Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Quadrix 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg031320
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia
Paciente de 34 anos de idade, sexo masculino, proveniente de Minas Gerais, assintomático, vem ao consultório com primodiagnóstico de HIV feito em exames de triagem e confirmado conforme protocolo diagnóstico de HIV pelo Ministério da saúde. Na sua história, refere que já fez tratamento para Leishmaniose Visceral (LV) há um ano, com melhora do quadro. Nos resultados dos exames laboratoriais, Contagem de Linfócito T‑CD4+ de 110/mm³.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta uma profilaxia que deve ser realizada para esse paciente.
  1. Aprofilaxia primária de Leishmaniose tegumentar com uso de roupas claras e compridas
  2. Bprofilaxia secundária para LV com Anfotericina B lipossomal a cada 2 ou 4 semanas
  3. Cprofilaxia secundária de Toxoplasmose com Sulfametoxazol‑trimetoprim 3x na semana
  4. Dprofilaxia primária para Complexo Mycobacterium avium com Azitromicina 1x ao dia
  5. Eprofilaxia secundária para LV com Pentamidina 1x ao dia até CD4 acima de 350/mm³
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — profilaxia secundária para LV com Anfotericina B lipossomal a cada 2 ou 4 semanas

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Profilaxias em PVHIV: Leishmaniose Visceral e Imunossupressão Grave

Gabarito: letra B. O paciente tem HIV com CD4+ de 110/mm³ e histórico de Leishmaniose Visceral (LV) tratada há um ano — portanto, a profilaxia indicada é a secundária para LV, com Anfotericina B lipossomal a cada 2 ou 4 semanas, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para manejo da infecção pelo HIV em adultos. A profilaxia secundária é instituída após o tratamento de uma infecção oportunista clinicamente manifesta, mantida enquanto houver imunossupressão com risco de reativação — exatamente o caso do paciente, que já teve LV e mantém CD4+ < 200 células/mm³.

A profilaxia em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) tem duas modalidades: primária, para quem nunca teve a doença mas tem critérios de risco (ex.: CD4+ baixo), e secundária, para quem já teve a infecção oportunista e precisa evitar reativação. No caso da LV, a profilaxia é somente secundária, indicada quando há histórico de doença prévia. O Ministério da Saúde preconiza, como primeira escolha, o antimoniato N-metil glucamina 810 mg/Sb⁵⁺ uma vez ao mês, ou anfotericina B desoxicolato 1 mg/kg a cada 2 ou 4 semanas, ou anfotericina B lipossomal 3 mg/kg a cada 2 ou 4 semanas; como alternativa, isotionato de pentamidina 4 mg/kg/dia a cada 2 ou 4 semanas. A alternativa B espelha exatamente essa recomendação, com a anfotericina B lipossomal no intervalo correto.

A coinfecção Leishmania-HIV é particularmente grave: a LV acelera a replicação do HIV e a progressão para Aids, e o risco de falha terapêutica é alto, com recaídas frequentes a menos que o paciente esteja em TARV. A reativação da LV é mais comum quando o CD4+ está abaixo de 200 células/mm³ — o que justifica manter a profilaxia secundária enquanto durar a imunossupressão. O paciente do enunciado, com CD4+ de 110/mm³, está claramente nessa faixa de risco.

A banca explora a confusão entre profilaxia primária e secundária, e entre as diferentes infecções oportunistas e seus respectivos esquemas. É essencial memorizar os limiares de CD4+ e as drogas de escolha para cada profilaxia: PCP (CD4+ < 200, SMX-TMP 3x/semana), toxoplasmose (CD4+ < 100, SMX-TMP 1x/dia), complexo Mycobacterium avium (CD4+ < 50, azitromicina ou claritromicina), e LV (somente secundária, com as opções citadas). A pegadinha está em trocar o limiar, a frequência ou a droga — como fazem as alternativas incorretas.

Guarde o critério decisivo: profilaxia secundária para LV exige histórico de doença prévia + imunossupressão (CD4+ < 200), e o esquema de primeira linha inclui anfotericina B lipossomal a cada 2 ou 4 semanas. É exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.

Profilaxia

Indicação (CD4+)

Esquema correto

Tipo

LV (secundária)

Histórico de LV + CD4+ < 200

Anfotericina B lipossomal 3 mg/kg a cada 2–4 semanas (1ª escolha)

Secundária

Toxoplasmose

CD4+ < 100 + IgG anti-T. gondii reagente

SMX-TMP 800+160 mg 1x/dia

Primária ou secundária

PCP

CD4+ < 200

SMX-TMP 800+160 mg 3x/semana

Primária ou secundária

Complexo Mycobacterium avium

CD4+ < 50

Azitromicina 1.200 mg 1x/semana ou claritromicina 500 mg 2x/dia

Primária

Alternativa A — ❌ Incorreta

A profilaxia primária de Leishmaniose tegumentar (LT) com roupas claras e compridas não é uma profilaxia medicamentosa e não se aplica ao caso. O paciente tem LV, não LT, e a profilaxia para LV é secundária, não primária. Além disso, medidas de proteção individual (repelentes, mosquiteiros, evitar exposição ao vetor) são recomendadas para viajantes em áreas endêmicas, mas não constituem a profilaxia indicada para uma PVHIV com histórico de LV.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A profilaxia secundária para LV com anfotericina B lipossomal a cada 2 ou 4 semanas é exatamente o que o PCDT do Ministério da Saúde preconiza como primeira escolha para pacientes com histórico de LV e imunossupressão (CD4+ < 200 células/mm³). O paciente tem CD4+ de 110/mm³ e já teve LV tratada — preenche os critérios. A dose e o intervalo estão corretos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A profilaxia secundária de toxoplasmose com sulfametoxazol-trimetoprim (SMX-TMP) 3x na semana está errada em dois pontos: (1) a profilaxia para toxoplasmose é indicada quando CD4+ < 100 células/mm³ e IgG anti-T. gondii reagente — o paciente tem CD4+ de 110/mm³, acima do limiar; (2) o esquema correto é SMX-TMP 800+160 mg 1x/dia, não 3x/semana (essa frequência é da profilaxia de PCP). A banca troca a frequência e o limiar de CD4+.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A profilaxia primária para complexo Mycobacterium avium (MAC) com azitromicina 1x ao dia é indicada apenas quando CD4+ < 50 células/mm³. O paciente tem CD4+ de 110/mm³, acima do limiar, portanto não há indicação. Além disso, a profilaxia para MAC é primária (não há profilaxia secundária de rotina), e a droga de escolha é azitromicina 1.200 mg 1x/semana ou claritromicina 500 mg 2x/dia — não azitromicina 1x ao dia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A profilaxia secundária para LV com pentamidina 1x ao dia até CD4+ acima de 350/mm³ está errada: (1) a pentamidina (isotionato) é alternativa, não primeira escolha, e a dose é 4 mg/kg/dia a cada 2 ou 4 semanas, não 1x ao dia; (2) o critério de suspensão da profilaxia para LV não é CD4+ > 350/mm³ — o PCDT não estabelece um limiar fixo de CD4+ para suspensão, mas sim avaliação caso a caso, considerando supressão viral e recuperação imunológica sustentada. A banca inventa o limiar de 350/mm³ e a frequência diária.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/qg031320