Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2023
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg031304
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia E Obstetrícia - Ultrassonografia
Paciente de trinta anos de idade, secundigesta, idade gestacional, de acordo com a DUM, de sete semanas, realiza ultrassonografia de primeiro trimestre por exame via transvaginal. Observa‑se a imagem de um saco gestacional tópico, único, com diâmetro médio de 25 mm, vesícula vitelínica não visibilizada e embrião não visibilizado, corpo lúteo no ovário esquerdo e pouco vascularizado.Com base nessa situação hipotética, o diagnóstico mais provável é
Aaborto retido.
Baborto infectado.
Cgestação anembrionada.
Dgestação inicial.
Eóbito fetal.
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GabaritoC — gestação anembrionada.
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Gestação anembrionada: diagnóstico ultrassonográfico no primeiro trimestre
Gabarito: letra C. O quadro descrito — saco gestacional tópico com diâmetro médio de 25 mm, sem embrião visibilizado e sem vesícula vitelínica — é o achado clássico de gestação anembrionada (também chamada de ovo cego ou saco gestacional sem embrião). O diagnóstico se baseia nos critérios ultrassonográficos de falha gestacional precoce, que definem quando um saco gestacional deve conter estruturas embrionárias e não as apresenta.
A gestação anembrionada é uma forma de abortamento espontâneo precoce em que o saco gestacional se desenvolve, mas o embrião não se forma ou não é identificável. Ela ocorre, na maioria das vezes, por anomalias cromossômicas do concepto, sendo responsável por uma parcela significativa dos abortamentos do primeiro trimestre. O diagnóstico é essencialmente ultrassonográfico: o saco gestacional está presente e cresce, porém não se observa o embrião dentro dele, mesmo quando o saco já atingiu dimensões em que a visualização embrionária seria obrigatória.
Os critérios ultrassonográficos para o diagnóstico de gestação anembrionada são bem estabelecidos e envolvem a medida do diâmetro médio do saco gestacional (DMS). Quando o DMS é igual ou superior a 25 mm e não há embrião visível, o diagnóstico é definitivo. Esse é exatamente o caso da paciente: DMS de 25 mm, sem embrião e sem vesícula vitelínica. A ausência da vesícula vitelínica reforça ainda mais o diagnóstico, pois em uma gestação normal ela costuma ser visibilizada quando o DMS atinge cerca de 8 a 10 mm.
É importante distinguir a gestação anembrionada de outras condições que cursam com saco gestacional sem embrião visível. A gestação inicial é um diagnóstico de exclusão: em fases muito precoces (DMS menor que 16 mm, por exemplo), o embrião pode ainda não ser visibilizado por limitação técnica, e o acompanhamento seriado é necessário. Já no aborto retido, há um embrião ou feto que morreu, mas que permanece na cavidade uterina sem ser eliminado — ou seja, o embrião já foi identificado em algum momento. No óbito fetal, a morte ocorre após 20 semanas ou com concepto pesando mais de 500 gramas, o que não se aplica a uma gestação de 7 semanas. O aborto infectado (séptico) cursa com sinais de infecção, como febre, calafrios e secreção purulenta, ausentes no caso.
A banca explora exatamente a confusão entre gestação anembrionada e aborto retido. A diferença crucial está na presença ou ausência de embrião: no aborto retido, o embrião existiu e morreu; na gestação anembrionada, o embrião nunca se desenvolveu de forma identificável. O termo "retido" refere-se à retenção do conteúdo, não à ausência de embrião. Guarde essa distinção: é ela que separa as alternativas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O aborto retido é definido como a morte do embrião ou feto sem eliminação dos tecidos, com o óstio cervical fechado. A característica fundamental é que houve um embrião que morreu — ele foi visibilizado em algum momento ou deveria ser visível para o diagnóstico. No caso descrito, o embrião nunca foi visibilizado, e o saco gestacional já tem 25 mm, o que torna o diagnóstico de gestação anembrionada mais apropriado. A banca troca o conceito: no aborto retido, o embrião existe (ou existiu) e morreu; na gestação anembrionada, o embrião não se desenvolveu.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O aborto infectado (ou séptico) é caracterizado por infecção da cavidade uterina, com febre, calafrios, sensibilidade uterina e secreção purulenta e fétida pelo óstio cervical. Nenhum desses sinais está presente no caso — a paciente não apresenta sintomas infecciosos, e o exame ultrassonográfico não descreve qualquer sinal de infecção. O diagnóstico de aborto séptico é clínico, baseado nos sinais de infecção, e não ultrassonográfico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A gestação anembrionada é o diagnóstico correto. O saco gestacional tópico com diâmetro médio de 25 mm, sem embrião visibilizado e sem vesícula vitelínica, preenche os critérios ultrassonográficos definitivos para esse diagnóstico. Quando o diâmetro médio do saco gestacional é igual ou superior a 25 mm e não há embrião, a gestação anembrionada é confirmada. A ausência da vesícula vitelínica, que normalmente é visível a partir de DMS de 8-10 mm, corrobora o diagnóstico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A gestação inicial é um diagnóstico de exclusão, aplicado quando o saco gestacional é muito pequeno (geralmente DMS menor que 16 mm) e o embrião ainda não pode ser visibilizado por limitação técnica do exame. Nesses casos, recomenda-se ultrassonografia de controle em 7 a 14 dias para avaliar a evolução. No caso, o DMS de 25 mm já é suficientemente grande para que o embrião seja obrigatoriamente visível — sua ausência indica falha gestacional, não uma gestação simplesmente precoce.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O óbito fetal é definido como a morte do feto após 20 semanas de gestação ou com peso superior a 500 gramas. A paciente tem apenas 7 semanas de idade gestacional, portanto o concepto é um embrião, não um feto. O termo "óbito fetal" não se aplica a gestações tão precoces; a terminologia correta para a morte do embrião ou concepto antes de 20 semanas é abortamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir gestação anembrionada com aborto retido. A chave é lembrar que no aborto retido houve um embrião que morreu (ele foi ou deveria ter sido visibilizado), enquanto na gestação anembrionada o embrião nunca se desenvolveu — o saco gestacional cresce vazio. Quando o DMS é ≥ 25 mm e não há embrião, o diagnóstico é gestação anembrionada, não aborto retido.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar os critérios ultrassonográficos de falha gestacional precoce, memorize os principais marcos: embrião deve ser visível quando o DMS ≥ 25 mm; atividade cardíaca deve estar presente quando o embrião tem comprimento cabeça-nádega (CCN) ≥ 7 mm. Se esses critérios não forem atendidos, o diagnóstico de gestação anembrionada ou aborto retido é confirmado. Na prova, identifique primeiro o DMS e a presença ou ausência de embrião — isso resolve a maioria das questões.