Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Hematologia — Quadrix 2023

MedicinaHematologia
Código
qg031315
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Hematologia - Hemoterapia
Um homem de 65 anos de idade, natural dos Camarões, foi internado por hipoxemia. Era previamente hipertenso e diabético. Exames laboratoriais revelaram Hb 13,3 g/dl, VCM 98 fl, plaquetas 144 × 10³ /μl, leucócitos 3,57 × 10³ /μl, contagem absoluta de linfócitos: 1,27 × 10³ /μl, bilirrubina total 0,9 mg/dl. A TC de tórax mostrou lesões em vidro fosco disseminadas com 40% a 50% do parênquima pulmonar. A PCR do SARS CoV‑2 em um swab nasofaríngeo foi positiva. Hidroxicloroquina e azitromicina foram iniciadas no dia da internação. No dia 5, apresentava haptoglobina diminuída, bilirrubina total: 4,4 mg/dl, BI: 3,2 mg/dl, DHL: 1743. Teste de antiglobulina direta ‑negativo A hidroxicloroquina foi suspenso. Evoluiu com agravamento da anemia, com plaquetometria e leucometria normais e recebeu múltiplas transfusões de sangue.Com base nessa situação hipotética, é correto afirmar que o quadro do paciente sugere
  1. Ahemólise aguda por deficiência de G6PD.
  2. Banemia hemolítica por incompatibilidade transfusional.
  3. Canemia hemolítica autoimune induzida por droga.
  4. Danemia de Blackfan‑Diamond.
  5. Emicroangiopatia trombótica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — hemólise aguda por deficiência de G6PD.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemólise aguda por deficiência de G6PD

Gabarito: letra A. O quadro é de hemólise aguda por deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD), desencadeada pelo uso de hidroxicloroquina e azitromicina em paciente com COVID-19. A hemólise é evidenciada pela queda da haptoglobina, elevação de bilirrubina indireta e DHL, com teste de antiglobulina direta (TAD) negativo — o que afasta causa imune. A origem africana (Camarões) reforça a suspeita, pois a deficiência de G6PD é mais prevalente em populações de ascendência africana.

A deficiência de G6PD é uma enzimopatia hereditária ligada ao cromossomo X que compromete a via das pentoses-fosfato dos eritrócitos. Essa via é a única fonte de NADPH da hemácia, e o NADPH é essencial para manter a glutationa reduzida, que protege a célula contra o estresse oxidativo. Quando o paciente é exposto a agentes oxidantes — como certos medicamentos (hidroxicloroquina, sulfonamidas, dapsona, nitrofurantoína), infecções ou favismo —, a hemácia deficiente não consegue neutralizar as espécies reativas de oxigênio, e a hemoglobina precipita formando corpúsculos de Heinz, que lesam a membrana e levam à hemólise intravascular aguda.

O diagnóstico é eminentemente clínico-laboratorial. Na crise hemolítica aguda, observa-se queda abrupta da hemoglobina, elevação de DHL e bilirrubina indireta, redução da haptoglobina e reticulocitose (que pode não aparecer nos primeiros dias). O TAD é negativo, pois não há anticorpos ou complemento aderidos à hemácia — diferentemente da anemia hemolítica autoimune. A confirmação é feita pela dosagem da atividade enzimática da G6PD, que deve ser realizada fora da crise (ou com correção pela reticulocitose), pois os reticulócitos jovens têm mais enzima e podem mascarar o resultado.

A distinção central desta questão está entre as causas de hemólise com TAD negativo. A incompatibilidade transfusional (alternativa B) também cursa com hemólise intravascular e TAD negativo, mas o paciente recebeu transfusões apenas após o início do quadro — a hemólise já estava presente no dia 5, antes das transfusões. A anemia hemolítica autoimune induzida por droga (alternativa C) teria TAD positivo na maioria dos casos (mecanismo de hapteno ou autoanticorpo). A anemia de Blackfan-Diamond (alternativa D) é uma aplasia eritroide pura congênita, sem hemólise. A microangiopatia trombótica (alternativa E) cursaria com anemia, trombocitopenia e esquizócitos no esfregaço — aqui as plaquetas estão normais na evolução.

A pegadinha da banca está em associar o quadro à COVID-19 e às transfusões, induzindo o candidato a pensar em reação transfusional ou anemia imune. O ponto-chave é a sequência temporal: a hemólise começou após a introdução da hidroxicloroquina e azitromicina, antes de qualquer transfusão, e o TAD negativo aponta para causa não imune. A origem africana é a pista epidemiológica que fecha o diagnóstico.

Guarde o critério que separa as alternativas: hemólise com TAD negativo + fator desencadeante oxidante + origem africana = deficiência de G6PD. É exatamente essa combinação que a alternativa A espelha.

1Deficiência de G6PD
Origem africana
Drogas oxidantes (hidroxicloroquina, azitromicina)
Hemólise intravascular aguda
2Incompatibilidade transfusional
Após transfusão
Reação aguda (febre, dor lombar)
3Microangiopatia trombótica
Trombocitopenia
Esquizócitos
Hemólise com TAD negativo
LEVELsoulevel.com.br
Hemólise com TAD negativo: Deficiência de G6PD (Origem africana, Drogas oxidantes (hidroxicloroquina, azitromicina), Hemólise intravascular aguda); Incompatibilidade transfusional (Após transfusão, Reação aguda (febre, dor lombar)); Microangiopatia trombótica (Trombocitopenia, Esquizócitos)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A hemólise aguda por deficiência de G6PD é a hipótese que melhor explica o quadro. O paciente tem origem africana (Camarões), fator de risco epidemiológico clássico. Recebeu hidroxicloroquina e azitromicina, ambos com potencial oxidante. No dia 5, apresenta sinais de hemólise intravascular: haptoglobina diminuída, bilirrubina indireta elevada (BI 3,2 de um total de 4,4) e DHL de 1743. O TAD negativo afasta mecanismo imune. A suspensão da hidroxicloroquina e a necessidade de transfusões são compatíveis com a evolução de uma crise hemolítica grave.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A anemia hemolítica por incompatibilidade transfusional ocorreria após a transfusão de sangue incompatível, com hemólise intravascular aguda, febre, dor lombar e hemoglobinúria. No caso, a hemólise já estava presente no dia 5, antes de qualquer transfusão — as transfusões foram consequência do agravamento da anemia, não a causa. Além disso, não há relato de reação transfusional aguda no momento das transfusões.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A anemia hemolítica autoimune induzida por droga pode ocorrer por mecanismo de hapteno, imunocomplexo ou autoanticorpo verdadeiro. Na maioria dos casos, o TAD é positivo, pois há anticorpos ou complemento na superfície das hemácias. O TAD negativo neste paciente praticamente exclui essa hipótese. Além disso, a hidroxicloroquina e a azitromicina são mais conhecidas por causar hemólise em pacientes com deficiência de G6PD do que por induzir autoimunidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A anemia de Blackfan-Diamond é uma aplasia eritroide pura congênita, caracterizada por anemia normocrômica ou macrocítica na infância, com reticulocitopenia e ausência de precursores eritroides na medula. Não há hemólise — a haptoglobina estaria normal e a bilirrubina indireta não se elevaria. O quadro apresentado é de hemólise aguda em adulto, totalmente incompatível.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A microangiopatia trombótica (PTT/SHU) cursa com anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e esquizócitos no esfregaço de sangue periférico. O paciente apresenta plaquetas normais na evolução ("plaquetometria e leucometria normais"), o que afasta o diagnóstico. Além disso, não há relato de sintomas neurológicos ou renais que acompanhariam a PTT.

Gabarito: letra A — hemólise aguda por deficiência de G6PD, desencadeada por drogas oxidantes em paciente com predisposição genética.

Link permanente: /questoes/qg031315