Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Quadrix 2023
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg031326
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia
Paciente de 22 anos de idade, sexo masculino, refere que esteve em acampamento no final de semana, em que realizou várias atividades na mata, sem proteção adequada de vestimenta contra picada de carrapato. Ao retornar para casa, 2 dias após o fim do acampamento, refere que retirou 6 carrapatos ao todo, nas duas pernas. Ficou preocupado, porque ouviu na televisão que estavam aparecendo casos de febre maculosa perto de onde reside. Resolveu procurar atendimento médico para saber o que deve fazer agora. Não apresentou qualquer sintoma até o momento.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta corretamente a conduta a ser tomada para o caso acima.
Aprescrever Cloranfenicol para profilaxia de riquetsiose, por 7 dias
Bsolicitar PCR ou imuno‑histoquímica para diagnóstico etiológico de febre maculosa
Corientar retorno, se apresentar manifestações clínicas compatíveis com riquetsiose
Dprescrever Doxiciclina (metade da dose) para profilaxia de febre maculosa, por 5 dias
Enão aguardar exames laboratoriais para iniciar o tratamento de febre maculosa
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GabaritoC — orientar retorno, se apresentar manifestações clínicas compatíveis com riquetsiose
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Febre Maculosa: Conduta após Exposição a Carrapatos
Gabarito: letra C. Em paciente assintomático após picada de carrapato, a conduta correta é orientar o retorno imediato caso surjam manifestações clínicas compatíveis com riquetsiose (febre, cefaleia, mialgia, exantema). Não há indicação de profilaxia antibiótica nem de exames diagnósticos em pacientes assintomáticos, pois o tratamento deve ser iniciado apenas diante de suspeita clínica, e a confirmação laboratorial não deve retardar a terapêutica.
A febre maculosa é uma doença infecciosa aguda, potencialmente grave, causada por bactérias do gênero Rickettsia, transmitidas pela picada de carrapatos infectados. O quadro clínico clássico inclui febre, cefaleia intensa, mialgia e exantema maculopapular que pode evoluir para petequial, surgindo geralmente de 2 a 14 dias após a picada. A doença tem alta letalidade quando não tratada precocemente, mas o diagnóstico é essencialmente clínico-epidemiológico, e o tratamento com doxiciclina deve ser iniciado imediatamente diante da suspeita, sem aguardar confirmação laboratorial.
A grande questão aqui é: o que fazer com um paciente que teve exposição a carrapatos, mas está completamente assintomático? A resposta está no princípio de que a profilaxia antibiótica não é recomendada nesse cenário. Diferentemente de outras doenças transmitidas por carrapatos, como a doença de Lyme, em que há situações específicas de profilaxia, na febre maculosa a estratégia é a vigilância ativa: orientar o paciente a monitorar o surgimento de sintomas e buscar atendimento médico imediato caso eles apareçam. Isso porque o risco de desenvolver a doença após uma picada é relativamente baixo, e o uso indiscriminado de antibióticos não é isento de efeitos adversos e pode contribuir para a resistência bacteriana.
Na prática, o manejo se divide em duas situações distintas. No paciente assintomático, como o do caso, a conduta é educacional: explicar os sinais de alarme, orientar a remoção correta de carrapatos e o retorno imediato se surgir febre ou outros sintomas. Já no paciente sintomático com suspeita clínica de febre maculosa, a conduta é iniciar doxiciclina imediatamente, sem aguardar exames laboratoriais, pois a demora no tratamento aumenta significativamente a mortalidade. Os exames sorológicos e moleculares (PCR) são úteis para confirmação, mas a negatividade inicial não exclui o diagnóstico, e o tratamento não deve ser adiado por isso.
A pegadinha desta questão está em confundir o manejo do paciente assintomático com o do paciente sintomático. A banca explora exatamente essa fronteira: enquanto a alternativa E afirma que não se deve aguardar exames para iniciar o tratamento (conduta correta para quem JÁ TEM sintomas), a alternativa C é a correta para quem está assintomático. Guarde essa distinção: assintomático = vigilância e orientação; sintomático = tratamento imediato empírico.
Febre maculosa: manejo
1Paciente assintomático (após picada)
Vigilância ativa
Orientar retorno se sintomas
Sem profilaxia antibiótica
Sem exames de triagem
2Paciente sintomático (suspeita clínica)
Iniciar doxiciclina imediata
Não aguardar exames
Exames: confirmação, não rastreio
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Prescrever cloranfenicol para profilaxia de riquetsiose por 7 dias é incorreto por dois motivos. Primeiro, não há indicação de profilaxia antibiótica para febre maculosa em pacientes assintomáticos. Segundo, o cloranfenicol não é a droga de escolha para riquetsioses — a doxiciclina é o antibiótico de primeira linha, sendo o cloranfenicol reservado para situações específicas, como gestação, quando a doxiciclina é contraindicada. Além disso, o cloranfenicol tem perfil de segurança desfavorável, incluindo risco de aplasia de medula óssea.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Solicitar PCR ou imuno-histoquímica para diagnóstico etiológico de febre maculosa em um paciente assintomático é inadequado. Esses exames são ferramentas diagnósticas para pacientes com suspeita clínica da doença, não para triagem de expostos assintomáticos. A PCR pode ser útil nos primeiros dias de sintomas, mas não há justificativa para solicitá-la em quem não apresenta manifestações clínicas. O diagnóstico da febre maculosa é fundamentalmente clínico-epidemiológico, e exames complementares têm papel de confirmação, não de rastreamento.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Orientar retorno se apresentar manifestações clínicas compatíveis com riquetsiose é exatamente a conduta correta. O paciente assintomático após exposição a carrapatos deve ser orientado sobre os sinais de alarme — febre, cefaleia, mialgia, exantema — e instruído a procurar atendimento médico imediato caso eles surjam, pois o tratamento precoce com doxiciclina é crucial para reduzir a morbimortalidade. Essa abordagem de vigilância ativa é o padrão de cuidado recomendado, evitando antibioticoterapia desnecessária em quem não desenvolveu a doença.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Prescrever doxiciclina em metade da dose para profilaxia de febre maculosa por 5 dias é duplamente incorreto. Primeiro, não existe indicação de profilaxia antibiótica para febre maculosa em pacientes assintomáticos. Segundo, a dose de doxiciclina para tratamento de riquetsioses é de 100 mg a cada 12 horas (dose plena), e não "metade da dose". A banca tenta confundir com a prática de outras doenças transmitidas por carrapatos, mas na febre maculosa a conduta é vigilância, não profilaxia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não aguardar exames laboratoriais para iniciar o tratamento de febre maculosa é uma conduta correta para o paciente que JÁ apresenta sintomas compatíveis com a doença, mas não se aplica a este caso. O paciente do enunciado está assintomático, portanto não há o que tratar. Iniciar doxiciclina empiricamente em um paciente sem sintomas seria antibioticoterapia desnecessária, com riscos de efeitos adversos e contribuição para resistência bacteriana. A alternativa confunde o manejo do paciente sintomático com o do assintomático.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o manejo do paciente assintomático e o do paciente sintomático. A alternativa E descreve a conduta correta para quem JÁ TEM febre e suspeita de riquetsiose (tratar imediatamente, sem aguardar exames), mas o paciente do caso está assintomático — para ele, a conduta é vigilância e orientação de retorno se surgirem sintomas. Fique atento: assintomático = observar; sintomático = tratar já.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando a questão trouxer um paciente com exposição a carrapato, pergunte-se: ele tem sintomas? Se NÃO, a resposta será sempre orientação e vigilância (retorno se surgirem sintomas). Se SIM, a resposta será iniciar doxiciclina imediatamente, sem aguardar exames. Essa dicotomia resolve a maioria das questões sobre febre maculosa.