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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg031300
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia E Obstetrícia - Ultrassonografia
Ascite e derrame pleural, líquido amniótico normal e batimentos cardíacos fetais presentes, quando achados em uma ultrassonografia obstétrica morfológica do segundo trimestre, indicam um diagnóstico de
  1. Ainsuficiência hepática fetal.
  2. Binsuficiência cardíaca fetal.
  3. Cinsuficiência renal fetal.
  4. Dinfecção congênita fetal.
  5. Ehidropisia fetal.
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GabaritoE — hidropisia fetal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hidropisia fetal: diagnóstico ultrassonográfico

Gabarito: letra E. A associação de ascite e derrame pleural com líquido amniótico normal e batimentos cardíacos fetais presentes, em ultrassonografia morfológica do segundo trimestre, é o quadro clássico de hidropisia fetal não imune. A hidropisia fetal é definida pela presença de acúmulo anormal de líquido em pelo menos dois compartimentos fetais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico ou edema cutâneo), sendo a ascite e o derrame pleural os achados mais comuns.

A hidropisia fetal é uma condição grave, com alta mortalidade perinatal, caracterizada pelo acúmulo excessivo de líquido no feto. Pode ser classificada em imune (por incompatibilidade Rh, hoje rara com a profilaxia) e não imune (a grande maioria, com múltiplas etiologias: cardiopatias, aneuploidias, infecções congênitas, malformações torácicas, doenças hematológicas, entre outras). O diagnóstico é essencialmente ultrassonográfico, e a presença de líquido em dois ou mais compartimentos fetais é o critério diagnóstico.

Na prática, o ultrassonografista, ao identificar ascite e derrame pleural no feto, deve suspeitar de hidropisia fetal. A presença de líquido amniótico normal e batimentos cardíacos fetais presentes ajuda a afastar outras causas de oligoidrâmnio ou sofrimento fetal agudo, mas não exclui a hidropisia. A avaliação deve incluir a pesquisa de edema cutâneo (espessamento > 5 mm), derrame pericárdico, e a investigação etiológica com Doppler, ecocardiografia fetal e exames laboratoriais maternos.

A hidropisia fetal não imune tem como principais causas: cardiopatias congênitas (30-40%), aneuploidias (10-15%), infecções congênitas (TORCH, parvovírus B19), malformações torácicas (hérnia diafragmática, sequestro pulmonar), doenças hematológicas (talassemia alfa), tumores (teratoma sacrococcígeo), e causas idiopáticas. O prognóstico é reservado, com mortalidade perinatal em torno de 50-90% dependendo da etiologia e da idade gestacional.

A banca explora a confusão entre hidropisia fetal e outras condições que podem cursar com ascite ou derrame pleural isolados. A insuficiência cardíaca fetal, por exemplo, pode causar hidropisia, mas é uma causa, não o diagnóstico sindrômico. A insuficiência hepática fetal e a insuficiência renal fetal não cursam com derrame pleural e ascite como manifestação principal. A infecção congênita pode causar hidropisia, mas não é o diagnóstico mais direto diante do quadro descrito.

Guarde o critério: hidropisia fetal = líquido em ≥ 2 compartimentos fetais. É exatamente esse critério que a questão testa, e é nele que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A insuficiência hepática fetal não é uma condição que cursa com ascite e derrame pleural como manifestação ultrassonográfica típica. A insuficiência hepática fetal é rara e geralmente associada a doenças metabólicas ou infecções, mas não produz o quadro de acúmulo de líquido em múltiplos compartimentos. A ascite fetal pode ocorrer em algumas hepatopatias, mas o derrame pleural associado não é característico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A insuficiência cardíaca fetal pode, de fato, levar a hidropisia fetal, mas é uma causa subjacente, não o diagnóstico sindrômico que o enunciado pede. A questão descreve os achados ultrassonográficos (ascite + derrame pleural) que definem a hidropisia fetal, e não a etiologia. A insuficiência cardíaca é uma das causas de hidropisia não imune, mas o diagnóstico a partir dos achados é hidropisia fetal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A insuficiência renal fetal não cursa com ascite e derrame pleural. A insuficiência renal fetal geralmente se manifesta com oligoidrâmnio (diminuição do líquido amniótico) devido à redução da produção urinária fetal, e não com acúmulo de líquido em cavidades. O enunciado afirma que o líquido amniótico é normal, o que afasta a insuficiência renal como causa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A infecção congênita fetal (como parvovírus B19, citomegalovírus, toxoplasmose) pode causar hidropisia fetal, mas não é o diagnóstico mais direto diante do quadro descrito. A hidropisia fetal é o diagnóstico sindrômico, e a infecção congênita é uma das possíveis etiologias. A questão pede o diagnóstico a partir dos achados ultrassonográficos, que é hidropisia fetal, e não a causa.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A hidropisia fetal é definida pela presença de acúmulo anormal de líquido em pelo menos dois compartimentos fetais, como ascite e derrame pleural. O enunciado descreve exatamente esses achados (ascite e derrame pleural) com líquido amniótico normal e batimentos cardíacos fetais presentes, o que é compatível com hidropisia fetal não imune. O diagnóstico é feito pela ultrassonografia morfológica, e a presença de líquido em dois ou mais compartimentos é o critério diagnóstico.

Gabarito: letra E

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