Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2023
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg031285
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia E Obstetrícia - Atenção Básica
Paciente com 35 anos de idade, com infertilidade conjugal há 3 anos. O marido, com 37 anos de idade, não apresenta queixas. Ela comparece em consulta no 34o dia do ciclo menstrual com exame ginecológico normal e biópsia de endométrio realizada há dois dias com resultado compatível com padrão proliferativo.Com base nessa situação hipotética, o diagnóstico é
Asinéquias uterinas.
Bciclos anovulatórios.
CSíndrome de Sheehan.
Dhiperplasia endometrial.
Eendometriose.
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GabaritoB — ciclos anovulatórios.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Infertilidade conjugal e ciclos anovulatórios
Gabarito: letra B. O diagnóstico é de ciclos anovulatórios, pois a biópsia de endométrio realizada no 34º dia do ciclo (fase lútea tardia) mostra padrão proliferativo, o que indica ausência de ovulação e, consequentemente, ausência de ação da progesterona sobre o endométrio. A infertilidade é definida como a falha em conceber após 1 ano de relações sexuais regulares sem contracepção em mulheres com menos de 35 anos, ou após 6 meses em mulheres com 35 anos ou mais — a paciente, com 35 anos e 3 anos de tentativas, preenche o critério.
A infertilidade conjugal é um problema que envolve o casal, e não apenas um dos parceiros. As causas podem ser femininas, masculinas ou combinadas, e a investigação deve ser sistemática. No caso apresentado, o exame ginecológico é normal e o marido não apresenta queixas, direcionando a investigação para fatores femininos. A causa feminina mais comum de infertilidade é o distúrbio da ovulação, responsável por 20 a 35% dos casos, seguido por doença tubária (20 a 25%) e fatores uterinos (5 a 15%).
A ovulação é o processo pelo qual um óvulo maduro é liberado do ovário, e depende de uma complexa interação hormonal entre o hipotálamo, a hipófise e os ovários. Após a ovulação, o folículo rompido se transforma no corpo lúteo, que produz progesterona. A progesterona é o hormônio responsável por transformar o endométrio proliferativo (estimulado pelo estrogênio na fase folicular) em endométrio secretor, preparando-o para uma possível implantação do embrião. Se não houver ovulação (ciclo anovulatório), não há formação do corpo lúteo, não há produção de progesterona e o endométrio permanece em padrão proliferativo, sem a transformação secretora esperada para a fase lútea.
No caso da paciente, a biópsia de endométrio foi realizada no 34º dia do ciclo, ou seja, cerca de 20 dias após a ovulação esperada (que ocorreria por volta do 14º dia). Nessa fase, o endométrio deveria estar em fase secretora, evidenciando a ação da progesterona. O resultado compatível com padrão proliferativo indica que não houve ovulação, confirmando o diagnóstico de ciclos anovulatórios. É importante destacar que até um terço das mulheres com menstruação normal é anovulatório, o que reforça a necessidade de medidas objetivas para confirmar a ovulação, como a dosagem de progesterona na fase lútea, a avaliação do muco cervical e a temperatura corporal basal.
A distinção entre as alternativas é crucial. As sinéquias uterinas (alternativa A) são aderências intrauterinas que podem causar infertilidade, mas o diagnóstico é feito por histeroscopia ou histerossalpingografia, e não por biópsia de endométrio. A Síndrome de Sheehan (alternativa C) é uma necrose hipofisária pós-parto, que cursa com pan-hipopituitarismo e amenorreia, não se aplicando ao caso. A hiperplasia endometrial (alternativa D) é uma proliferação anormal das glândulas endometriais, geralmente associada a sangramento uterino anormal, e o padrão histológico seria de hiperplasia, não de endométrio proliferativo normal. A endometriose (alternativa E) é a presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, e o diagnóstico é feito por laparoscopia, não por biópsia de endométrio.
A pegadinha da banca está em associar a infertilidade a causas estruturais ou a outras endocrinopatias, quando o dado-chave é a biópsia de endométrio em fase proliferativa no 34º dia do ciclo. O padrão proliferativo é a evidência direta de anovulação, pois na fase lútea o endométrio deveria estar secretor. Guarde essa relação: endométrio proliferativo na fase lútea = ausência de ovulação = ciclo anovulatório.
1Biópsia no 34º dia (fase lútea)
2Padrão proliferativo (sem progesterona)
3Ausência de ovulação
4Ciclo anovulatório
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Alternativa A — ❌ Incorreta
As sinéquias uterinas são aderências que obliteram parcial ou totalmente a cavidade uterina, podendo causar infertilidade e abortamento de repetição. No entanto, o diagnóstico é feito por histeroscopia ou histerossalpingografia, e a biópsia de endométrio não é o método diagnóstico. Além disso, o padrão proliferativo na fase lútea não é compatível com sinéquias, que cursam com alterações na cavidade, não no padrão histológico do endométrio.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A biópsia de endométrio realizada no 34º dia do ciclo, que deveria estar em fase secretora (pós-ovulatória), mostra padrão proliferativo. Isso indica que não houve ovulação, pois a progesterona produzida pelo corpo lúteo após a ovulação é responsável pela transformação do endométrio proliferativo em secretor. A ausência de ovulação (ciclo anovulatório) é a causa mais comum de infertilidade feminina, e o padrão proliferativo na fase lútea é a confirmação histológica dessa condição.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A Síndrome de Sheehan é uma necrose da hipófise anterior que ocorre após hemorragia pós-parto, levando a pan-hipopituitarismo. As manifestações incluem agalactia, amenorreia, hipotireoidismo e insuficiência adrenal. Não há relação com o padrão proliferativo do endométrio, e a paciente não apresenta história de hemorragia pós-parto. O diagnóstico seria clínico e laboratorial, com dosagens hormonais hipofisárias.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hiperplasia endometrial é uma proliferação anormal das glândulas endometriais, geralmente associada a exposição prolongada ao estrogênio sem oposição da progesterona. O padrão histológico seria de hiperplasia (com atipias ou sem atipias), não de endométrio proliferativo normal. Além disso, a hiperplasia costuma cursar com sangramento uterino anormal, e não com infertilidade isolada. O padrão proliferativo descrito é o endométrio normal da fase folicular, não uma hiperplasia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A endometriose é a presença de tecido endometrial (glândulas e estroma) fora da cavidade uterina, como em ovários, tubas e peritônio. O diagnóstico é feito por laparoscopia, e a biópsia de endométrio não é o método diagnóstico. A endometriose pode causar infertilidade por comprometimento tubário ou ovariano, mas o padrão proliferativo do endométrio não é um achado compatível com essa condição. A paciente apresenta exame ginecológico normal, o que torna a endometriose menos provável, embora não a exclua completamente.
Gabarito: letra B — o padrão proliferativo do endométrio na fase lútea é a chave para o diagnóstico de ciclos anovulatórios.