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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Quadrix 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg031322
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia
Paciente de 64 anos de idade, DPOCítico, com diagnóstico de leucemia mieloide aguda e mantendo uso de cateter de longa permanência, interna, com quadro de insuficiência respiratória e choque, associados a febre de 39,0 o C após 3 semanas da última quimioterapia. No local onde reside e convive com outras pessoas, o risco de infecção invasiva por aspergillus é de 2% e por candida de 15%. O hemograma apresenta pancitopenia, com 200 leucócitos, sem diferencial e perspectiva de neutropenia acima de 7 dias.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta uma conduta correta para o caso relatado.
  1. Ainiciar terapia empírica para fungemia com Voriconazol 6 mg/kg EV
  2. Bcoletar hemocultura e manter paciente em observação para decisão de conduta
  3. Ciniciar terapia empírica com Cefalosporina antipseudomonas em monoterapia
  4. Diniciar terapia empírica com Ganciclovir pelo risco elevado de pneumonia por CMV
  5. Emanter profilaxia antifúngica com Fluconazol e terapia com Cefepime e Vancomicina
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GabaritoE — manter profilaxia antifúngica com Fluconazol e terapia com Cefepime e Vancomicina

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neutropenia Febril e Terapia Antimicrobiana Empírica

Gabarito: letra E. Em paciente com leucemia mieloide aguda, neutropenia profunda (200 leucócitos/µL) e febre após quimioterapia, a conduta é iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro (Cefepime) e manter profilaxia antifúngica com Fluconazol, conforme as diretrizes de neutropenia febril. A alternativa E é a única que combina a cobertura antibacteriana adequada com a profilaxia antifúngica, enquanto as demais apresentam erros conceituais ou de escolha de fármaco.

A neutropenia febril é uma emergência oncológica definida pela ocorrência de febre (temperatura oral ≥ 38,3°C ou ≥ 38,0°C sustentada por uma hora) em paciente com contagem absoluta de neutrófilos < 500 células/µL ou expectativa de queda abaixo desse valor nas próximas 48 horas. No caso, o paciente tem 200 leucócitos/µL, sem diferencial, e perspectiva de neutropenia > 7 dias, o que o classifica como alto risco. A conduta padrão é iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro imediatamente, sem aguardar resultados de cultura, pois a mortalidade aumenta com o atraso no tratamento. A escolha do antibiótico deve cobrir bacilos Gram-negativos, incluindo Pseudomonas aeruginosa, e cocos Gram-positivos, especialmente em pacientes com cateter venoso central.

A etiologia das infecções em neutropênicos é predominantemente bacteriana (85-90% dos casos documentados), com predomínio de Gram-negativos (Pseudomonas) e Gram-positivos (Staphylococcus epidermidis, S. aureus). Infecções fúngicas, como Candida e Aspergillus, ocorrem tipicamente após a primeira semana de neutropenia prolongada, sendo mais comuns após a segunda e terceira semanas, respectivamente. No paciente em questão, a febre surgiu 3 semanas após a quimioterapia, o que aumenta o risco de infecção fúngica invasiva, especialmente por Aspergillus, dado o risco de 2% relatado. No entanto, a profilaxia antifúngica com Fluconazol é indicada para prevenir candidíase, enquanto a terapia empírica para Aspergillus (voriconazol) seria considerada apenas se houvesse persistência de febre após 4-7 dias de antibioticoterapia de amplo espectro, sem foco identificado.

A alternativa E é a correta porque combina a terapia antibacteriana empírica com Cefepime (cefalosporina de 4ª geração com cobertura antipseudomonas) e Vancomicina (para cobertura de Gram-positivos, especialmente em paciente com cateter) com a manutenção da profilaxia antifúngica com Fluconazol. Essa abordagem é consistente com as diretrizes de tratamento da neutropenia febril de alto risco, que recomendam antibioticoterapia empírica de amplo espectro e consideram a adição de antifúngico se a febre persistir por 4-7 dias. A profilaxia antifúngica com Fluconazol é apropriada para prevenir infecções por Candida, que são as mais comuns, enquanto a terapia empírica para Aspergillus seria reservada para casos de persistência de febre ou sinais de infecção fúngica invasiva.

A pegadinha central desta questão é a distinção entre profilaxia antifúngica e terapia empírica antifúngica. A banca explora a confusão entre iniciar voriconazol imediatamente (alternativa A) versus manter profilaxia com fluconazol e adicionar antifúngico apenas se a febre persistir após 4-7 dias de antibióticos. O paciente tem risco de aspergilose (2%), mas a conduta inicial não é tratar aspergilose empiricamente; é iniciar antibióticos de amplo espectro e manter profilaxia antifúngica, avaliando a necessidade de terapia antifúngica direcionada se a febre persistir. Essa é a abordagem recomendada pelas principais diretrizes, como as da Infectious Diseases Society of America (IDSA) e da European Conference on Infections in Leukaemia (ECIL).

  1. 1Coletar culturas
  2. 2Iniciar ATB empírico imediato
  3. 3Cefepime + Vancomicina
  4. 4Manter profilaxia com Fluconazol
  5. 5Febre persiste 4-7 dias?
  6. 6[+] Adicionar antifúngico empírico
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar voriconazol 6 mg/kg EV como terapia empírica inicial é inadequado. O voriconazol é o antifúngico de escolha para aspergilose invasiva, mas não é indicado como terapia empírica de primeira linha em neutropenia febril sem evidência de infecção fúngica. A conduta inicial deve ser antibioticoterapia de amplo espectro, com antifúngico apenas se a febre persistir após 4-7 dias ou se houver suspeita clínica/radiológica de infecção fúngica. Além disso, o voriconazol não cobre Candida krusei e Candida glabrata de forma confiável, e seu uso empírico precoce pode mascarar infecções bacterianas não tratadas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Coletar hemocultura e manter o paciente em observação é conduta inadequada em neutropenia febril de alto risco. A coleta de culturas é obrigatória, mas o tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar resultados. A demora no início dos antibióticos está associada a aumento da mortalidade. O paciente apresenta choque e insuficiência respiratória, o que reforça a necessidade de intervenção imediata. A observação sem tratamento é inaceitável nesse cenário.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Cefalosporina antipseudomonas em monoterapia (como cefepime ou ceftazidima) é uma opção válida para neutropenia febril de baixo risco, mas não é suficiente para paciente de alto risco com cateter venoso central e choque. A monoterapia com cefalosporina antipseudomonas não oferece cobertura adequada para cocos Gram-positivos, especialmente Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) e Staphylococcus epidermidis, que são comuns em infecções relacionadas a cateter. A adição de vancomicina é recomendada em pacientes com instabilidade hemodinâmica, pneumonia ou suspeita de infecção por cateter. Além disso, a alternativa não menciona a profilaxia antifúngica, que é parte importante do manejo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Iniciar ganciclovir para pneumonia por CMV é inadequado. O CMV é uma causa rara de pneumonia em pacientes com leucemia aguda pós-quimioterapia, sendo mais comum em transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea. A apresentação clínica de febre, insuficiência respiratória e choque em neutropênico é muito mais sugestiva de infecção bacteriana ou fúngica. O ganciclovir não tem atividade contra bactérias ou fungos e não é indicado como terapia empírica em neutropenia febril. O diagnóstico de CMV requer confirmação laboratorial (antigenemia, PCR ou cultura) e não deve ser tratado empiricamente nesse contexto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Manter profilaxia antifúngica com Fluconazol e terapia com Cefepime e Vancomicina é a conduta correta. O Cefepime é uma cefalosporina de 4ª geração com cobertura antipseudomonas, adequada para neutropenia febril. A Vancomicina é adicionada para cobertura de Gram-positivos, especialmente em paciente com cateter venoso central e instabilidade hemodinâmica. A manutenção da profilaxia antifúngica com Fluconazol é apropriada para prevenir candidíase, que é a infecção fúngica mais comum nesse cenário. Essa combinação segue as diretrizes de manejo da neutropenia febril de alto risco, que recomendam antibioticoterapia empírica de amplo espectro e profilaxia antifúngica, com adição de antifúngico terapêutico se a febre persistir após 4-7 dias.

A conduta correta em neutropenia febril de alto risco é iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro imediatamente, com cobertura para Pseudomonas e Gram-positivos, e manter profilaxia antifúngica. A terapia antifúngica empírica (voriconazol, anfotericina B, caspofungina) é reservada para pacientes com febre persistente após 4-7 dias de antibióticos, sem foco identificado, ou com sinais de infecção fúngica invasiva. A alternativa E é a única que reflete essa abordagem, combinando Cefepime, Vancomicina e Fluconazol profilático.

Gabarito: letra E

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