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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg031293
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia E Obstetrícia - Hospital
Paciente 35 anos de idade, 3G 3PN, realiza exame de colposcopia com biópsia de colo uterino compatível com lesão intraepitelial de baixo grau.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a melhor orientação à paciente.
  1. AO resultado é compatível com lesão no colo uterino, então é importante realizar conização para seguimento adequado.
  2. BO resultado é de baixo grau, ou seja, não há preocupação em relação a câncer de colo uterino.
  3. CEmbora o resultado seja de baixo grau, como a paciente é multípara, será importante a realização de exérese de zona de transformação para diagnóstico.
  4. DA paciente deve ser orientada a respeito da possibilidade de infecção por HPV e deverá realizar a conduta de seguimento com citologia e colposcopia seriadas.
  5. EEmbora o seguimento seja uma conduta adequada, a realização de histerectomia pode ser aventada, se a paciente não desejar mais engravidar (planejamento familiar).
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GabaritoD — A paciente deve ser orientada a respeito da possibilidade de infecção por HPV e deverá realizar a conduta de seguimento com citologia e colposcopia seriadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lesão intraepitelial de baixo grau (LSIL) e conduta

Gabarito: letra D. Na lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL), a conduta é o seguimento com citologia e colposcopia seriadas, pois a maioria dessas lesões regride espontaneamente, especialmente em mulheres jovens. A orientação deve incluir a possibilidade de infecção por HPV, já que essa é a causa da lesão, e o acompanhamento visa detectar precocemente qualquer progressão para lesão de alto grau ou câncer.

A lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL) é uma alteração celular no colo do útero causada pela infecção pelo papilomavírus humano (HPV). É considerada uma lesão pré-maligna de baixo potencial de progressão, pois a maioria das infecções por HPV é transitória e regride espontaneamente, especialmente em mulheres com menos de 30 anos. O sistema de Bethesda classifica as alterações citológicas em LSIL (baixo grau) e HSIL (alto grau), sendo o LSIL equivalente à neoplasia intraepitelial cervical grau 1 (NIC 1) na histologia.

A conduta diante de uma LSIL confirmada por biópsia é o seguimento clínico, não o tratamento cirúrgico imediato. As diretrizes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomendam repetir a citologia em 6 meses, tratando infecções ou atrofia antes da nova coleta. Se a citologia de repetição for negativa em dois exames consecutivos, a paciente retorna ao rastreamento rotineiro. Se a citologia for positiva, realiza-se colposcopia, e a conduta subsequente depende do achado colposcópico: se alterada, biópsia; se sem alterações, seguimento com citologia e colposcopia semestral. Esse acompanhamento é essencial porque, embora a maioria das LSIL regrida, uma pequena parcela pode progredir para lesões de alto grau e, eventualmente, câncer invasor.

A principal distinção que a questão explora é entre o tratamento de lesões de baixo grau e o de lesões de alto grau. Enquanto a LSIL é manejada com vigilância, a lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL) exige intervenção, como a excisão da zona de transformação (EZT) ou conização. A conização é reservada para casos de HSIL, adenocarcinoma in situ, ou quando há suspeita de microinvasão. A histerectomia, por sua vez, é uma opção apenas para casos de câncer invasor ou lesões de alto grau recorrentes, não para LSIL. A banca tenta confundir o candidato oferecendo opções de tratamento cirúrgico para uma lesão que, na verdade, deve ser apenas observada.

A pegadinha central é a tentação de tratar cirurgicamente uma lesão de baixo grau, quando a conduta correta é o seguimento. O candidato deve lembrar que LSIL não é indicação de conização, EZT ou histerectomia, independentemente da paridade ou do desejo de engravidar. A orientação à paciente deve incluir a explicação sobre a infecção por HPV, sua alta prevalência e transitoriedade, e a importância do seguimento regular para detectar precocemente qualquer progressão.

LSIL (baixo grau)
  • 1Conduta
    • Seguimento com citologia e colposcopia seriadas
    • Repetir citologia em 6 meses
    • Regressão espontânea (maioria)
  • 2Tratamento cirúrgico
    • Conização (reservada a HSIL)
    • Exérese da zona de transformação (HSIL)
    • Histerectomia (câncer invasor)
  • 3Causa
    • Infecção por HPV
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A conização é um procedimento cirúrgico indicado para lesões de alto grau (HSIL), adenocarcinoma in situ ou suspeita de microinvasão, não para lesões de baixo grau (LSIL). A conduta para LSIL é o seguimento com citologia e colposcopia, pois a maioria regride espontaneamente. Realizar conização nesse caso seria um overtreatment, expondo a paciente a riscos desnecessários, como sangramento, infecção e complicações obstétricas futuras.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Embora a LSIL seja uma lesão de baixo grau, não se pode afirmar que não há preocupação em relação ao câncer de colo uterino. A LSIL é uma lesão pré-maligna que, embora tenha alta taxa de regressão espontânea, pode progredir para lesões de alto grau e, eventualmente, câncer invasor. Por isso, o seguimento é obrigatório, e a paciente deve ser orientada sobre a importância do acompanhamento regular.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A exérese da zona de transformação (EZT) é um procedimento indicado para lesões de alto grau (HSIL), não para lesões de baixo grau (LSIL). A paridade da paciente não influencia a conduta para LSIL, que é o seguimento com citologia e colposcopia. A EZT seria um tratamento excessivo e não é recomendada para lesões de baixo grau, independentemente da história obstétrica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta correta para LSIL é o seguimento com citologia e colposcopia seriadas, conforme as diretrizes do INCA. A paciente deve ser orientada sobre a possibilidade de infecção por HPV, que é a causa da lesão, e sobre a importância do acompanhamento regular para detectar precocemente qualquer progressão. A maioria das LSIL regride espontaneamente, mas o seguimento é essencial para garantir que lesões persistentes ou progressivas sejam tratadas adequadamente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A histerectomia é um procedimento cirúrgico radical, indicado apenas para casos de câncer invasor ou lesões de alto grau recorrentes, não para LSIL. Mesmo que a paciente não deseje mais engravidar, a histerectomia não é uma opção para lesões de baixo grau, pois o tratamento de primeira linha é o seguimento. A realização de histerectomia nesse contexto seria um overtreatment, com riscos cirúrgicos e complicações desnecessárias.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta induzir o candidato a escolher uma opção de tratamento cirúrgico (conização, EZT, histerectomia) para uma lesão de baixo grau, quando a conduta correta é o seguimento. Lembre-se: LSIL é uma lesão de baixo potencial de progressão, e a maioria regride espontaneamente. O tratamento cirúrgico é reservado para lesões de alto grau (HSIL) ou câncer invasor. Com treino, você identifica essa troca de conduta de longe 💪.

Gabarito: letra D

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