Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2023
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg031281
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia E Obstetrícia - Atenção Básica
Paciente de 38 anos de idade, procura UBS para realizar exames de rotina. Ela alega ter ciclos menstruais irregulares com data da última menstruação há três meses. A paciente está preocupada, porque colheu o último exame há três anos cujo resultado foi “inflamação” (sic). No momento, na anamnese, refere ter corrimento transparente, fluido, sem odor ou prurido, principalmente, na metade do ciclo menstrual (quatorze dias após a menstruação).Com base nessa situação hipotética, em relação à orientação e melhor conduta a ser tomada, é correto afirmar que
Ahá contraindicação de coleta do exame citologia oncótica cervicovaginal (papanicolaou) nesse momento, porque, além da hipótese de gestação, a vaginose bacteriana tornará a amostra insatisfatória.
Ba paciente deve ser encaminhada diretamente para colposcopia com biópsia, se necessário, como o resultado do exame citologia oncótica cervicovaginal (papanicolaou) anterior é de alto risco para lesão intraepitelial cervical (inflamação).
Cdeve ser realizado o exame especular e a avaliação do conteúdo vaginal macroscopicamente. Caso as características sejam fisiológicas, pode ser feita a coleta do exame citologia oncótica cervicovaginal (papanicolaou) com raspado cérvicovaginal da junção escamo colunar (JEC) e encaminhado o material para análise.
Da paciente deve ser encaminhada imediatamente para o ambulatório de endocrinologia ginecológica, para investigação da amenorreia com principal hipótese de síndrome de ovários policísticos. A coleta da citologia pode ser feita posteriormente.
Ea queixa de corrimento deve sempre ser investigada com exames complementares e a coleta de exame citologia oncótica cervicovaginal é a melhor forma de elucidação diagnóstica.
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GabaritoC — deve ser realizado o exame especular e a avaliação do conteúdo vaginal macroscopicamente. Caso as características sejam fisiológicas, pode ser feita a coleta do exame citologia oncótica cervicovaginal (papanicolaou) com raspado cérvicovaginal da junção escamo colunar (JEC) e encaminhado o material para análise.
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Rastreamento do câncer de colo uterino e avaliação do corrimento vaginal
Gabarito: letra C. A conduta correta é realizar o exame especular e a avaliação macroscópica do conteúdo vaginal; se as características forem fisiológicas (corrimento transparente, fluido, sem odor, no meio do ciclo — provável muco cervical ovulatório), não há contraindicação para a coleta do exame citopatológico (Papanicolaou), que deve incluir o raspado da junção escamo-colunar (JEC). A alternativa C espelha exatamente a recomendação de que a coleta pode ser feita mesmo na presença de corrimento fisiológico, desde que a avaliação clínica não indique processo infeccioso ativo.
O rastreamento do câncer de colo uterino no Brasil segue as diretrizes do Ministério da Saúde e do INCA. O exame citopatológico (Papanicolaou) é o método de rastreamento preconizado, e sua coleta deve ser feita com técnica adequada, incluindo a amostra da ectocérvice e da endocérvice, com ênfase na obtenção de células da junção escamo-colunar (JEC), que é a zona de transformação onde se originam a maioria das lesões precursoras. A presença de corrimento vaginal não contraindica a coleta, desde que não haja sangramento ativo intenso ou processo inflamatório agudo que torne a amostra insatisfatória. Na paciente em questão, o corrimento descrito é transparente, fluido, sem odor e sem prurido, ocorrendo no 14º dia do ciclo — características típicas do muco cervical ovulatório, que é uma secreção fisiológica, não um sinal de infecção. Portanto, a coleta pode ser realizada normalmente.
A avaliação do corrimento vaginal deve ser feita de forma racional. O exame especular permite visualizar o colo e a vagina, e a avaliação macroscópica do conteúdo vaginal (cor, consistência, odor) é o primeiro passo. Se o corrimento for fisiológico, não há necessidade de exames complementares. Se houver suspeita de vaginose bacteriana, candidíase ou tricomoníase, aí sim a coleta de material para exame a fresco ou cultura é indicada. A citologia oncótica não é o exame para diagnosticar corrimento — ela rastreia lesões precursoras do câncer de colo. A paciente tem 38 anos, está na faixa etária de rastreamento (25 a 64 anos), e o último exame foi há 3 anos, então está dentro do intervalo recomendado de 3 anos após dois exames anuais negativos. A queixa de ciclos irregulares com amenorreia de 3 meses merece investigação, mas não contraindica a coleta da citologia — a gestação, se houver, não impede a coleta, e a vaginose bacteriana, se presente, pode ser tratada antes ou a coleta pode ser feita mesmo assim, pois o laboratório consegue avaliar a amostra.
A alternativa C é a única que segue a conduta baseada em evidências: primeiro avaliar clinicamente, depois coletar se não houver contraindicação. As demais alternativas ou superestimam o risco (A), ou indicam procedimentos desnecessários (B, D), ou usam o exame errado para o diagnóstico (E).
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao associar "inflamação" no resultado anterior com alto risco de lesão. Na verdade, "inflamação" na citologia é um achado benigno e reativo, não uma lesão intraepitelial. O candidato que não sabe disso pode achar que a paciente precisa de colposcopia imediata (alternativa B), quando na verdade o seguimento é o rastreamento regular. Outra pegadinha é achar que corrimento fisiológico contraindica a coleta — não contraindica, desde que a avaliação clínica não indique infecção ativa.
Critério
Alternativa A
Alternativa B
Alternativa C (Gabarito)
Alternativa D
Alternativa E
Conduta proposta
Contraindicar coleta do Papanicolaou
Encaminhar direto para colposcopia com biópsia
Exame especular + avaliação macroscópica; coleta se fisiológico
Encaminhar imediato à endocrinologia ginecológica
Investigar corrimento com exames complementares; citologia como diagnóstico
Interpretação do corrimento
Vaginose bacteriana (errônea)
Não avalia (foca no resultado anterior)
Muco cervical ovulatório fisiológico
Não avalia (foca na amenorreia)
Sempre patológico (errônea)
Interpretação do resultado "inflamação"
Não menciona
Alto risco de lesão (errônea)
Achado benigno/reativo (implícito)
Não menciona
Não menciona
Manejo da gestação/amenorreia
Gestação contraindica coleta (errônea)
Não aborda
Não contraindica coleta
Prioriza investigação da amenorreia (precipitado)
Não aborda
Adequação ao rastreamento (INCA/MS)
Incorreta
Incorreta
Correta
Incorreta
Incorreta
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que há contraindicação de coleta do Papanicolaou por hipótese de gestação e vaginose bacteriana. Isso está errado: a gestação não contraindica a coleta — o exame pode e deve ser feito em gestantes, com técnica adequada. A vaginose bacteriana, se presente, pode tornar a amostra insatisfatória, mas não é contraindicação absoluta; o correto é avaliar clinicamente e, se houver infecção ativa, tratar antes ou coletar mesmo assim, informando o laboratório. Além disso, o corrimento descrito é fisiológico (muco ovulatório), não vaginose. A alternativa erra ao transformar situações que exigem avaliação em contraindicações absolutas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Indica encaminhamento direto para colposcopia com biópsia porque o resultado anterior foi "inflamação". Isso é um erro grave: "inflamação" na citologia é um achado benigno e reativo (processo inflamatório inespecífico), não uma lesão intraepitelial de alto risco. A colposcopia é indicada quando há lesão intraepitelial de alto grau (HSIL) ou lesão de baixo grau (LSIL) persistente, ou quando a citologia é insatisfatória repetidamente. A conduta correta para um resultado "inflamação" é repetir o rastreamento no intervalo recomendado, não encaminhar para colposcopia. A alternativa confunde um achado benigno com uma lesão precursora.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta correta é realizar o exame especular e a avaliação macroscópica do conteúdo vaginal. Se as características forem fisiológicas (como no caso: corrimento transparente, fluido, sem odor, no 14º dia do ciclo — muco ovulatório), pode ser feita a coleta do Papanicolaou com raspado da JEC. Isso está alinhado com as diretrizes de rastreamento: a coleta deve incluir amostra da ectocérvice e endocérvice, com ênfase na JEC, e a presença de corrimento fisiológico não contraindica o exame. A alternativa espelha a prática baseada em evidências: avaliar clinicamente antes de decidir.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Indica encaminhamento imediato para endocrinologia ginecológica para investigar amenorreia com hipótese de síndrome de ovários policísticos (SOP). Isso é precipitado: a amenorreia de 3 meses em mulher de 38 anos merece investigação, mas não é uma emergência, e o encaminhamento imediato para especialista não é a conduta de primeiro nível. Além disso, a SOP é uma hipótese, mas não a única — é preciso considerar gestação, disfunção tireoidiana, hiperprolactinemia, entre outras. A coleta da citologia não deve ser adiada: ela faz parte do rastreamento de rotina e pode ser feita na mesma consulta. A alternativa erra ao priorizar o encaminhamento em detrimento do rastreamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a queixa de corrimento deve sempre ser investigada com exames complementares e que a citologia é a melhor forma de elucidação diagnóstica. Isso está errado em dois pontos: (1) corrimento fisiológico não exige exames complementares — a avaliação clínica (exame especular e macroscopia) é suficiente; (2) a citologia oncótica não é o exame para diagnosticar corrimento — ela rastreia lesões precursoras do câncer de colo. Para investigar corrimento, os exames adequados são bacterioscopia, cultura, exame a fresco, dependendo da suspeita clínica. A alternativa confunde o papel da citologia.