuficiência placentária, avaliado por dopplervelocimetria — não é consequência direta de um valor isolado de hemoglobina materna. A anemia materna isolada não determina centralização fetal; o fenômeno está associado a restrição de crescimento fetal e pré-eclâmpsia, não a um corte específico de Hb.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O ponto de corte de ferritina para diagnóstico de deficiência de ferro na gestação é de 20 µg/L, não 30 µg/L. O valor de 30 µg/L é utilizado por algumas diretrizes como limiar de rastreamento mais sensível, mas não é o critério diagnóstico estabelecido. A alternativa troca o valor correto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Repete o erro da alternativa C: o valor alterado da ferritina na gestação é abaixo de 20 µg/L, não 30 µg/L. A alternativa apresenta o mesmo equívoco com redação diferente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A suplementação universal de ferro é recomendada para todas as gestantes, mas com exceções. Gestantes com anemia falciforme podem apresentar sobrecarga de ferro e hemossiderose, e a suplementação deve ser individualizada, com avaliação dos níveis de ferritina e acompanhamento hematológico. A alternativa generaliza a recomendação para "todas as gestantes, inclusive nas que apresentam anemia falciforme", o que é incorreto.

Gabarito: letra A

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